Bemvinda Motta Nogueira Santos
Projeto: Acervo
Depoimento de: Bemvinda Motta
Entrevistado por: Maria Olívia e Clarissa
São Paulo, 7 de Novembro de
2000
P/1 - Boa tarde Dona Bemvinda. Por gentileza, poderia nos dizer o seu nome completo?
R - Meu nome é Bemvinda Motta Nogueira Santos.
P/1 - O local de seu nascimento?
R - Eu nasci na capital de São Paulo, no dia 25/2/1927. Terra que eu amo, que eu adoro, que eu curto à beça. Apesar de toda essa loucura, desse buliço todo dessa terra de São Paulo. Correria, lutas, mil coisas certas e erradas. Mas eu amo essa terra.
P/1 - É, muito bem. Qual o nome do seu pai e da sua mãe?
R - Meu pai José Rodrigues da Motta e minha mãe Maria das Dor... espera um pouquinho, deixa eu lembrar certinho. É, Maria das Dores eu esqueci. Maria das Dores do Espírito Santo Coura.
P/1 - Tá. O nome dos seus avós maternos a senhora se lembra?
R - Lembro sim. Paternos: Marcos Rodrigues da Motta e Benedita Rosa do Amaral Motta. Maternos:...
P/1 - Não se lembra?
R - Antonio Rodrigues Coura, e o nome da minha avó que era Maria das Dores do Espírito Santo Coura.
P/1 - Eu refaço a pergunta, né?
R - Tá.
P/1 - Por gentileza Dona Bemvinda repita o nome dos seus avós paternos?
R - Marcos Rodrigues da Motta e Benedita Rosa do Amaral Motta.
P/1 - E os avós maternos?
R - Antonio Rodrigues Coura e Maria das Dores do Espírito Santo Coura.
P/1 - Então obrigada. Qual a origem do nome da sua família?
R - Olha, que eu saiba, de estrangeiro aí, eu ouvi o papai dizer que o avô dele era de origem portuguesa. Mas a gente, nunca houve interesse em esmiuçar, em saber. E como eu infelizmente não tive oportunidade de conhecê-los pessoalmente, com exceção de avó materna, eu fiquei, fico na omissão.
P/1 - Hum, correto, né? Quantos irmãos e irmãs a senhora teve ou tem?
R - Minha mãe teve nove filhos. Mas vivos são quatro. Nós somos em quatro irmãs, eu e mais três. Que são, aliás a mais velha sou eu, depois vem a Ruth, a Helena e a Maria José. São três irmãs maravilhosas. Assim de uma morrer pela outra, muito unidas. E graças a Deus os acabaram sendo amigos. Ar..
P/1 - A senhora estava dizendo pra nós que a senhora, que vocês são em nove irmãos, e a senhora é a mais velha...
R - Tira o senhora.
P/2 - (riso)
P/1 - Tá bom. (riso) Então você Bemvinda tem nove irmãos, né, e é a mais velha de todas.
R - Exato. Mas viva somos em quatro. Eu e mais três, que é a Ruth, a Helena e a Maria José. As três são três irmãs maravilhosas, a Zezé, a Maria José que tem o apelido de Zezé tem duas filhas lindas: a Andréia e a Fernanda. A Helena tem dois filhos também maravilhosos. Hoje os dois são engenheiros. Um até se encontra em Nova Iorque a trabalho de um importante banco aqui de São Paulo. E a Ruth não teve filhos. Em compensação ela sempre adotou os sobrinhos como meio filhos dela. Então graças a Deus uma família unida e feliz.
P/1 - Correto. Vamos dar uma viajada um pouquinho. Vamos lá na sua infância, né, com... Vamos falar um pouquinho assim: é, descreva um pouquinho a casa aonde a senhora viveu, em... você viveu a sua infância?
R - Olha, que eu me dei conta mesmo de gente, de existir, eu morei numa casa muito boa, muito grande. Com jardins, com, confortável. A minha família sempre foi muito simples e a gente tinha aquelas brincadeiras normais de criança. Que mais que eu poderia dizer da época?
P/1 - A localização dessa casa?
R - A localização? Era numa avenida chamada Estrada Conceição. Hoje mudou o nome. E essas casas eram de um lado da rua e do outro era como se fosse um barranco enorme. Mas grande. De uma área grande, que tinha... Era um campo pode-se dizer. Eu mesma tive a oportunidade de ver até bois zebus naquele campo. P/1,
P/2 - (risos)
R - E posteriormente isto foi loteado, foi vendido. Então meu pai comprou um terreno lá, a gente construiu e acabamos mudando pra essa casa e acabamos crescendo lá. Eu devia ter uns 6, 7 anos quando isso aconteceu. Se não tivesse até menos. E eu saí pro meu casamento, saí dessa casa. Essa casa existe até hoje. Só que hoje o local com construções muito boas, tudo isso. Era um bairro simples mas que aos poucos as coisas estão sendo remodeladas. E essa casa hoje até é dessa minha irmã Ruth.
P/1 - Ah, sim. Em que bairro fica essa casa?
R - É Vila Paiva.
P/1 - Vila Paiva, né?
R - É acima do Carandiru.
P/1 - Então é zona norte de São Paulo?
R - É, zona norte.
P/1 - Ah, tá. E continua com nome de Estrada Conceição ou mudou?
R - Não, continua.
P/1 - Continua?
R - Continua sim.
P/1 - Ah, certo.
R - Antes de Estrada Conceição era Coronel Marsílio Franco, era o nome da rua. E veja bem: a gente cresceu lá, quando eu comecei a trabalhar essa rua não tinha calçamento. E pra tomar condução tinha que andar pra burro, viu? Porque não era perto. Era um ,meio de... Eu lembro até que quando eu comecei a trabalhar, eu gostava, como toda mulher era vaidosa, né? E eu sempre tive mania por roupas e sapato. E eu tinha o cuidado de levar o meu sapatinho novo embrulhado. Quando eu chegava no ponto do ônibus eu trocava...
P/1 - (risos) R - ...pra não chegar no emprego com aquele sapato com barro, com pó. Eu fiz isso muitos anos. Depois sim, aí veio, não foi calçamento não. Como chama?
P/1 - Aquele é...
R - Pavimentação...
P/1 - de paralelepípedo?
R - Não, não.
P/1 - Asfalto?
R - Asfalto. Aí a coisa melhorou. Nessa época também, nessa altura, a gente já tinha um ônibus lá que demorava não sei quantas horas pra chegar, um pouquinho pior do que essa situação de hoje. (riso)
P/1 - Certo.
R - E aí já, a situação era bem mais privilegiada.
P/1 - Vocês eram em várias irmãs, e assim, na sua infância o cuidar da casa ali junto com a sua mãe, como era dividido essas tarefas? Ou era sua mãe que fazia? Como é que funcionava a organização da casa?
R - A mamãe foi uma mulher assim muito boa, muito trabalhadeira, muito caprichosa e gostava que as filhas aprendessem o que ela sabia. Porque ela na época de solteira, ela sempre contava, morou em fazenda com muita fartura, com muito isso e aquilo. E depois a casa já, aqui na casa já era completamente diferente. Então ela ensinava. Ensinava a bordar, ensinava nas lições, o que ela podia fazer. Mas era uma dona de casa completa. Que não trabalhava fora, não nada. E ela ensinava, ajudava. Então, não tinha assim especificamente tarefa. Se precisava, tinha uma necessidade a pessoa ajudava.
