Conte sua história!

Histórias de vida. É esse o fio que conecta os participantes do Um Milhão. Educação, relacionamentos, saúde, violência, diversão... Esses e outros tantos temas ligados à vida da juventude aparecem nas histórias registradas pelo Movimento. Nada mais natural, afinal, são episódios do cotidiano e todos nós temos experiências nessas esferas da vida.

É exatamente por isso que essa é uma vivência tão singular. Diferente de fofocar ou de contar causos entre amigos, no Círculo de Histórias os participantes são convidados a focar sua atenção nas histórias uns dos outros, a escolher com cuidado o causo a ser compartilhado, tudo para que essa troca seja um momento de grande força.

É daí que surge o potencial mobilizador da metodologia, que se vale, na base, dessa matéria prima tão fina que são histórias de vida. O processo todo se dá em torno desse eixo.

Para começar juntamos um grupo e apresentamos a proposta. É sempre bom fazer uma atividade de apresentação para que todos possam ficar mais confortáveis e integrados. Como pode ser bastante complexo compartilhar uma história de sua vida, é bom que as pessoas se conheçam e que o clima esteja agradável.

Aí então apresenta-se a proposta: compartilhar histórias. O primeiro passo é pensar na história que será compartilhada, isso nem sempre é fácil. É bom que seja algo significativo na vida da pessoa, algo que a tenha marcado e que faça sentido ser compartilhado naquele momento.

Feito isso, vamos começar.

1º círculo: Esta etapa conta com alguns combinados. É preciso garantir que seja um momento solene, onde haja espaço para ouvir e ser ouvido. Assim, combina-se de antemão que quando o círculo é unido ele só se desfaz depois que todos contarem suas histórias, ou seja, celulares ficam desligados, banheiro e água devem ser pensados antes e a concentração foca em quem tem a palavra. Outro combinado é que quem vai falar começa com “eu sou fulano e vou contar minha história” e ao terminar diz “eu sou fulano e contei minha história”. Entre essas duas frases ninguém além do narrador tema palavra, isso porque o modo como contamos a história, o que deixamos de fora, as pausas que fazemos, tem relação com o que sentimos sobre aquela experiência. Assim, cada um vai contando sua história. Depois da contação, abre-se para o grupo a possibilidade de fazer sugestões à narrativa, indicando uma informação que faltou, um clima de suspense que poderia ser mais elaborado, ou outra sutileza que o grupo queira apontar.

Terminada esta parte, cada participante é convidado a roteirizar sua história. Em média o roteiro deve ocupar um página de folha A4, para que a história não ultrapasse três minutos. É importante lembrar o que faz uma narrativa: começo, meio, fim, suspense, clímax... Elementos que vão deixá-la mais atraente. A idéia deste momento é organizar as idéias para se preparar para a gravação. Mas antes disso, o grupo se reúne novamente.

2º círculo: Nesse momento cada um lê seu roteiro para o grupo, como se estivesse gravando. Os outros integrantes ouvem como se nunca tivessem ouvido a história antes, atentos para dar sugestões bacanas. Depois de lido o roteiro, o grupo comenta novamente, dando suas opiniões para o autor.

Com o roteiro pronto e revisado, é hora da gravação. O Círculo prevê o registro das histórias em áudio. Esse momento vai depender da estrutura disponível. A gravação pode ser feita em gravadores de mão, como aqueles de jornalista, em gravadores digitais ou até mesmo em computadores com microfone e mesa de som. O importante é que sua história seja registrada. Para esse momento é preciso ensaiar bastante, como atores fazem mesmo, para que o texto não fique lido artificialmente e para que a história tenha ainda aquele gostinho de contada na hora. Se houver estrutura também é bacana que cada participante possa finalizar sua história, tirar gaguejos indesejados, colocar uma música de fundo, enfim, embelezar um pouco. Nossa sugestão é que você busque o Audacity, programa livre de edição de áudio que pode ser baixado de graça na internet e que é bem fácil de usar.

3º círculo: Por fim, é momento de ouvir as histórias todas, já gravadas e finalizadas. É sempre um momento muito gostoso. É bacana atentar para os temas que surgem nas histórias. Depois de ouvi-las o grupo pode conversar sobre os temas que apareceram e refletir sobre isso. É bacana também fazer considerações sobre como foi contar sua história, ser ouvido no círculo e ouvir outras pessoas.

O último passo é pensar juntos o que esse grupo tem vontade de fazer a partir das histórias. Podem aparecer muitas idéias nesse momento, se houver gente envolvida em teatro pode-se pensar em adaptar uma história para uma peça, ou ainda criar um vídeo, fazer uma música, um grafitti em muros da região, além de pensar em ações de debate com especialistas sobre um tema que tenha surgido repetidamente nas histórias. Há muitas opções, isso vai depender da especificidade e do talento de cada um, que podem, inclusive, ser descobertos e valorizados nessa etapa.

Depois de todo esse processo cada participante está apto a realizar um círculo com outro grupo. É assim que acreditamos ser possível conseguir chegar a um milhão de histórias!

Se você se interessou, já fez um círculo ou participou de um, entre em contato através do e-mail contato@ummilhaodehistorias.org.br e saiba mais ou conte pra gente como foi!