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FAQ
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1. Como surgiu a ideia de criar um museu de histórias das pessoas?
Na década de 1980, a historiadora Karen Worcman começou a trabalhar com história oral quando ainda estudava História, no Rio de Janeiro. Ao fazer alguns trabalhos – primeiro sobre o fotógrafo José Medeiros, depois sobre a imigração de judeus para o Rio de Janeiro –, começou a se questionar sobre a função social das histórias de vida e começou a idealizar a existência de um espaço onde essas histórias pudessem ser preservadas, um museu que não fosse dedicado a objetos ou fatos, mas às histórias das pessoas. Em 1991, quando ela se mudou para São Paulo, trabalhando com a exposição sobre os imigrantes judeus, era sempre questionada sobre como uma exposição de histórias de vida de anônimos poderia atrair alguém. Naquele momento, se juntou a um grupo de fundadores que começou a pensar na criação do Museu da Pessoa e que características ele deveria ter, já que não havia nenhum modelo a seguir. Nesse momento, a proposta era balizada pelas ideias de que “uma história pode mudar seu jeito de ver o mundo” e pelo objetivo de construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social, democratizando e ampliando a participação dos indivíduos na construção da memória social.
2. O que diferencia o Museu da Pessoa de um museu convencional?
São várias as diferenças. A primeira delas é que no Museu da Pessoa, todos, anônimos ou famosos, podem fazer parte do acervo, contado sua história, mas também podem ser visitantes, explorando as histórias registradas e curadores, criando recortes do acervo de acordo com seus interesses temáticos, estéticos, culturais. O trabalho museológico do Museu da Pessoa consiste em preservar e disseminar esse conteúdo, sistematizando-o, organizando-o e tornando-o acessível a pessoas, pesquisadores e instituições que possam fazer uso de seu conteúdo. Além disso, trata-se de um museu que já nasceu virtual, com a consciência de que seu acervo, por ser constituído de textos, imagens, arquivos de áudio e de vídeo, não está restrito a um espaço físico, mas pode circular por diversas mídias. Essa consciência surgiu antes mesmo da popularização da internet no Brasil. As primeiras exposições do acervo do Museu da Pessoa eram feitas em CD-ROMs, que podiam ser vistos fora do espaço do museu, em escolas, instituições ou em casa. Com o advento da internet, essa cadeia foi aberta e qualquer pessoa que tenha acesso a um computador conectado pode registrar sua história, visitar o acervo e ainda criar recortes desse acervo, selecionando histórias, coleções e disseminando o acervo em seus próprios sites ou blogs. 
Outra diferença importante é que o Museu da Pessoa já nasceu da percepção de que a história de cada um de nós tem valor e deve ser parte da História de nossa sociedade e de que ouvir o outro é o primeiro passo para as mudanças sociais. Hoje, mais do que nunca, percebemos que nossa missão é contribuir para promover a paz e a transformação social, seja por meio de nossa atuação em escolas, empresas ou instituições e grupos diversos, seja colaborando para ampliar as possibilidades de todos compartilharem suas histórias.  Ainda há muito por fazer, mas quando sabemos qual é nosso papel na vida, ela adquire um sentido mais profundo.
3. Como foi possível consolidar e dar viabilidade ao projeto em seus momentos iniciais?
Por meio do desenvolvimento de projetos que utilizavam a metodologia de história oral para o desenvolvimento de histórias de empresas e instituições variadas.
4. Qual a importância desse acervo dentro do contexto histórico?
O Museu da Pessoa acredita que a importância de sua atuação está na integração de indivíduos e distintos grupos sociais por meio da produção e conhecimento de suas experiências, atuando para romper o isolamento e impulsionar processos fundamentais para mudar relações sociais, políticas e econômicas.
Atualmente, o contexto mundial é marcado por um avanço tecnológico crescente, que deu à comunicação virtual um papel fundamental nas relações humanas, em que o papel do indivíduo na produção e disseminação da informação é decisivo. Soma-se a isso o crescimento econômico do país, o aumento do consumo de entretenimento doméstico, a crescente inclusão digital e a explosão das redes sociais. O indivíduo está no centro de tudo e milhões de informações são produzidas e disseminadas todos os dias. Ao mesmo tempo, persiste a invisibilidade social e a fragmentação das informações. São milhões de pessoas falando – mas quem as ouve? 
Além de todos estes fatores, também existe uma perspectiva positiva no que diz respeito à necessidade de preservamos a memória como forma de entendermos quem somos. Portanto, a preservação das identidades culturais, em contraposição à globalização, nos impõe como desafio preservar espaços como o do Museu da Pessoa, de escuta, diálogo, preservação e comunicação das memórias de pessoas, grupos e comunidades. Acreditamos, então, que esta seja a nossa missão para com a sociedade: disponibilizar um espaço em que toda e qualquer pessoas possa ter sua história de vida preservada e que outras pessoas possam escutar e valorizar essa vivência. 