P/1 - Ah, tá. Seria na arrumação da casa de uma forma geral, né?
R - É, de uma forma geral.
P/1 - Me diz uma coisa: quais eram os momentos, foram os momentos mais marcantes da vida em família? Tem algum momento que destaca mais, assim, na sua época de criança?
R - Olha um momento marcante, uma data marcante eu não estou assim... Pra gente era importante, por exemplo, quando a gente saía a passeio no final da semana era momento de alegria. Por que? Primeiro que a gente punha roupa nova, que não era de todo dia. E segundo que a gente saía de táxi. Porque naquela época meu pai não tinha carro e nem... Hoje é que predomina cada família tem o seu carro, mas naquela época não. Então era um motivo assim de alegria. E também das festas de aniversário quando a gente fazia. E eu lembro que a mamãe gostava, fazia aquelas mesas lindas de bolo. E tudo batido na mão. Não tinha batedeira não. E os bolos eram assado num forninho de lata em cima da brasa num fogão. E isso quando eu não precisava ficar abanando as brasas em cima. E, resultado: os bolos eram lindos e deliciosos. E a festa melhor ainda. Quer dizer que, num contexto de hoje é uma diferença que não há comparação. Hoje é o forno elétrico, a gás, ou as batedeiras. Os recheios já vêm prontos é só colocar, ou então encomenda nas confeitarias. Mas na minha época eu não lembro de ter essas coisas. Então era tudo muito normal, tudo gostoso. Não ficava aquela comparação: "Ah, a minha é melhor, aquele é diferente." Não tinha não. Era uma vida tranqüila.
P/1 - Certo. A senhora nos disse também que existiam momentos de grande alegria quando aconteciam os passeios, né? Esses passeios eram feitos junto com toda família, em que locais vocês iam, aonde, o quê vocês visitavam?
R - Não, às vezes eram visitas familiares mesmo. Não havia assim muita diversão pra gente comparecer, não. Não.... era uma festinha de aniversário. Visitar uma família que era da amizade. Mas além disso eram poucas opções. Que eu lembro.
P/1 - Certo. E com relação a amizades no seu período de infância. O convívio era só em torno da família com as suas irmãs ou você tinha amigas?
R - Não, a gente, eu tive algumas amigas que a gente até saía, programava. Isso já quando era maior. E, pra ir ao cinema ou uma festa de aniversário. E quando menor era aquela brincadeirada de criança, dos vizinhos, de brincar na rua. Brincar de roda, cantar. Uma das coisas que eu gostei muito quando eu era pequena era de cantar, de recitar. Consta até uma passagem de uma pessoa muito amiga que me ensinou recitar quando eu tinha 2 anos. E eu aprendi essa poesia. Então em todo lugar que eu chegava eu tinha que repetir. Coisa de criança, de, de, de mãe coruja, de amigo coruja, né? E isso é uma das coisas que marcou. E as minhas irmãs também gostavam dessa participação. Menos a Helena e a Maria José, mas a Ruth também gostava.
P/1 - Me diz uma coisa: dá pra senhora recitar um, se lembra desse, dessa poesia que a senhora recitava quando era criança? Recita um pedacinho.
R - Você vai achar graça einh, mas...
P/1 - Não. (riso)
R - Eu lembro, era uma pessoa amiga da mamãe e que me achava engraçadinha, né, claro na época. Então ela me ensinou, era assim, vou ver se eu lembro: "Um dia papai me disse: 'Minha filha não te cases. Goze a tua mocidade.' E eu, que já tinha dado meu pobre coração, disse ao pai: 'Isso não. Não pode ser...' o velho ficou, de branco ficou amarelo e correu atrás de mim com uma vara de marmelo. 'Toma filha, casamento.' Fiquei 3 dias sem almoçar, 4 dias não jantei. No fim dos 7 dias, meus senhores, me casei!" (recita)
P/1 - (riso) Que lindo!
R - Eu não sei porque que eu gravei. Então você vê, nessa fase da, nessa minha idade lembrar uma poesia por mais simples que seja, sinal que os...
P/1 - Essa poesia você recitava quando tinha o quê? Quantos anos?
R - Diz, contavam que era com... essa pessoa falava que me ensinou aos 2 anos. Mesmo que eu tivesse 3 ou 4, sei lá. Pra época era um prodígio, (riso) porque a criançada de hoje.
P/1 - São o inverso
R - Claro, mas... Fora disso, na escola, no grupo escolar, a gente sempre era escolhida pra recitar, pra cantar, pra representar. E eu gostava tanto dessa brincadeira que eu tinha uma, tive uma rival na escola que cantava também.
P/1 - Qual o nome dessa rival?
R - Ela chamava Laura.
P/1 - Unh.
R - E eu queria, claro, não queria perder pra ela. E eu uma vez, eu fui cantar no parque. Fugi de casa e fui cantar no parque.
P/1 - (riso)
R - E fui aplaudida. Mas também foi a primeira e única vez. P/1,
P/2 - (riso)
R - E depois já na fase de ginásio também teve uma festa em que eu fui escolhida pra ser boneca de piche. E dancei com um colega pintada de preto, assim. Hoje eu fico até pensando, eu acho que, essa coisa que o Junior tem de teatro, sabe? (riso) Acho que pegou um pouco, sabe? (riso)
P/1 - Herdou da mãe. (riso)
R - É. Mas depois parei. Hoje não canto nem no banheiro.
P/1 - Não?
R - Não.
P/1 - E não lembra um pouco um pedacinho dessa canção que você cantou na escola?
R - Da boneca de piche?
P/1 - Isso. Lembra um pedacinho?
R - É, não sei se.. "Boneca de piche, da cor..." (cantarola) Não lembro.
P/1 - Não lembra.
R - Não consigo lembrar.
P/1 - Está bom. Então fala um pouquinho desse período assim, que você já começa a se socializar mais, que começa a freqüentar a escola, né? Como era? Descreva a sua escola pra nós um pouquinho. Como era? Aonde ficava a sua escola?
R - Olha, eu estudei no Grupo Escolar Toledo Barbosa, que era na rua, era não, continua até hoje na rua Maria Cândida, no Carandiru. E, eu fui uma aluna assim, haja visto que eu até separei aí pra uma xerox do meu boletim, de comportamento de 100. Nota 100 de janeiro a dezembro. E também nas matérias não fui das piores, na época de grupo. Mas era uma coisa normal. Não era nada pra aparecer, pra se exibir. Era uma coisa de rotina. Tinha os trabalhos também que eles faziam exposições de trabalhos dos alunos. E eu lembro de fazer algum trabalho de bordado, ensinado pela minha mãe, das professoras depois quererem comprar, de tanto que gostaram. Mas não era nenhuma obra de arte. Mas, gostavam.
P/1 - É nesse período seu de...
R - Esse é escolar, né?
P/1 - Escolar, né? Nesse período escolar, existiu alguma professora que mais te castivou? E porque isso da sua afinidade? Ou uma que você não tem uma lembrança boa? Como é que é isso?
