Este é um trecho da história de Makaulaka Mehinako colhida durante a Oficina de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, no IEL/UNICAMP, no início de setembro de 2008.
Em sua entrevista Makaulaka nos conta sobre as brincadeiras de sua infância, quando construia brinquedos que imitavam os objetos do homem branco, tinha a criatividade como principal personagem. Ele sente que hoje, com a chegada dos brinquedos industrializados, as crianças das aldeias não tem tanto o hábito de criar suas próprias brincadeiras e ressente isso.
Ele se lembra de imaginar como o mundo do homem branco era e conta sobre a primeira vez que foi para a cidade. Na época, o centro urbano era de difícil acesso, não havia carros, barcos a motor; eram dias e dias de viagem de canoa. Ele lembra da mistura de excitação e medo de conhecer a cidade. Conta da dificuldade que teve com a língua portuguesa no início e como isso o instigou a aprender o idioma. Tanto se empenhou que aprendeu o português e depois estudou para ser professor indígena. Fez um curso para professor dentro do parque do Xingu, depois cursou a faculdade e agora anseia pelo mestrado.
Makaulaka é professor em sua aldeia e sonha que outros sigam seus passos e também se dediquem à sua comunidade. Ele gostaria de poder defender a causa indígena fora da aldeia, representar seu povo, mas entende que seu trabalho atual é importante na aldeia e não pode acabar.
Makaulaka nos conta um pouco da sua trajetória de estudos que o levou a ser um professor indígena. Ele fala também da sua relação com as línguas que aprendeu com os pais, o Mehinako e o Awiti, além do português, que aprendeu só mais tarde. O desafio de se comunicar com o outro levou Makaulaka a aprender o português - mas ele nunca deixou de valorizar sua cultura original.
Saiba mais sobre o Mehinako aqui