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  PROFISSIONAIS
DA SAÚDE |
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 Vida
em comunidade |
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Tinha muita
diarréia na comunidade. Eu chegava numa casa e tinha
três, quatro crianças com diarréia;
dava em adultos também... Então a gente
começou a despertar: "Espera, tem alguma coisa..."
Aí a gente sentou junto com a comunidade e discutiu. A
conclusão foi que aquilo vinha da água, porque
tínhamos um poço só na comunidade, de
boca aberta, e durante o tempo de inverno aquela água da
chuva caía toda ali e depois era consumida pela comunidade.
Vinha dali a contaminação do cogumelo, uma
bactéria que dá na água...
Então, conversamos com o padre e ele abriu um
poço artesiano. Depois, viemos conversar com o prefeito e
ele mandou fazer mais dois poços. Hoje, a gente
não tem mais esse problema. Diminuiu a diarréia
depois desse trabalho preventivo. Ela vinha da água e a
gente não sabia...
Aroldo Vieira
Ferreira, agente comunitário de saúde em Ponta de
Pedras, PA
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Um
dos primeiros casos que surgiu na minha comunidade, quando comecei a
trabalhar, foi a questão de uma carvoaria que estava
próxima às casas e soltava muita
fumaça. Isso começou a irritar os olhos das
crianças, elas começaram a apresentar
doenças, a vizinhança inteira estava com
problemas... Dez horas da noite, eles passavam levando
crianças pro hospital. Então eu disse: "A gente
vai lutar." Na primeira reunião que teve do Conselho
Municipal de Saúde eu participei eles do problema; passei no
secretário da Saúde e também coloquei
o problema, até que fizeram uma visita lá na
carvoaria e pediram que se retirassem do meio da comunidade.
Graças a Deus, resolveu o problema...
Deusenir Pereira da
Silva, agente comunitária de saúde em
Aliança do Tocantins, TO |
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Cresceu
muito o número de visitas domiciliares depois da
doação de bicicletas pela ABIFARMA, porque no
Piauí temos uma população um tanto
rarefeita, principalmente na zona rural, e o acesso não
é fácil... As bicicletas tiveram um papel muito
importante para o deslocamento dos agentes de saúde,
aumentando o número de visitas feitas às
famílias, assim como as balanças aumentaram o
número de crianças pesadas. Antes, as
crianças eram pesadas apenas nos serviços de
saúde municipais.
Maria
Enóia Dantas da Costa e Silva, coordenadora estadual do
PACS, PI |
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Muitas
famílias foram conquistadas pelo trabalho. A vizinha
pensava: "Se a criança daquela casa melhorou, a minha
também pode melhorar." Os agentes de saúde falam
na linguagem da comunidade e a sabedoria deles é
incrível, a sensibilidade para tratar as pessoas.
É um leva e traz, no bom sentido. Eles sabem, por exemplo,
quando o médico do Posto de Saúde falou e o
doente não entendeu... A cobrança é
maior para o profissional de saúde: se tu é de
saúde pública, vai ter que atender bem, porque
eles estão reclamando e dizendo o porquê. A
responsabilidade agora é maior.
Maria Augusta
Ardenghi Balsan, coordenadora municipal do PACS em Rodeio Bonito, RS |
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Aqui
tem duas florezinhas que ganhei hoje. Eles me trazem presentes porque
ficam gratos... Na semana passada, fui visitar uma gestante que havia
tido seu bebê e ela procurou, lá no fundo da
gaveta, umas caixinhas que eram a coisa mais linda. Deu uma pra mim,
outra pra agente comunitária da área. Para ela,
eram especiais, entende?
Suzane Brust,
instrutora/supervisora do Programa de Saúde da
Família em Ilha de Santana, Olinda, PE |
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Os
agentes também não têm muito estudo;
muitos deles só sabem ler e escrever; então eles
aprendem muito com a própria comunidade. Coletam
informação daqui, dali e vão ligando
as coisas. A gente parte do princípio que todo mundo tem
alguma coisa pra ensinar e orienta, por exemplo, que eles nunca
conduzam uma reunião de pé; todo mundo sentado,
em igualdade, porque se ele ficar de pé vai inibir outro que
gostaria de falar e pode pensar: "O agente é mais importante
que eu..." Na comunidade, o agente vai falar com a professora, com o
vereador, com o líder político, com os diretores
de associação. Está lá o
João, a Maria da Tuia, todo mundo ali...
Carmo
Patrocínio Pinto, instrutor/supervisor do PACS em Padre
Bernardo, DF |
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Na
minha área tinha uma família que morava entre
quatro pedaços de pau com uma lona em volta e em cima umas
telhas. Ali vivia o casal e seis filhos, sendo um casal de
gêmeos de 1 ano e 6 meses. Essas crianças estavam
com peso baixo, eram da cor de cera, só gemiam... A casa era
uma sujeira, com as roupas espalhadas, um fogãozinho feito
de pedra do lado de fora, as crianças no chão,
tudo sujo... Conversei com a Rosa e o marido dela, expliquei que deviam
arrumar melhor.... Arrumei umas telhas usadas e ele cortou certinho uns
paus, cobriu a casa e acabou que ficou bonitinho. Eles ganharam umas
camas velhas, um bercinho, ela arrumou um filtro, fizeram um
armário de pau e agora as coisas ficam ali brilhando, tudo
varridinho; os gêmeos aumentaram de peso e estão
começando a engatinhar. Eu chego lá e elogio:
'Parabéns, sua casa está limpinha, tudo
bonitinho.'
Leda Faustino Costa,
agente comunitária de saúde em Padre Bernardo,
Entorno do DF |
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A
região que eu atendo é urbana; uma parte tem sua
terrinha e sua casa, mas a maioria é
população carente, desempregados... Fazem
biscates: passa o caminhão e leva um grupo deles para as
carpidas, os fazendeiros pagam 7 reais por dia... Este ano, estavam se
queixando muito dos inseticidas usados nas lavouras... Ali o
planejamento familiar não funcionou direito e
então é aquela quantidade de crianças,
tem bastante desnutrição. Tenho
crianças lá de 14 a 15 anos que roubam comida e o
que vier na frente, mas é por sobrevivência mesmo.
O desemprego aumenta o alcoolismo, porque a pessoa não tem o
que fazer, aí vai lá no barzinho e
começa a coisa. Muitos ali são
alcoólatras e também enfrentamos lá a
questão da prostituição de menores:
temos vários casos e a única coisa que a gente
pode fazer é conversar com essas meninas novas,
várias já mamães e outras
grávidas... São casas, não
são bares, e nem a polícia pode agir porque
não tem como invadir aquela casa e comprovar que
está havendo mesmo prostituição.
Sandra Lorenzi
Marques, agente comunitária de saúde em Santo
Augusto, RS |
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