R - Olha, eu lembro de dois nomes, porque eu tive duas professoras: de primeiro e segundo ano, e terceiro e quarto. Então não tive oportunidade de conhecer outras. Mas uma era dona Marieta, eu não lembro o nome. Ela era uma pessoa muito severa, muito boa e ao mesmo tempo doce. E eu tive assim uma, me dei bem nos 2 anos. Era até tímida, tudo isso. E no terceiro e quarto, dona Jasmina Porto Alves. Eu acho que ambas, não existe mais. Mas é, foram duas professoras marcantes assim. Você sabe que tudo o que passa na infância da gente a gente marca muito. E foram muito boas, muito dedicadas. E você veja, a gente era uma criança e era tratada com educação, com um respeito que, eu lembro com saudades.
P/1 - Certo. E me diga um pouquinho, fala um pouquinho assim da sua relação com as suas irmãs. Como era o convívio, existia alguma que você tinha mais afinidade? Como era?
R - Olha, eu gostava, e gosto até hoje de uma maneira igual. Mas a Ruth que é abaixo, é depois de mim, a gente inclusive trabalhou juntas, a gente tinha um convívio maior. Tanto que consta até uma brincadeira. Quando a gente saía na rua, uma pegava na mão da outra e se tinha que fazer algum comentário pelo aperto de mão, o olhar assim, a gente já sabia se era uma brincadeira, se era uma caçoada, enfim. E depois, eu lembro que depois de muito tempo com o, houve uma novela que tinha as irmãs Cajazeiras, então nós mesmas nos apelidamos de: As Cajazeiras. (riso)
P/1 - (riso)
R - Hoje quando eu falo quase apanho, viu. Mas é verdade. (riso) Mas era tudo num tom assim de gozação cordial. E a gente então se entendia muito bem. As outras duas, a Helena e a Maria José, a Maria José existe uma diferença 17 anos mais nova do que eu. Foi como diz na gíria, a rapa do tacho. Minha mãe não estava esperando, não contava e aconteceu. Então ela foi criada assim, já com mais, vamos dizer, com mais mimo das irmãs. E ela até é muito alegre, divertida. Mora em Santos. Então como eu disse, das minhas irmãs eu tenho a melhor das impressões. Adoro as três. Se pudesse estaria diariamente juntos. Mas cada um tem sua vida, então... Mas uma participa assim, quando fica sabendo de alguma coisa boa ou má, sempre tem participação.
P/1 - Sei.
R - São muito dedicadas.
P/1 - E ainda falando da sua infância, existiu alguma amiga que lhe trás assim grandes recordações ou que vocês mantenham relacionamento até hoje, desde a infância ou não? Tem alguma pessoa em destaque?
R - Não. A coisa foi passando, passando. E pode ser que amanhã ou depois a gente até encontre e lembre. Mas não tenho assim, não lembro.
P/1 - Ah, certo.
R - Existiram várias amizades, é claro. Mas o convívio da época depois acabou. Não existe uma que tenha sido daquela época até hoje. Não.
P/1 - Certo. E mesmo assim prevalecendo só aquela época, existiu alguma pessoa que mais cativou?
R - Não, assim de amigas, que eu lembre não.
P/1 - Então fale um pouquinho dos seus pais, né? O seu pai, o senhor José Rodrigues Motta, o que ele fazia?
R - Ele trabalhou sempre, no Palácio do Governo. Ele era funcionário de lá, então eles faziam... Não sei a especialidade dele. Mas era um trabalho assim, uma participação como se fosse um... Não era secretário. Mas acho que tinham umas divisões de trabalho então ele foi um funcionário assim muito estimado, muito querido. Lembro que ele contava das coisas. E como ele era uma pessoa assim muito afável, uma pessoa muito, que hoje nós diríamos: muito legal.
P/1 - (riso)
R - Mas uma pessoa assim, boa, sabe? Eu tive um entendimento com meu pai assim, muito grande. Então... Mas não era nada assim, importantíssimo não. Era com o trabalho dele. Mas cargo, essa coisa não. Mas era uma pessoa assim de muita confiança no trabalho.
P/1 - Qual repartição pública que ele trabalhava?
R - Que eu saiba, eu acho que ele trabalhava lá, pertencia a Secretaria do Governo. Acho, não tenho certeza.
P/1 - Ah, certo. E com relação a sua mãe: ela tinha trabalho fora?
R - Não.
P/1 - Quais as atividades dela?
R - A mamãe foi uma dona de casa dedicada, perfeita, maravilhosa, muito meiga. E, mas nunca trabalhou fora. Não. E dessas que dava educação pras filhas e ensinava o que era educação, o que era respeito. Enfim, era uma pessoa normal, mas com determinada linha. Porque hoje a gente vê filhos pequenos aí, que não obedecem, pinta e borda. Naquela época, não éramos santas. Éramos crianças normais, mas, tínhamos uma disciplina, vamos dizer assim.
P/1 - Certo. E como é que era o dia-a-dia na sua casa? Como é que funcionava? Levantava-se de manhã, aí ia pra escola? Como é que era a rotina da casa?
R - Era uma rotina. Não tinha muita variedade não. Era pra ir à escola. Ir à escola, você até sobrava tempo. Porque hoje a criança estuda, vai à escola de inglês, vai à natação, vai nisso e aquilo. E nós não, a única atividade que nós tínhamos era a escola, e ficar em casa e brincar. Não tinha, quer dizer, eu pelo menos a minha foi assim. Das minhas irmãs também.
P/1 - Correto. E nessa brincadeira com os irmãos do que mais vocês gostavam de brincar? Qual era a brincadeira que mais agradava, que vocês brincavam com freqüência?
R - Eu sinceramente, especificamente, a gente participava na hora das brincadeiras o que tivesse e no que tinha na hora. Eu lembro muito esse negócio de pular corda, de brincar, de amarelinha. Coisa mesmo antiga, né?
P/1 - (riso) Certo, né?
R - Esses foram os nossos divertimentos.
P/1 - Certo. E com relação a autoridade dentro da família, quem era mais austero: a mãe ou o pai? Quem é que tinha aquela coisa do poder dentro da família?
R - Não existia essa coisa de você manda mais ou menos. Mas normalmente, parece, o pai sempre impõe mais. Apesar de meu pai ser uma pessoa assim ponderada. Nunca vi gritar, nunca vi brigar, nunca vi beber. Nunca vi em porta de bar, nada. Era um homem assim muito sereno. E também que ficava de olho nos filhos, prestava atenção. Mas dizer quem mandava mais... A mamãe é claro, exercia uma certa energia porque é a escola, é isso e aquilo. Quando falta, quando falha, quando qualquer coisa, é a mãe quem responde. Então nisso eu acho que ela predominava.
P/1 - Certo. Em função de toda ordem da casa.
R - Exato. É.
P/1 - Descreva um pouquinho o seu pai, assim. Ele era um homem que gostava do trabalho..,
R - Gostava.
P/1 - Como é que era assim?
R - Era uma pessoa dedicada. Ele gostava de conversar, de contar coisas. Lembrar fatos da época dele e tudo. Mas nada importante. Coisas de rotina. E era uma pessoa assim, desses que tinha os vizinhos, os vizinhos gostavam. Também não era de muita coisa, de estar pra lá e pra cá não. Era um homem normal. Trabalhava, esforçado. Mas dentro do contexto, uma pessoa normal. Nem menos, nem fechado demais, nem aquele alegre demais.
P/1 - Certo.
R - Uma pessoa ponderada.
P/1 - Você disse que ele gostava muito de contar coisas da época dele. Tem algum fato que marcou, que ele costumava contar que você gostaria de lembrar, ou não?
