Henrietta Kabbach Weatherby nasceu em 1924 em São Paulo, mas no início da adolescência se mudou com a família para a cidade de Santos, litoral paulista. Ali, ela descobriu os prazeres da praia e criou com as amigas um clube muito especial. Conheça as origens do Clube do Piquenique nesta história, de 2005.
Quando eu cheguei à Santos, eu me lembro que eu achava tudo interessante, tudo novidade para mim, mas quando nós fomos pela primeira vez à praia, aquilo foi uma maravilha. Foi muito gostoso, a gente não via a hora de entrar na água. Eu sempre gostei muito de nadar, todos nós gostamos. Então, fazia de tudo para papai levar a gente passear no domingo na praia. Ficávamos o dia inteiro. Ele falava: "Vocês façam tudo direitinho que terão o passeio que quiserem". Nós íamos para São Vicente, Guarujá, Bertioga.
Por causa disso, fizemos um grupo de amizade, depois de mocinhas, e acabamos fazendo um clube de praia, o Clube do Piquenique. Fazíamos passeios. Todo mês era um passeio diferente: Guarujá, Bertioga, Peruíbe, Itanhaém...
Pegávamos o trem na Sorocabana às 6h da manhã, de tarde voltávamos, às 6h. Era muito bom porque conhecíamos todas as praias.
Aí saiu a ideia de fazer um clube numa barraca na praia. As reuniões eram na casa de papai, ele incentivava e ajudava. Para o dia da inauguração, fizemos todas as comidas sírias: quibe, esfiha, tabule... Levamos para a praia. Já tínhamos comprado a barraca, e ali foi feita a inauguração.
Participavam todos os nossos amigos, inclusive Esmeraldo Tarquínio [político santista], que era amicíssimo de meus irmãos. Ele incentivava muito, porque cantava bem. A gente se reunia e ele cantava, realmente era uma criatura excelente.
Cada um levava sua sacolinha de comida, às vezes a gente pegava um restaurante, pedia para sentar na mesa para poder beber, a gente pagava a bebida e ele emprestava a mesa. colocávamos a comida na mesa e cada um comia a comida do outro. As viagens que a gente fazia eram risada do começo ao fim.
As praias eram mais desertas e queríamos mesmo conhecer as praias. Tinha gente que tinha medo de andar de barca para ir de uma praia a outra, então a gente atravessava a linha do trem, pegando na mão uma da outra. Era um grupo grande, parecia uma família só.
A sede do Clube do Piquenique era a casa de meu pai. As reuniões eram todas feitas lá e na barraca de praia, no canal 2. A barraca continuou, acho que ainda existe na praia, é que cada um de nós tomou um rumo, um casou, outro mudou. Todos os rapazes que eram de nosso grupo foram se dispersando...
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Grupos de amigos são inesquecíveis. Alguns têm um nome especial, outros, um esconderijo secreto, alguns até se tornam famosos... Registe no Museu da Pessoa as histórias de suas amizades de adolecência. É só escrever seu relato.
Todos somos protagonistas da História com nossas reflexões, sorrisos, ações, sentimentos e visões de mundo.
O Museu da Pessoa reúne em seu acervo milhares de depoimentos que revelam como a História se constrói na vida cotidiana. A cada dia vamos destacar um relato diferente.
