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IDENTIFICAÇÃO Nome, local e data de nascimento
O meu nome é uma coisa divertida, inclusive porque o meu nome é Marcos Milton Fragoso Borges, nasci numa sexta-feira 13 de carnaval de fevereiro de 53, mas eu só fui saber que chamava Marcos na escola – quando o meu nome pintou na chamada, porque eu sempre fui chamado de Yé. Então, na escola que eu soube que tinha um outro nome, um “apelido” que era Marcos. O “Yé” é desde pequeno, não sei, parece que eles ficavam brincando... Eu iria chamar José porque nasci um pouquinho depois que meu avô tinha falecido, que se chamava José. Mas depois mudaram, não colocaram José e acho que se arrependeram, e ficou Yé. Mais ou menos, por aí.
FAMÍLIA Pais
Olha, eu tenho orgulho de ter nascido na família em que eu nasci. O meu pai é Salomão Magalhães Borges e minha mãe Dona Maricota, Maria Fragoso Borges. Foram pais que eu tenho lembranças maravilhosas. Da minha mãe que morreu; o meu pai que continua vivo; mas, da minha infância eu lembro de pouca coisa, eu tive problema de... como é que chama? Paralisia infantil! Então, custei para andar pra caramba. Eu fui andar com três anos. Desta época eu não me lembro muito, mas lembro depois de muito... Tive uma infância legal com o meu pai e com minha mãe e com o Lô – que é um ano mais velho que eu e que era o meu companheiro, foi meu companheiro a vida, na adolescência inteira, a gente estava sempre junto.
FAMÍLIA Cotidiano
Na minha casa era muita gente, onze irmãos, onze filhos, não é? Eu com dez irmãos! Então era muito bom, mas a gente tinha... A vantagem de ter muito irmão é que você não fica muito centralizado, porque quando você tem família pequena a atenção fica muito pra você. Então, 11 filhos, você tinha... dava para você fazer as suas traquinagens sem ter muita... É lógico, porque 11, para poder ficar olhando era complicado, mas era muito bom, eu tenho, eu lembro que... Tem umas coisas engraçadas. No quarto dos homens, dormiam... Eram dois beliches, então eu dormia geralmente em cima e o Marcinho embaixo. Um dia parece que eu tomei umas para mais e eu dormi embaixo. Nem sei se eu tinha tomado, mas eu dormi embaixo e o pessoal ia me acordar com a vara para jogar futebol muito cedo no domingo. Eles me cutucavam com uma vara, já sabiam que eu dormia em cima, e o Marcinho neste dia dormiu em cima, sô, o Marcinho acordou espaventado com a rapaziada que tinha ido lá me acordar. Mas, então, era legal porque o quarto dos homens era uma democracia, era muita gente em um quarto pequeno. Nos beliches, era uma conversa muito legal, acho que a união da minha família tem muito a ver com isso, porque era mais ou menos um por todos e todos por um, porque fomos criados muito próximos, inclusive geograficamente, um em cima do outro.
LOCALIDADES BELO HORIZONTE Santa Tereza
Eu fui o primeiro a nascer na casa da Rua Divinópolis, em Santa Tereza. Nasci no quarto que, hoje, Solange a minha irmã dorme, mas era o quarto que eu vivi muito tempo na minha vida. Inclusive, logo quando eu casei, ainda morei, casado, neste quarto, até ir para a minha casa. Então era muito bom, era muito bom a convivência com todo mundo. Um que eu lembro ter nascido, foi o Nico meu irmão mais novo. Mas naquela casa tinha um quintal bacana. Tinha uma goiabeira, um abacateiro e a gente curtia para caramba. Subia no abacateiro, tinha o meu cavalo lá na goiabeira, então é a casa que está lá até hoje. Eu me lembro da gente descendo de tábua, passava sebo na tábua e descia naquelas ruas de calçamento, paralelepípedo, não é? Descia ali, então, e com os irmãos, foi uma convivência legal. Ter nascido nesta família muito grande para mim foi muito importante, foi muito bom.
FORMAÇÃO MUSICAL Músicas que ouvia
Na minha casa era muito legal porque a gente gostava de ficar escutando. Eu e Lô, ficava vendo o Marilton com o Bituca tocar lá no edifício Levy – que foi quando a música realmente entrou dentro da nossa casa. Aí a gente ficava escutando muito o pessoal tocando, e gostava; música a gente sempre gostou muito. Mesmo no princípio, quando a gente era pequeno em Santa Tereza, a minha mãe gostava muito de cantar e eu gostava de ficar ouvindo a minha mãe cantando. A convivência com eles era legal, não tinha nada de extraordinário, mas era bom, eu gostava de ouvir, e o pessoal tinha muito bom gosto. Foi uma época que estava acontecendo uma revolução na música, a Bossa Nova. Era uma coisa nova, então isso atraía muito a gente, a audição da gente, lógico.