R - É ruim de dizer, eu sei mais da vida do papai e... mas fatos assim importantes, que ficaram na história, isso, aquilo eu não sei. Sei que ele participou da revolução, não sei se foi de 24, e que ele foi... a mamãe passou momentos muito tristes porque correu até uma notícia de que ele teria morrido, tudo isso. Mas depois voltou e levaram uma vida... tudo normalizou. E depois disso é que ele passou a trabalhar na vida civil. E, era uma pessoa querida, estimada, mas assim, sem muito, muita rompância vamos dizer.
P/1 - Certo. E com relação a sua mãe? Descreva um pouquinho a sua mãe pra nós? Como ela era?
R - A mamãe sempre foi assim uma pessoa muito carinhosa. Sempre conquistou as amizades. Mas ela era assim, observadora também. Ela, por exemplo, ela era mineira e ela sempre falava que, não gostaria que as filhas dela - isso ela falava da boca pra fora, mas ela falava - que as filhas dela casassem com mineiro. Porque mineiro quando era bom, era bom mesmo, mas quando não prestava era melhor jogar fora. Passou o tempo, a primeira que casou fui eu. E com um mineiro. P/1,
P/2 - (risos)
R - E ela amou esse mineiro. Ele foi um genro assim, não é porque depois que morre todo mundo fica bonzinho, fica maravilhoso, não. Ela gostava dele. Ele tinha um gênio assim muito comunicativo, muito expansivo e também muito impulsivo. Se tivesse alguma coisa que... ele até reagia. Mas ela sempre gostou. Tanto que algumas poucas vezes que eu tive falar alguma coisa, reclamar: "Ah, o Wellington está.... querendo assim ou assado." Ela: "Ouça teu marido. Porque você tem um marido bom. Um marido direito, correto." E hoje ela faz isso com outro genro, o marido da Helena. Que, esse é um santo, viu? Luiz Fernando. Aliás eu não dei o nome, né, dos maridos...
P/1 - Das...
R - Das minhas irmãs.
P/1 - Então diz.
R - A Helena é casada...
P/1 - Com?
R - Com Luiz Fernando Catapreta César.
P/1 - E a Ruth?
R - A Ruth com João Batista da Silva Barros. Este, fez um ano agora em outubro, que ele faleceu. Foi militar, ele acho que era... antes de Capitão o que é que é? Major. E a Maria José que é casada, foi casada com o Fernando Gutierrez. Estão divorciados mas um mora quase que na frente da casa do outro.
P/1 - (riso)
R - ele continua dando, como diz, adorando as filhas dele, então foi morar perto. Eles têm um relacionamento cordial. Mas, é só. Não pretendem voltar não, pelo que a Zezé fala. Então, mas eles, é como eu disse, não ficaram inimigos. Eu já seria um tipo diferente. Eu quando não deu certo não quero nem ouvir falar.
P/1 - (riso)
R - Mas em compensação eu, posso falar do meu marido agora?
P/1 - Pode.
R - Ou ainda não...?
P/1 - Não. Fale.
R - Eu, pelo menos, eu vivi casada 34 anos e tive um marido assim, foi um excelente companheiro e pai maravilhoso. Muito comunicativo, muito alegre, muito expansivo. E então já é um outro temperamento, né? E tanto que quando, depois que ele morreu, está fazendo agora 10 anos, os meus filhos falavam: "Mamãe, você vai ficar aí sozinha? Você não vai casar novamente? e isso e aquilo." Eu disse: "De jeito nenhum." Porque eu vivi 34 anos. Eu acho que o meu casamento pode ter senões que todo mundo tem. Mas se eu tivesse que casar novamente, casaria com ele mesmo.
P/1 - Ai, que beleza.
R - Então eu não quero. Eu cumpri a minha missão de uma maneira que eu acho que foi bem cumprida então eu não quero mais. Mesmo nem tem cabimento, né, com a idade que eu estou ficar pensando em... ficar em devaneios aí. Estou muito feliz assim.
P/1 - É. E falando de boas relações, na época, na relação com seus pais, com quem você tinha mais afinidade? Com quem que se relacionava melhor: com o pai ou com a mãe? Ou com os dois? como é que era?
R - Eu chego a dizer que não havia diferença.
P/1 - Tá.
R - Mas o papai tinha um olhar que a gente conversava.
P/1 - (riso)
R - Ele não ficava, ele chegava: "Bom, minha filha..." E com a mamãe, eu não sei se porque a gente já tinha mais intimidade, tinha que reagir já reagia, já falava, né? Mas não, de um modo geral o relacionamento era bom com os dois.
P/1 - Certo, certo. E assim, descreva em linhas gerais as suas irmãs. Por exemplo a Ruth, a Zezé e a...
R - A Ruth eu sempre falo que, porque ela foi uma moça muito bonita, e atualmente ela passa por um problema sério porque ela sofreu uma cirurgia e houve uma ruptura de um nervo e criou um problema no rosto. E a gente até brincava que era a irmã mais bonita. E, mais todas são, cada um tem o seu valor, tem... A Helena é mignonzinha, tem 1,5 m, mãe de dois gigantes. A Zezé teve três filhos, mas um morreu quando pequeno, o Marcelo. E a Andréia e a Fernanda foram e são muito bonitas, a Fernanda, eu a reputo assim uma.... uma cópia da Luiza Brunet. Só que ela não se toca que ela é linda. Não toma conhecimento, né? Porque eu iria explorar essa beleza, né? E, e a gente não tem assim hoje um relacionamento tão grande porque elas moram em Santos. E a Zezé tem, a Andréia tem um filho que deve estar com 7 anos. O Gustavo. Que por sinal eu acho que se parece muito com ela, e é um menino muito ativo. Promete. Então, quer dizer, um relacionamento muito bom, das três. Hoje cada uma tem a sua vida, então não há, mas quando a gente pode nos aniversários, época de Natal que de um modo em geral sempre foi na minha casa. A maioria das vezes. Então sempre reunidas, tudas junto.
P/1 - Certo.
R - Não tenho nada que desabone, que fale. Porque às vezes tem irmandade que não se relaciona, mas graças a Deus não é o meu caso.
P/1 - É. Além do convívio com seus pais e as suas irmãs, existiam outros membros da família, outros parentes com quem você se relacionava?
R - Tinha e tem. Mas é assim: na época que nós éramos menores, que ainda não éramos nem casadas, nada, eu lembro que vinham parentes que moravam no interior e vinham sempre ficavam na casa da mamãe. E a mamãe era uma mulher, por isso que eu digo, dedicada à casa. Se eles chegassem meia-noite, tivesse todo mundo morrendo de fome, ela ia pro fogão e alimentava todo mundo. E agora, depois que cada um vai assumindo a sua vida, automaticamente a coisa se separa. Mas não separação por desunião, não. Então a gente sempre brinca que quando não é em casamento é em velório, né? Aí, se o velório, conforme a situação é até um motivo de regozijo, de encontro da família. E, então ficou nisso. Lá de vez em quando um aparece, né? Então, como essa semana eu saí do...Bom, isso é outro assunto.
P/1 - Não, pode falar.
