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Djumbai de Histórias
Por Carol Misorelli
Eu tinha certeza que voltaria para Guiné Bissau. Da última vez que estive no país, saí com a impressão de que ainda havia muito por conhecer. Dessa vez fiquei parte dos dias em Bolama, em um encontro de jovens, e outra parte em Bissau, na casa da Isabel, uma amiga que conheci na última visita.
Bolama foi capital do país até 1941 e faz parte do arquipélago de Bijagós. No cenário edifícios ingleses e portugueses do século XV: alfândega, palácio, hotel turístico, hospital, imprensa, escola de formação de professores - ocupados pelo mato. Os jovens vieram em busca dessa estrutura para se alojar e pensar sobre o país. Na verdade, reunir-se em Bolama é mais do que dar utilidade a uma série de construções, é dar sentido a uma ilha histórica, hoje vazia e incluir a pequena comunidade que é anfitriã do encontro nessa conversa. As oficinas acontecem junto da comunidade: sentados com as mulheres que vendem água e bolo, discutimos a importância e o conceito de associativismo. Enquanto os pescadores remendavam suas redes, conversamos sobre comportamento de grupo. E, por fim, os jovens todos se reuniram para uma conversa com o ancião de Bolama, ouvir seus conselhos para essa juventude que parece perceber o tamanho de sua responsabilidade. Não é a toa que o encontro anual foi de “Campo de Férias” para “Universidade Guineense de Juventude e Desenvolvimento”.
Foi nesse clima de responsabilidade que realizamos o círculo de histórias, ou Djumbai de Histórias, todos tinham muita certeza da necessidade de fazer suas histórias serem ouvidas pelos jovens do país irmão. Etiandro foi o primeiro, passou sua infância com a avó que não queria que ele freqüentasse a escola, insistiu e entrou na primeira série com 15 anos de idade. Carlos conta sobre os anos de guerra, a mudança para o interior, as dificuldades para comer e a perda dos pais. Filomena foi a terceira filha de uma família de mestiços, mas para sua cor a diferencia dos irmãos. Jucelino conta as dificuldades que viveu quando da separação de seus pais. Manuário contou sobre a morte de seu pai, piloto de avião, durante a guerra. Aissatu, finalmente, toma coragem: conta como sua experiência de abuso sexual levou-a a fundar uma associação de apoio a meninas.
Voltei de Bolama para Bissau, animada com as histórias e com a experiência. Fiquei na casa da Isabel e passávamos o dia todo na casa da sua avó Regina de 98 anos. Dias de histórias, acompanhadas de feijoada, cachupa, ostra e camarão.
Acesse aqui o blog da Carol Misorelli e leia outras histórias sobre sua viagem
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Círculo de Histórias com crianças de 11 e 12 anos
Por Luis Ricardo Cicaroni
Ao longo de 2009, as turmas de Esportes de 11 e 12 anos do Espaço Criança Esperança trabalharam o tema “História de Vida”. Diversas facetas desta temática foram aprofundadas, como a identidade, a configuração familiar e os sonhos.
Neste segundo semestre o foco das aulas foi a relação entre a criança e o bairro em que ela mora. Para desenvolver este tema, realizamos um círculo de histórias, onde os educandos compartilharam com o grupo uma história que aconteceu com ele no bairro em que mora.
O resultado do processo do círculo de histórias com este grupo específico foi bem interessante. O clima de confiança e o respeito entre eles foi aumentando gradualmente e o envolvimento de todos foi notável. A maioria sugeria idéias para a história do outro e as histórias foram ficando cada vez mais bacanas. O processo culminou na gravação das histórias e a ansiedade deles por este momento era bem grande. Este círculo também resultará em um livro com todas as histórias redigidas e desenhadas.
Esta metodologia, apesar de ser costumeiramente aplicada a jovens, teve um resultado bem proveitoso com a faixa etária de 11 e 12 anos, auxiliando o trabalho com o tema do ano e proporcionando um aumento de confiança e respeito no grupo.
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Morro da Macumba
"..devido a enorme quantidade de despachos que ali eram realizados, quando tudo ainda era um matagal, cortado apenas pela estrada de terra por onde passava um ônibus, passava, mas muito longe não ia. Aqui era o ponto final, era onde jogavam os corpos mutilados, vitimas de assassinatos brutais, mortes por facada, pauladas e pedradas não eram raras. Assim contam os antigos moradores."
Esse é o início da história de Jonato Costa, membro de um coletivo de artistas da zona sul de São Paulo, que participou do Barracão de Histórias, atividade de círculo de histórias realizada pelo CEDECA Interlagos, uma das co-produtoras do Movimento. Ele conta como era o bairro do Morro da Macumba, atual Parque Residencial Cocaia, no início de sua ocupação, quando ele era menino. Foi essa experiência que o motivou a realizar uma intervenção numa das ruas do bairro. Junto a outros artistas, o grupo registrou histórias de moradores da região e, se valendo da arte do grafitti, pintou as histórias nas paredes das casas de uma das ruas do bairro, estampando a trajetória daquelas pessoas e daquele lugar em suas próprias paredes.
Leia as histórias do Barracão de Histórias
Veja fotos do Morro aqui
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Projeto desenvolvido pelo Entreface é selecionado em mostra espanhola
O projeto Um Milhão de Histórias na Educação, promovido pelo Grupo Cultural Entreface, como uma das ações favorecidas pelo Edital Destaques do Movimento, foi selecionado para a mostra ENLACE-D 2009, Enlazando Culturas. O projeto, apoiado pela AIC e pela Rádio UFMG Educativa, visa promover a participação juvenil no ambiente comunitário e a fomentar a reflexão sobre o imaginário social em relação à escola, à juventude e aos meios de comunicação. A mostra, promovida pelo Centro de Iniciativas para la Cooperación Batá, acontece na Espanha, de 3 a 12 de novembro.
Para saber mais sobre o Um Milhão de Histórias na Educação acesse o blog do Entreface clicando aqui.
Informações sobre a mostra em www.cicbata.org
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