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Janete Dodde Dreyer

Nascimento: 15/12/1956,
Rio de Janeiro
Profissão: Professora
Projeto: Histórias de Internauta



 
 

 

Creio que não exista quem não reflita sobre sua própria vida, ao se deparar com a obra de José Saramago: "A Ilha Desconhecida"; Ao ler esta obra, não pude deixar de reparar nas próprias iniciais: ID - ilha desconhecida... ID – identidade. Será mera coincidência ou Saramago também pensou como eu?
Quem sou eu? Sou Janete Dreyer. Tenho quatro filhos, três "meninos" (um está na China) e uma "menina" (que casou em fevereiro de 2006) maravilhosos, bonitos, inteligentes e parceiros!
Hoje, junho de 2007, moro em Sapiranga e trabalho na Escola Municipal de Ensino Fundamental Rubaldo Emílio Saenger, mas quero contar para vocês um pouco do meu passado, que não está tão distante assim, viram? Voltem um pouco no tempo comigo...
Morando na cidade do Rio de Janeiro, formei-me professora aos 19 anos, cheia de sonhos, passei em seguida no concurso público e fui lecionar numa escola rural na Ilha de Guaratiba, no bairro de Campo Grande. Para chegar até a Escola Leôncio Corrêa, eu pegava um ônibus até a estação de trem, pegava um trem pra Campo Grande e uma Kombi para Guaratiba (cujo motorista na época, senhor Francisco, fazia o papel do seu Elias Turco, personagem do Sítio do Pica-pau Amarelo!). Levava um total de duas horas nessa viagem! Meu pai dizia que eu não precisava fazer “tanto sacrifício”, que eu não precisava trabalhar ainda. Mas eu amava minha profissão e meus alunos, e todos os dias tinha a mesma disposição como no primeiro dia! Minha irmã Jane e eu chegávamos a ir para lá aos sábados para jogar vôlei e “queimado” com meus alunos e passear por lá, nas imediações e nas casas de alguns deles.
Lembro que a vice-diretora na época me dizia: Isto é só porque você se formou agora. Espera passar alguns anos para você ver como enjoa! Mas graças a Deus ela estava errada. A cada dia que passa tenho mais convicção do quanto meus alunos precisam do meu carinho, da minha atenção, do meu compromisso...
Uma colega desta escola, professora da terceira série, reclamava sempre do barulho e conversa nas minhas turmas (eu tinha uma terceira série pela manhã e uma primeira série à tarde neste primeiro ano de trabalho). Um dia, querendo ela demonstrar para mim sua vasta experiência e eficiência, veio “sugerir” que eu exigisse silêncio da turma e como fazê-lo, ao que respondi, quase sem pensar: Se eu gostasse de múmias, iria trabalhar num museu e não numa escola!! Ela nunca mais me deu seus conselhos!
Eu tinha assistido, antes de me formar, o filme “Ao mestre com carinho” com Sydnei Pottier e me sentia o próprio mestre, numa versão feminina!
Tornei-me professora “pensadamente”, porque acho que é a única profissão que me dá a oportunidade de interagir aprendendo - ensinando -aprendendo! É a única profissão que me dá a felicidade de ver rostinhos alegres e olhinhos brilhantes todos os dias! São várias vidinhas ali na minha frente, com muitas portas para serem abertas e muitas descobertas a serem feitas! Muitos saberes a serem explorados. Todas com expectativas, sonhos e anseios como eu tive (e ainda tenho!). Todas também “ilhas desconhecidas” procurando sua verdadeira identidade! E eu estou ali, ao lado deles, tendo a oportunidade (e até o privilégio) de ajudá-los a se descobrirem! De orientá-los, nem que seja por um breve momento de sua longa jornada, a começar a construção de uma base sólida para seu futuro.
Como vivencio hoje o ser professora? Meus sonhos e planos dos meus dezenove anos continuam vivos! Não acho que as coisas pioraram como pregam alguns, pelo contrário, a cada ano vejo o quanto as pessoas envolvidas na Educação têm se empenhado em aprimorar o processo, têm suado em busca de respostas e soluções para os problemas que se apresentam. Ser professora é uma experiência inesgotável e gratificante. Posso dizer que “ser professora é o ar que eu respiro!” É realmente a minha vida!
Hoje, como a mulher da limpeza do conto "A Ilha Desconhecida", que passou pela porta das decisões, tenho ousadia para fazer o que realmente acho certo, mesmo que minhas colegas de trabalho achem que “não tenho domínio de classe!” Tenho ousadia para fazer aquilo em que acredito. Ainda tenho medo de cometer injustiças e ser a causadora do “desencantamento” de algum aluno ou de qualquer outra pessoa que se relacione comigo! Quero dialogar sobre como melhorar, como realmente suprir cada necessidade de cada aluno, pois são muitas! Como fazê-los acreditar que o futuro pode e deve ser melhor...

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