R - Eu saí do, que eu fui levar umas flores no túmulo, no cemitério, apesar de eu detestar cemitério, mas eu fui porque eu acho que é a única homenagem que eu posso ainda prestar à uma pessoa que eu quis tanto. Que é o meu marido. E quando eu cheguei no ponto pra tomar um táxi, encontrei umas pessoas que ficaram conversando, perguntando se eu sabia pra onde ia, que lado que ia pra Aclimação, não sei o quê. Nisso eu olho bem, dou de cara com uma moça que foi minha colega de trabalho. Quer dizer, há uns 30 anos que não nos encontrávamos, nunca mais nos vimos e de repente você tem um encontro feliz. Puxa vida, tanta coisa deliciosa que a gente em poucos segundos ali a gente rememorou.
P/1 - E qual o nome dessa sua amiga?
R - É, Terezinha Guerra.
P/1 - E trabalhava na repartição pública com você?
R - Trabalhou comigo na Casa Civil do Governador.
P/1 - Han, Han, sei.
R - E ela também até contou, também rapidamente, que ela casou, separou. Tem dois filhos. E ficou com o meu telefone, eu fiquei com o dela. Vamos por o assunto em dia. Então é isso aí.
P/1 - Tá certo, né? E assim, ainda dentro do convívio familiar quais eram, além assim da escola , de freqüentar a escola, de cumprir os deveres e fazer as tarefas da escola, existiam outras atividades que eram incentivadas pelos seus pais?
R - Olha, todas elas tiveram a escolaridade, a Zezé por exemplo fez o conservatório. Seria hoje uma brilhante musicista, no entanto se formou, fez tudo e acabou abandonando.
P/1 - Ela tocava algum instrumento ou era só canto?
R - Tocava piano.
P/1 - Piano?
R - Formou-se e foi uma aluna, que eu saiba, excelente, maravilhosa. Tudo isso. Mas acabou deixando. Levou o piano quando casou, ficou um longo tempo com ele. Mas um dia ela se desfez porque viu que não ia continuar a vida de... A Ruth é formada em História da Arte. Lecionava até. E a Helena é, fez todo o estudo dela no colégio de freiras em Santana. Então cada uma tem um pouquinho de escola.
P/1 - E você, além do curso, curso que a gente diz hoje básico, né? Você fez algum outro, outros cursos?
R - Fiz cursos rápidos assim, mas não...
P/1 - Citaria alguns, ou não?
R - Ah, já participei, como agora mesmo, esse convite que eu recebi. Estou fazendo isso, de repente eu não sei o que vai acontecer. Mas especificamente algum curso pra fazer e alguma coisa pra render pra viver, não. Não fiz nada.
P/1 - Naquela época que você era mais jovem que ainda estava com a família?
R - Não porque eu trabalhava, trabalhava o dia inteiro e morava longe, eu acabei deixando, né?
P/1 - Certo.
R - E posteriormente casei, aí... Fiz assim, curso de inglês, curso de não sei o quê. E fui fazer inglês, devo a isto agora a questão de 2 anos, deixei. Eu estava fazendo já 3 ou 4 anos de inglês, porque estava sendo uma vergonha os meus filhos falando fluentemente o inglês, recebendo os amigos, alguns até se hospedando aqui em casa. E era um desespero porque ficava todo mundo mudo. Eles não falavam português e vice-versa, eu não...
P/1 - (riso)
R - Então fui aprender pra poder ter alguma noção. Pelo menos oferecer café, perguntar se estavam com sono, queriam dormir. Enfim. Foi uma luta. Aliás isso eu devo ao Wellington Júnior, né, porque o inventor dessas coisas. Mas como ambos são, como diz, foram professores de inglês quando você, mais tarde você vai ficar sabendo. Com 16, 17 anos já lecionavam inglês no CCAA.
P/1 - Como você descreveria a educação que recebeu?
R - Eu?
P/1 - É.
R - A minha não, a educação não de escola, educação pessoal?
P/1 - Realizada pelos seus pais. É.
R - Ai, eu acho que melhor impossível. Eu acho que ensinar, dar educação, ensinar o respeito ao ser humano. Amar as coisas boas, ter discernimento do bem e do mal? Eu acho que, e isso não é no banco escolar que se aprende. É em casa mesmo. Então eu acho que foi excelente, não só pra mim como pra minhas irmãs também.
P/1 - E o quê essa educação influenciou na sua personalidade?
R - Eu acho que é justamente isso. Porque você aprendeu a ser assim, e é claro, que se amanhã tiver uma oportunidade de coisa melhor ainda eu vou procurar me aculturar, me aprofundar, aprender, fazer. Mas dentro do contexto, dar um ensinamento de dignidade, de lealdade, de verdade, de respeito, de amor. Eu acho que não existe escola. É em casa mesmo. E isso predomina. Eu posso ter minhas falhas, meus erros, mas de um modo geral no contexto? E eu tentei passar isso pra meus filhos também, dos quais eu tenho muito orgulho. Que eles são assim fora de série pra mim. Toda mãe é coruja, né? Mas eu acho que eles têm um mérito muito grande.
P/1 - Certo. E até que idade você estudou?
R - Ah, eu estudei, quando estava... Quando eu comecei a trabalhar, com 17 anos, foi no ano de 44 foi aí que eu ainda inventei de fazer esse curso propedêutico à noite. Que era Contabilidade. Era um curso que existia na época. A minha escola era ali perto da Ponte das Bandeiras. Era na Voluntários da Pátria, posteriormente mudou pra ali. E, depois disso não. Foram esses cursos assim...
P/1 - E esse curso de Contabilidade te ajudou na sua, no seu trabalho?
R - Não, eu tirei a conclusão que... Olha, se depender de fazer Contabilidade, contar dinheiro, minha filha. Eu não vou sair nunca da lama. Não sirvo pra isso, viu?
P/1 - (riso)
R - Acho que eu não nasci pra ser rica. (riso) Graças a Deus não me falta nada. Mas não faz o meu gênero. Depois tirei a conclusão que não era o meu fraco.
P/1 - Escute, é, você recebeu alguma educação religiosa? E se recebeu, qual o tipo dessa educação?
R - Eu fui criada na religião católica. Freqüentei catecismo. Freqüentei missa. E freqüentava até as procissões. Que hoje é muito raro as pessoas comparecerem. Mas depois de que eu me casei eu mudei um pouco. Abri, vamos dizer, meus horizontes, vamos dizer assim. Mas pro lado espiritual. Que meu marido era que defendia esse lado. E eu me senti bem. Mas eu não sou fanática e não freqüento anda. Mas tenho os meus livros de prece, meus santos padroeiros. Aliás tem uma porção. Você vai ter oportunidade de ver lá em casa. E quando eu tenho um problema, necessidade, eu me apego. Não dou folga pra eles, viu? Porque eu preciso resolver meu problema. Então, e meu pai ensinava que política e religião não se discute. Não caiam nunca nessa besteira. E hoje eu tiro essa conclusão. Haja vista o que estamos vendo aí, né? Passando aí na nossa São Paulo tão querida. Que eu sou tão bairrista por essa terra. E vendo tanta coisa acontecer. E no entanto a gente não pode fazer nada. Pode com voto, mas às vezes nem isso não resolve. Então minha filha, a ordem é ficar pedindo a Deus, que não esqueça dessa terra aqui. Que abençoe esses brasileiros e o mundo todo. Nessa altura eu peço porque a situação é muito grave, muito séria. Mas eu acho que essas previsões já deviam existir. Porque a coisa não acontece por acaso. Eu acho. No meu modo simples de raciocinar. Essa é a conclusão que eu tiro.
