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PROFISSIONAIS DA SAÚDE |
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Maternidade |
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A questão do aleitamento materno é
aquele sofrimento. As mães querem passar
logo pra mamadeira e as avós incentivam...
Tenho visitado crianças que as mães
tiraram do peito com 4 meses, deixam com as avós
e somem... Tem uma criança que a avó
ficou dando mamadeira e já foi internada
três vezes, com desidratação...
Porque se a mamadeira não é esterilizada,
a criança pega diarréia; elas fazem
o mingau de qualquer jeito, no fogão caipira,
pegando fumaça... A gente avisa: já
que está dando mamadeira, esteriliza o
material para que a criança não
pegue outra infecção. E elas querem
porque querem empurrar a mamadeira. Quando eu
chego elas até se assustam...
Deusenir
Pereira da Silva, agente comunitária de
saúde em Aliança do Tocantins, TO
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Saio pelo interior pra fazer trabalho com as mulheres
e é incrível! Para elas, tirar a roupa
não é fácil. Às vezes
não tiram nem diante do marido. A gente tenta
fazer elas entenderem o que é o útero
e a que está ligado, mas quanto mito ainda
existe... Falam da "mãe do corpo",
que caminha depois do parto até a garganta.
Como em tudo tem um fundo científico, é
fato que depois do nascimento do neném o
útero se contrai e a mulher nota essa mexida
no abdome. Então, elas imaginam que ele sai
correndo... O que pra gente é elementar,
pra elas é importante saber. Entender isso
é uma coisa maravilhosa... Mas nem todas
as pessoas que trabalham com saúde pública
sabem disso. Uma vez o médico do Posto de
Saúde disse, durante uma consulta, para uma
delas: "Tu tem cisto retocele..." Eu percebi
que ela não tinha entendido, chamei na minha
salinha e perguntei: "Tu entendeu o que o doutor
disse?" Ela respondeu: "Tá louco!
Deve ser um bicho que tem lá dentro."
Eu expliquei: "Isso é útero caído,
que acontece por causa de tantos partos que você
teve. Ficou um pouquinho pra baixo, é isso."
Daí ela disse assim: "Já sei,
caiu das prateleiras." Tu vê? Imagine
o que ela não ia sair dali pensando? Então,
não dá pra brincar com os sentimentos
dos outros.
Maria
Augusta Ardenghi Balsan, coordenadora municipal
do PACS em Rodeio Bonito, RS |
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Antes de ser prefeito, fui advogado
criminalista e certa vez tive um caso que me emocionou:
defendi uma moça de infanticídio,
a 'mãe que jogou o filho patente', como diziam
os jornais. A menina tinha 17 anos, ficou grávida
numa comunidade rural daqui e guardou a gravidez,
até que deu à luz. Ela se sentiu mal
e foi a uma latrina dessas de campo, que não
têm vaso, só a fossa. Achou que ia
urinar e ficou de cócoras no assento. Rompeu-se
a bolsa, ela ganhou um menino e o cordão
umbilical arrebentou... A criança despencou
na latrina, bateu com a cabeça numa pedra
e morreu por traumatismo craniano. Defendi a tese
de acidente e ganhei. Hoje, questiono: 'Se tivesse
havido ali um agente do PACS, será que não
teria salvado essa criança?'
Amauri
Luiz Pissinin, prefeito municipal de Redentora,
RS |
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