Edgard Gouveia Júnior

Edgard Gouveia Junior foi procurado por estudantes da Faculdade de Arquitetura de Santos, que já sabiam de seu trabalho em algumas comunidades, para coordenar os trabalhos no Museu de Pesca. Deixou de lado uma bolsa de estudos na Alemanha para mergulhar em um projeto revolucionário: a reforma coletiva do museu, que mexeu com toda a cidade e despertou a atenção de estudantes de arquitetura da América Latina. O Instituto Elos nasceu do sucesso da empreitada. Reúne estudantes de arquitetura que buscam lugares físicos e socialmente degradados para, junto com as pessoas daquela comunidade, melhorar as condições de habitação. A base de todo o trabalho é a alegria, a motivação, o despertar das pessoas para liberar o potencial que todos têm de transformar a realidade em que vivem. O interesse pelo trabalho do Instituto Elos levou Edgard e a equipe a criar a Escola de Guerreiros sem Armas, com o objetivo de mostrar aos voluntários de todo o mundo, em um curso prático, como é possível transformar a realidade social e física de uma comunidade com poucos recursos e muita alegria e disposição.
:: Transformar o mundo, o objetivo dos Guerreiros sem Armas

Essa experiência no Museu de Pesca foi muito louca. Conseguimos envolver toda a cidade. Praticamente todo mundo ia lá dar opinião, torcer para nós. Enquanto trabalhávamos no museu, percebemos que era um desafio empolgante e queríamos envolver o maior número possível de pessoas. Não era uma missão: salvar o museu mexia com as pessoas e todo mundo queria se envolver, nem precisava chamar. Como seria então ampliar esse desafio? A Escola de Guerreiros sem Armas seria formada por essas pessoas. Percebemos que um dos obstáculos era a apatia, uma doença contemporânea, que é quase uma paralisia. Isso porque estamos envolvidos por tanta notícia ruim, que acabamos fixando a idéia de que não somos capazes. O Guerreiro sem Armas é aquele que vai trazer uma esperança, dizer assim: “Olha, é possível e vale a pena.” E vale mesmo sonhar com utopias; não vamos dar comida à África, vamos mudar a África. As pessoas vão dançar cirandas, tocar tambores, ficar muito felizes.

Museu da Pessoa - Alguns direitos reservados.