P/1 - Você falou em questão de política. Você recebeu uma educação política? Na sua casa se conversava de política ou seu pão participou da revolução?
R - Não. Não.
P/1 - Não? Não tinha essa orientação?
R - Os comentários eram assim. Comentário da hora, do momento. Mas alguma orientação, nunca, nunca. Eu vim conhecer um pouco de política quando eu prestei esse serviço na Casa Civil, durante 9 anos. Então trabalhava, atendia, falava com políticos. Mas era o meu trabalho. Não a política. Então...
P/1 - Certo.
R - Aliás eu tenho uma passagem desse período...
P/1 - Sim?
R - ...que você não me perguntou mas eu vou conhecer. Não sei se eu vou ser... Eu conheci meu marido, ou melhor conheci, foi um telefonema que ele deu pedindo uma audiência com o Governador. E justamente era o setor de trabalho que eu fazia. E ele, isso depois que eu fiquei sabendo. Que ele gostou da minha voz, na época devia ser. Porque hoje é uma voz de velhinha, né? E posteriormente houve uma série de controvérsias, tudo. E quando eles foram recebidos ele passou por lá. Ele o diretor e o presidente, passaram por lá pra agradecer a minha atenção, isso e aquilo. Que eu era secretária do secretário particular. E aí ele me conheceu. Mas eu não tomei conhecimento não, viu? E como meu trabalho, vamos dizer, 80, 90% do movimento eram homens então... Mas durante 3 meses esse homem ficou na minha cola. Telefonando. Fazendo convites pra inauguração de aeroporto, não sei o quê. E um belo dia ele apareceu lá e eu não reconheci. Uma pessoa que ligava pra mim com interesse e eu não reconhecer, foi o maior fora. E eu pra justificar o meu erro, acabei aceitando o convite.
P/1 - (riso)
R - E a partir daí ele quis, na época, casar no período e 3 meses. Foi paixão mesmo. Aí o meu pai disse que não. Disse que não havia necessidade. Você sabe que a época era outra. Que eu tinha que fazer enxoval, aquelas conversas. E aconteceram formaturas das duas irmãs. Então pra não acumular muito foi que a gente marcou no dia 19/1/1957. Foi um casamento, modéstia a parte, muito lindo, muito cerimonioso. Com pessoas importantes. Por causa do trabalho da gente houve um comparecimento. E com um final feliz, vamos dizer assim. Então essa é uma das histórias que eu tenho pra contar. E depois disso vem a história dos filhos que vão crescendo e cada fase de idade é uma novidade. Por exemplo: O Junior quando eu o vi com uns 3, 4. Acho que 3 anos, 4, ele e a Regina faziam maternal numa escola São Bonifácio aqui na Humberto Primo. Posso fumar?
P/1 - Pode.
R - E eram freiras alemãs, maravilhosas. Então eles pequenininhos já aprenderam a cantar, a falar, cumprimentar. Tudo em alemão. E cantar musicas em alemão. E a primeira apresentação que eu vi do Junior no palco, do Joãozinho e Maria verificando se ele estava com o dedinho mais gordinho, eu chorava copiosamente na festa. Porque eu jamais imaginei aquele pedacinho de gente lá, representando. E a Regina Helena, era um vídeo tape do Junior. Então tudo o que ele fazia, ela procurava fazer pra não ficar, ficar em igualdade de condições. E não só essa fase, como depois vem outras, outros eventos como de, da União Cultural. Da viagem que eles fizeram pros Estados Unidos com 9, com 10 e 11 anos. A minha família disse que eu tinha, achou que eu tinha enlouquecido quando eu autorizei a viagem deles com o colégio onde eles estudaram. Que foi o Externato Helvira Brandão. Por sinal um colégio muito tradicional. E quando eles foram disseram: "A Bemvinda enlouqueceu. Onde já se viu deixar duas crianças..?" Foi a melhor coisa que eu fiz. Meu marido e eu fizemos na época. Ali abriu uma cortina, assim, da vida deles. Se interessaram pelo inglês, se interessaram pelas viagens. Eu tenho coisas aí, não só fotos. Coisas assim maravilhosas que eles realizaram longe dos pais. Porque se tivesse os pais juntos, talvez tivesse ali naquela cola: "Não faz isso, não faz aquilo." Eles pintaram e bordaram e voltaram uma graça, viu? Cheio de compras, cheio de novidades. Então, como eu disse, pra mim o que interessa de história é isso. Eu poder contar dos meus filhos. Depois foram crescendo, são fases diferentes. Como a viagem do Junior para os es... Aos 15 anos ele foi selecionado pelas 200 escolas paulista de inglês , aqui em São Paulo, num concurso promovido pela Móbil Oil e junto a uma instituição a 100 milhas de Nova Iorque. Ele tirou primeiro lugar e foi representando o Brasil culturalmente falando. Que preço tem isso pra uma mãe e prum pai? Da vontade da gente sair pulando na rua e dizendo: "Meu filho! Meu filho!" Mas nós estamos cheios de valores. Cada um numa área. Cada um numa coisa. Depois ter a oportunidade de vê-los falando, com uma facilidade tremenda, o inglês fluente. Eu não veio de estrangeiros, de nada, nada, nada. De repente os dois. e hoje eles falam vários outros idiomas. A Regina uma carreira ascendente. A Regina é formada pela Puc, e pela Escola Superior de Propaganda e Marketing. Tem um currículo lindo como publicitária e conhece inúmeros e inúmeros países, sempre a serviço. Inclusive a China. O Junior com esse, primeiro ele foi fazer o curso dele em Nova Iorque. Morou 8 anos lá. Eu chorei muito de saudades desse filho. Nossa, foi um... no início foi um baque. Mas a escola de vida que ele teve, nos bancos escolares não existe.
P/1 - Que cursos que ele foi fazer nos Estados Unidos?
R - Ele foi fazer o curso de ator. Ele sempre gostou de cantar, de dançar, de teatro, de... Enfim ele fez na Anda. Se não me engano Arte Musical e Dramática de Nova Iorque. Foi um aluno esforçado. E depois do curso, que o pai foi assistir a formatura dele, ele resolveu permanecer lá. Conseguiu. Conseguiu Green Card, e ficou. E aí passou a atuar em peças e tudo isso. Fazendo teatro. E foi lá que ele conheceu esse trabalho que ele faz hoje, que aqui tem o nome de Doutores da Alegria.
P/1 - E lá nos Estados Unidos...
R - É.
P/1 - ...como é que se chama?
R - Lá... é... Ih meu Deus. Só consultando.
P/1 - é.
R - Não lembro.
P/1 - Clown, né?
R - É. Esse trabalho junto aos hospitais ele foi fazer e sentiu uma atração. Ele viu que da arte ele poderia fazer algo em favor do ser humano. E ele voltou ao Brasil por causa do estado terminal do pai.
P/1 - Em que ano ele volta para o Brasil?