FORMAÇÃO MUSICAL Músicas que ouvia
Teve um tempo que eu e Lô fomos estudar música com uma professora. Como é que se chamava a Dona mesmo? Eu cheguei a ter aulas de piano – eu e o Lô –, mas era um negócio meio sacal porque no meio, a professora ficava lá na cozinha: “A mão direita está errada!”, “Mão esquerda errada!”, e no meio da aula, assim, de uma hora para outra ela parava e começava a dar aula de religião. Aula de religião, eu meio que cortava um pouco naquela época, não estava tão ligado... Poxa, como é que chama? Não lembro mais não, talvez o Lô lembre. Nossa, a minha memória é uma coisa meio triste. Mas não me lembro onde era não. Eu sei que era no centro, a gente morava no centro e não era em Santa Tereza, não. Era ali para o lado dos Funcionários, que era a professora. Eu lembro até da carinha dela, mas do nome...
INFÂNCIA Brincadeiras de criança
E aí a gente começou a escutar Beatles, porque era a maior novidade, não começamos a escutar Beatles assim não, foi através do “A hard days night” que lançou no Brasil. O Bituca assistiu, e no outro dia levou eu e o Lô. Acho que o Marcinho foi com a gente e fomos assistir, e foi aquele negócio, foi tipo um tapa mesmo, foi tipo viciando na hora. Eu tinha 12 anos. E aí nós levamos o Beto no outro dia, porque o Beto morava lá no centro também. Nós tínhamos uma turma legal na Tupis com a São Paulo. Era uma turma grande de adolescentes que rodava o centro inteiro. A gente entrava em vários cinemas ali sem pagar porque a gente tinha entradas estratégias, passava pelo forro. Entrava pelo prédio do lado, passava pelo forro, descia. Tinha umas que você tinha... na hora que a sessão acabava a gente entrava de costa. O pessoal saindo e a gente entrando de costas no Cinema , então a gente tinha os macetes. É coisa de menino, eu, o Lô, o Beto, o Fred, uma turma grande, Napola, Lê, Grilo, e a gente entrava. Teve uma vez que, no Cine Tamoios – na Tamoios quase com a Amazonas, aí tinha um Cinema legal. Então, quando o filme era impróprio para a gente, a gente assistia do forro e quando a gente era liberado, porque a gente era menino, a gente descia por uma escada e entrava num banheiro dos homens e ia assistir. Aí, teve uma vez que a gente chegou para descer as escadas... O filme era legal, todo mundo, aquela turma em cima do telhado, e tinha um gordinho que estava por último, mas na hora que foi para a gente abrir a porta – o cara do Cinema já tinha sacado que nós estávamos lá –, ele abriu a porta e todo mundo voltou correndo. Esse amigo meu, esse gordinho, ele estava lá por último, ele ficou. Na hora de correr furou uma telha e tinha uma loja embaixo que chamava Leão das Louças. Ele caiu em cima de uma prateleira de louça. Foi para o pronto-socorro (RISOS), foi um caos. Mas era desse tempo de 12 anos, morar no centro naquele tempo era muito divertido, a gente nadava no Instituto de Educação. Teve um lance de uma vez, eu, o Lô, o Beto, essa turma toda, a gente ia numa casa onde é o Shopping Cidade, ali na Rua São Paulo, onde é o EPA, ali mais ou menos. Tinha uma casa com piscina, uma mansão e do lado tinha um terreno baldio que a gente fazia olimpíadas. E uma vez a gente entrou para nadar nesta casa. A gente pulava o muro, entrava pelo fundo, pulava o muro e nadava, aí o vigia chegou e pegou a roupa do Beto que deu bobeira e o Beto pelado (RISOS), pedindo para o cara a roupa, chorando, tudo menino. O cara depois entregou a roupa.
FORMAÇÃO MUSICAL Iniciação Musical: The Beavers
Depois disso, começamos a fazer o primeiro coover que foi o The Beavers. E a gente tocava, tinha um programa que chamava Petilândia – que era de jovens talentos na televisão, um programa para criança mesmo – seria a Xuxa da TV Itacolomi. A gente tocava em desfile que tinha no Peps. Nós tínhamos um empresário que era o Isaias Lance. Foi a primeira vez que a gente ganhou alguma coisa. Também, com 12 anos, nunca tinha trabalhado e ganhava uma graninha, uma mixaria, o empresário repassava para a gente alguma coisa e era uma satisfação. Era bom demais, nós tocamos em vários programas de Rádio que tinha na época, em televisão. E depois depois fui ser garoto propaganda na TV Itacolomi, num programa do Moacyr Franco. O programa era ao vivo, o maior barato, um programa do Moacyr Franco. O programa não era aqui em Belo horizonte, não sei, não lembro. Eu sei que a propaganda não tinha negócio de videotape, não, era feito na hora. Então, no dia do programa eu tinha que ir para a televisão, lá no Edifício Acaiaca, e gravava e fazia a interpretação. Eu era filho de um casal e fazia interpretação na hora ali, ao vivo, a propaganda era feita assim na hora, o maior barato!
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