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| Minha mãe fazia muita
festa em casa. No salão grande eram
aquelas tábuas bem largas, o chão
era lavado e punham vela para escorregar na
hora de dançar. A minha mãe
tocava, a namorada do meu primo também.
Mas a festa mesmo eu nunca via, porque criança
e cachorro iam para casa da vovó. Daria
Camargo |
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A minha infância foi uma coisa maravilhosa.
Como não existia televisão,
nas noites de calor a gente levava as cadeiras
para a porta. As crianças ficavam
brincando e os mais velhos olhando. Maria
Antonia Lubraico Figueiredo
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| Fiz um pouco de tudo, fui baleiro, engraxate...
Tinha um campo da Portuguesa de Desportos,
ali na Cesário Ramalho, com um trecho
sem asfalto. A gente torcia para nos dias
de jogo chover. Os associados tinham que fazer
um caminho pela lama. Aí, nós
ficávamos dentro do rio, pedindo para
os torcedores colocarem os pés, que
a gente lavava. José
Rodolfo Neubauer |
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| Naquela época, em 1932, morando onde
eu morei, em Jaboatão, uma criança
dificilmente podia passar um dia inteiro sem
comer. Podia passar até um mês
sem feijão, sem carne, mas não
sem comer. Porque havia manga, jaca, banana.
Havia ovos de galinhas andarilhas que punham
pelo quintal dos outros, que punham no mundo.
O terreno era o mundo, e eu era um menino
do mundo. Paulo
Freire |
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| No colégio, havia concurso para pular
corda. O prêmio era um santinho de papel
e um bombom, naquele tempo chamado de confeito.
Quando eu estava no 400, tocou a campainha.
Cabou-se o recreio. Aí corre para fazer
fila para entrar na classe. Antes de começar
a aula, a gente ajoelhava e rezava. Aí
me senti mal e desmaiei. Depois da oração,
a freira veio me ver. Aí ela baixou
minha nota. Ganhei o santo, o confeito e a
nota baixa. Hércia
Marinho Silva |
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| Meu pai morreu eu tinha 10
anos. Com cinco, eu já tinha um enxadinha do meu
tamanho. Lá ninguém se criou brincando,
não. Anarinho
José dos Santos |
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