R - Ele voltou em 91. E foi quando, depois o Wellington, o pai acabou não resistindo e faleceu. E ao invés dele voltar para Nova Iorque e continuar a vida dele normal, ele virou a vida dele no avesso e voltou para o Brasil. Foi aí que ele apareceu pela primeira vez no programada do Amauri Junior contando desse trabalho e que tinha vontade de fazer aqui. Sozinho. Sozinho, ele. Só. E o Amauri, ele foi de terno como um cavalheiro. E lá ele se vestiu de clown e fez um pouco da apresentação. Além disso... Bom, aí começou. Foi aí que começou a história dos Doutores. Hoje eles têm, acho que 23 ou 25 clowns. Trabalha como um danado mas faz o que gosta. Tem amor ao trabalho. Superou os problemas... (Fim da Fita 01)
R - ...aqui no Brasil, que os médicos nos hospitais não aceitavam esse tipo de trabalho. Imagina um palhaço, um clown dentro de um hospital. Porque eles não vão lá pra fazer baderna. Não vão lá... O trabalho deles é muito profundo. E, olha, as histórias que eu já ouvi são emocionantes.
P/1 - Conta mais uma.
R - E ele até está deixando o lado de teatro, deixou um pouco. Ele fez também uma peça que foi muito interessante, muito boa, teve sucesso: Broadway Babies e hoje ele está integrado. Eu só peço a Deus que ele possa, como se diz, concretizar esse trabalho. Eu acho que ele já é um vencedor. Porque além dos inúmeros prêmios já recebidos, até o aplauso da ONU, é muito importante, né? Então eu sou uma mãe coruja. Mas uma mãe coruja assim, intimamente. Porque eu sei que existe outras mães, com outros filhos, com outros valores. Então a gente tem que curtir. Pra mim hoje felicidade é isso: curtir meus filhos. E hoje mais do que nunca. Estou curtindo o meu neto, o Téo. Que é uma joinha, viu? E pelo que eu vejo puxou muito o pai, até na aparência física. E a Mara que esta sendo uma companheirona, Mara Mourão. Que é cineasta, foi premiada, premiada não. Acho que ela foi selecionada aí pra fazer um longa-metragem. Vai trabalhar muito, pelo que eu vejo. Vai fazer esse filme no Rio, já está contando com a colaboração das avós pra dar uma mão aí com o Téo nas viagens, tudo isso. E se eu puder fazer, vou fazer com muito amor, com muita dedicação. E também na expectativa da Regina, né? Porque a torcida agora, tem um neto, precisa ter uma neta, né? Mas ela disse que a programação ainda vai ser pro ano que vem. Então vamos aguardar. Em sínteses a minha vida não tem nada de importante, talvez para os outros. Mas pra mim tem um valor assim muito grande. Depois eles também são queridos pela família, pelos amigos. Têm servido de exemplo pra quanta coisa boa, de trabalho. Então eu acho que sucesso, vitória na vida é isso.
P/1 - Me diz uma coisa, Bemvinda: no início da entrevista, você falou que morou nessa casa lá na Vila Paiva e você só saiu de lá pra se casar, né? Conta um pouquinho da sua juventude. Como era ser jovem naquela época? Você freqüentava bailes, teve muitos namorados? Conta um pouquinho esse período.
R - Olha, eu freqüentei festas. Volta e meia tinha. Mas já era uma dificuldade. Porque saía de táxi era um drama. Sair sozinha não podia. À noite, mais difícil. E eu venho de uma geração que o mais tarde que eu podia chegar em casa, o máximo, eram 9 horas, 21 horas. Então tinha que sair a tarde ou a noitinha. E não era fácil. Eu lembro que uma vez eu fui assistir uma reunião, até de trabalho espiritual, e fui junto com um casal amigo do Wellington. Gente conceituada, gente boa, tudo isso. E não volta, o Wellington tinha um Citroen e na volta quebrou o bendito do carro, lá. Um negócio de, era uma bomba d'água, sei lá o quê. Eu sei dizer que a gente ficou, eu cheguei em casa uma hora da manhã. O papai e a mamãe estavam de pé, claro que passou demais da hora, né? O papai me olhou, ficou quieto. A mamãe fez um sermão, né, porque não era pra menos. Eu disse: '" Mas calma, eu estou junto com o Wellington, junto com o casal. Eles vieram aqui pra me trazer. Está tudo bem." Mas eu venho de uma geração que era, eu não digo ser reprimida, mas não era permitido. Era a própria situação. E namorados eu tive. Não fui tantos, não foram tantos, mas eu poderia ter me casado com um rapaz que gostou demais, demais, e queria casar aos 19 anos.
P/1 - Qual era o nome dele?
R - Ah, eu preferia não falar, vai que algum dia vão ouvir.
P/1 - Tá bom.
R - se bem que eu acho que ele já não existe. Mas era uma pessoa assim maravilhosa, boa. E que a minha, familiares meus torceram muito. Mas eu tirei a conclusão que não era o momento. Depois disso teve outros, mas tudo passatempo. E eu era muito implicada, viu, com namorado.
P/1 - Porque?
R - Às vezes pela maneira de falar, de mastigar, de qualquer coisa eu já...
P/1 - (riso)
R - Então já não ia. Depois é que eu vim conhecer o Wellington, né? Então não tem assim muitos... Tem gente que é muito namoradeira, eu acho que eu não fui não. Tem gente muito mais.
P/1 - Me diz uma coisa: é, naquela época que você conhece o Wellington, qual era a música que mais tocava, que mais te tocou, que trás lembranças?
R - Olha, eu cantava, mas eu não vou lembrar...
P/1 - Só o nome.
R - Eram aquelas músicas: tinha Lupcínio Rodrigues, tinha, era época de Francisco Alves de coisa, Orlando Silva. Mas eu cantava porque eu gostava. Não ficava muito afeita, não sei. Aliás eu quero fazer um adendo aqui na entrevista.
P/1 - Pois não, fica a vontade.
R - Que eu falei da Regina Helena tanto. Hoje ela é casada com o Paulo Sérgio Rotondo, que por sinal é uma, até agora porque é um casamento ainda novo, recente, mas é uma criatura muito simpática. Muito agradável. Está sendo também um companheiro da Regina, e eu queria dizer, porque eu só mencionei a Mara e eu quero bem aos dois. Aliás eu quero ter os meus genros e nora como se fossem filhos. Porque, olha, viver inimizade eu prefiro sumir, viu? Mas voltando ao assunto das músicas... Você lembra de uma musica que era assim: "Não, eu não posso negar que te amei... na, na, narana..." (canta) Ai eu lembro que eu cantava essa música. Adorava. E eu tinha mania mesmo de cantar, viu? Eu lembro que na escola, aquela canção do jornaleiro. Você não conhece, nem sabe, nem lembra. Era... eu tinha uma vizinha que cantava muito fado. Tinha uma voz maravilhosa e eu ouvia e também aprendia. Mas hoje eu já não lembro nada. Hoje eu quero cantar noutra freguesia, viu? P/1 - Tá bom. E fala um pouquinho assim do seu início no mercado de trabalho. Em que ano você começou a trabalhar?
R - Eu comecei a trabalhar em 1947. É uma paulada de tempo, viu?
P/1 - E qual foi o seu primeiro emprego e o quê você fazia?
R - Então, eu entrei como auxiliar de escritório na Diretoria de Ensino Agrícola, que é uma, era, não sei se existe ainda. Era na Secretaria da Agricultura. E essa Diretoria congregava o estudo das escolas práticas de agricultura na época. E foi um trabalho assim, na época da Secretaria, muito bonito, muito bom. Posteriormente foi quando eu fui pra Casa Civil. Depois eu pedi minha saída, minha, meu desligamento de lá. Porque foi justamente quando o Junior sofreu um problema de saúde muito sério, muito grave e eu para a recuperação dele, pra poder tomar ar, tomar sol, ficar mais a vontade e eu trabalhava foi quando a gente foi morar na Vila Mariana e eu fui trabalhar no Instituto Biológico. Lá eu chefiei o setor de pessoal acho que por 5 anos. Posteriormente eu recebi um convite pra trabalhar na Secretaria de Turismo. E aí eu encerrei meu, a minha carreira.
P/1 - Você se lembra o ano que parou de trabalhar?
R - Eu acho que foi 72.
P/1 - Certo. E você parou por que motivo?
R - Pela aposentadoria. Trabalhei 30 anos. As minhas licenças foram pela nascimento dos meus filhos e uma, acho que uma ou duas por motivos de saúde. Mas coisa assim... Agora com os meus filhos eu tive surpresa com esse negócio de saúde. Com o meu marido que foi um cardíaco inveterado. Problemas sérios. Carreguei-os. Mas olha eu fiz tudo isso... Não sei, parece que eu estava numa, eu procurava resolver os problemas e sair deles com luta, com garra. Até vou dizer, me sacrificando, mas eu nunca reclamei, nunca lamentei. Nunca, não sei, aquela coisa vinha, acontecia e me esbaldava e acabava saindo. Então eu acho que essas coisas todas que acontecem na vida da gente são ensinamentos. São maneiras da gente saber discernir as coisas. E hoje eu vejo, trabalho como voluntária nessas associações e vejo que com tudo isso que eu passei, que foi uma barra pesada porque afinal de contas quando a gente não tem o marido é a gente que tem que assumir. Então não é fácil. Mas a gente sai. Eu sempre digo que a gente tendo saúde, faltar dinheiro, faltar comida, faltar isso, aquilo, a gente supera. Agora a saúde, é um negócio muito sério. Você tendo saúde você vai a luta.
P/1 - É.
R - Saúde e boa vontade, claro. Então.
P/1 - E me diz uma coisa Bemvinda...
R - E olha, eu gostaria de falar,
P/1 - Pois não. R - porque se eu estou falando tudo isso, com essa idade, com tudo isso, você registra aí: que com esses 73 anos, 1,57m, agora que eu estou com os meus pneuzinhos aparecendo, chego aos 60 quilos.
P/1 - (risos)
R - Não sou nenhuma balofa. Nenhuma... como é que diz? Baleia não.
P/1 - (risos) Não. Você é muito elegante.
R - Ainda estou na minha fase ainda de... Não sou super vaidosa, não sou perua, mas gosto de... Ainda tenho vida.
P/1 - Você colocou pra gente essa importante convivência com seu marido, e também, colocou que você namorou durante 3 meses e aí já se casou, né? Conta um pouco... R- Não, não cheguei a casar.
P/1 - Não? Não deixou?
R - O meu pai deixou, ele não concordou. Ele achou que era um absurdo. Que não havia necessidade.
P/1 - E aí você namorou quanto tempo?
R - Aí a gente, vê, você veja como as coisas acontecem. O Wellington foi, ainda como solteiro, foi o filho que o meu pai não teve. Porque meu pai, um homem super saudável, super bem, ele fez uma viagem, eu não sei o que é que houve com ele, com os rins, com isso e aquilo, ele sofreu. Teve que passar por uma cirurgia e ficou internado 31 dias. E o Wellington ia diariamente ao hospital visitá-lo, levar o jornal. E aquilo conquistou o meu pai. Meu pai tinha paixão por ele. Por isso que eu digo, a gente fala de genro, de nora, tudo depende do contexto dos acontecimentos. E ele, e vice-versa. Tanto que o Wellington sempre falava: "Eu gosto desse Motta. Eu adoro ele." Não sei o quê. Então era uma, era um membro a mais da família. E ele era uma pessoa assim muito pronta pra servir, pra ajudar. Deixava a gente pronta pra uma festa, um casamento, pra atender um caso de necessidade. É um temperamento assim. Não estou falando isso pra elogiar não, porque todo mundo tem qualidades e também tem defeitos. Mas de um modo geral, eu sempre falo que eu tive quatro filhos. Os meus dois filhos juntavam com o Wellington era mais um filho. Porque era bagunça, era brincadeiras, e mais a Nilza. Que eu faço questão de mencionar. A Nilza é uma criaturinha que veio com 9 anos para a minha casa, pra brincar com o Junior que ia nascer. Veio lá de Passos. Era filho, era filha de um, sabe essas pessoas, esses empregados da fazenda, de confiança? E ela não tinha mãe. Tinha o pai e um mundo de irmãs. Então ela veio mas sem conhecer nada daqui, sem ter noção. E pequenininha. As coisas dela, o vestido, o sapato veio tudo numa caixa de sapato. O vestidinho eu tenho guardado até hoje, porque ela não acredita. Essa menina ficou com a gente, está até hoje, mas eu, quando ela foi.... Então ela foi criada com meus filhos, e com isso foi ajudando até a tomar conta. E de vez em quando a bagunça era dos quatro. O Wellington tinha o hábito de sair e o primeiro pipoqueiro que encontrava ele já comprava. Passava na pastelaria, comprava. Era assim, não tinha cerimônia, de, às vezes era tão exigente em certos comportamentos. Iam tomar sorvete, então tudo isso é uma coisa que, era uma farra pra eles. E eu quero registrar que a Nilza, eu proporcionei que ela estudasse no Colégio Cristo Rei, fizesse a viagem dela de formatura. E posteriormente ela sendo maior poderia não ficar mais em casa. E ela ficou, sempre recebendo os seus direitos. E agora, depois da morte do Wellington ela casou, nós fizemos o casamento dela, com direito a festa, a convidar a família pra assistir. E então ela é, a gente fala, brinca assim que ela é uma Mãe Dolores. Mas é uma pessoa que a gente quer muito bem. Eu tenho como filha. E ela também sempre foi muito boa. E casou com um homem muito direito, trabalhador, correto. Então o contexto da minha família gira nisso. Nas minhas irmãs, na Nilza que hoje eu considero um membro da família. E essas amizades que a gente tem. Por exemplo da ANAC, 25 anos de trabalho, 26 anos de trabalho, a gente tem amizades.
P/1 - Certo. antes da gente entrar no seu trabalho de voluntariado, eu gostaria que a senhora contasse um pouquinho assim como é que foi esse período, pré, pós casamento. Como é que, conta um pouquinho como é que foi realizado o seu casamento, os preparativos, como é que foi isso.
R - Os preparativos foram feitos praticamente por mim mesma. Eu trabalhava, não sei, eu me esbaldava. Haja vista que meus filhos já eram adolescentes eu pesava 47 quilos, né? Então era magérrima, elegante, mas bem magrinha. E cuidei de tudo. A Ruth sempre costurou muito bem e ela fez os três vestidos de casamento foram feitos por ela. Pra nós. Cada casamento. E os preparativos foram assim, dentro do contexto de tanta gente que a gente considerava importante mas era uma coisa simples. Porque eu não me sentia assim envaidecida porque assim... Meu casamento foi feito pelo Arce..., acho que Bispo ou Arcebispo Dom Paulo Rolim Loureiro. Que você deve conhecer. (pausa)
P/1 - Você disse que você e a sua irmã estavam cuidando dos preparativos do casamento a sua irmã costurava muito bem, né?
R - É. E a cerimônia foi na igreja, na matriz de Santana e depois o bolo...
P/1 - E foi celebrada por um bispo, né?