5. Quais critérios norteiam a escolha dos personagens que gravam suas histórias?
Qualquer pessoa pode registrar sua história de vida no estúdio do Museu da Pessoa. Algumas pessoas chegam voluntariamente, outras são indicadas por quem conhece o museu e outras, ainda, fazem parte de grupos que realizam trabalhos com a instituição. Os pesquisadores do Museu da Pessoa são formados para auxiliar o entrevistado a organizar suas lembranças em uma narrativa própria. Temos todo um rito, um método em que o que interessa é aquilo que a pessoa oferece ao contar sua história, como ela vê o mundo ou como ela quer que o mundo seja visto.Trata-se de uma entrevista fluida e descontraída na qual o entrevistado é convidado a relembrar sua trajetória de vida e suas vivências pessoais sem se preocupar em narrar uma verdade histórica absoluta. É fundamental que o entrevistado entenda o propósito da entrevista e tenha vontade de registrar sua história e dividi-la com o público.
6. Quais as principais linhas de ação do museu?
Hoje, o Museu da Pessoa atua em várias frentes. Mantém um Acervo de cerca de 15 mil histórias de vida e milhares de imagens, e seu objetivo é manter esse acervo preservado e disponível para todos os interessados. Outra linha de ação é o Portal, que se constitui como o principal canal de consulta e divulgação das histórias e criação de uma rede de pessoas interessadas em contar, registrar, conhecer, divulgar e compartilhar histórias de vida. Na linha de ação denominada Conte sua história colocamos à disposição do público um espaço expositivo e um estúdio aberto para as pessoas que desejem fazer parte de nosso ritual e gravar sua história de vida. Atuamos também na área de Memória Institucional, realizando pesquisa, preservação e disseminação de memórias de instituições, comunidades, grupos, escolas e cidades. Além disso, temos uma linha de ação voltada para a Disseminação de conceitos, com foco na disseminação da metodologia de memória do Museu da Pessoa, capacitação de educadores e mediadores de escolas, comunidades e instituições.
7. Quais os principais produtos que se originam e se concretizam a partir do acervo do museu?
O acervo é composto pelo conjunto de narrativas de pessoas, além de fotos e documentos que estas consideram significativos em sua história. 
Pela natureza de nosso acervo, é possível explorar esse conteúdo de diversas maneiras. Por exemplo, numa mesma entrevista existem relatos com conteúdos históricos sobre  uma cidade, uma guerra, um importante evento do futebol, etc. O acervo é organizado em uma base de dados que permite realizar o mapeamento dos depoimentos por idade, sexo, região, etc. Este é o pontapé inicial para conseguirmos entender o que temos explorar o conteúdo em livros, exposições, programas de rádio e TV, blogs, documentários e vídeos. Esse conteúdo pode ser disseminado por diversas mídias e também fica disponível a pesquisadores e interessados que queiram explorá-lo de acordo com seus temas e abordagens de interesse.
8. Como esse material é distribuído e divulgado?
As histórias são digitalizadas, catalogadas e  ficam disponíveis no portal do Museu da Pessoa e na reserva técnica do acervo. Além disso, a pessoa que colaborar contando sua história recebe um DVD com a gravação. Também demos início a uma política de distribuição deste conteúdo, com o objetivo de democratizar o acervo e torná-lo público por meio de parcerias com alguns veículos de comunicação. Dentre eles, destaca-se a Rádio CBN com o programa Conte Sua História de São Paulo, do jornalista Milton Jung.
9. Como é realizada a manutenção do acervo?
O Museu da Pessoa conta com uma equipe especializada na gestão do acervo, que atende à política institucional. As atividades seguem os parâmetros museológicos. Para que o uso e apreciação do acervo sejam garantidos no futuro, é crucial que ele receba um cuidado apropriado. O museu conta com uma reserva técnica com controle e monitoramento ambiental, além de desenvolver ações de digitalização do acervo para preservação e disponibilização ao público, incluindo a catalogação e organização em uma base de dados. Desta forma, são ampliadas as condições técnicas para que o acesso ao acervo e serviços como manuseio e utilização sejam intensificados com o atendimento para pesquisadores, curadores, produtores culturais, estudantes e público em geral. Hoje contamos com 14 mil histórias de vida e 72 mil fotos e documentos digitalizados. Saiba mais sobre nosso acervo
10. As pessoas voltam para regravar as suas histórias ou dar continuidade a elas?
Em média,  uma entrevista de história de vida dura de duas a três horas. Existem alguns depoentes que conseguem concluir sua narrativa neste período, mas também temos casos de pessoas que tiveram que voltar em outro dia para continuar a gravação de sua história, de tanta coisa bacana que tinham para compartilhar. Isso é muito comum. No caso de regravar a história, é muito mais difícil, porque acaba perdendo toda a espontaneidade e sentido do trabalho do Museu da Pessoa. Pode até acontecer, mas em casos extremamente específicos. 
11. Quais ações educativas ou trabalhos de formação que o museu realiza junto a comunidades, grupos e escolas?
Temos uma área no Museu da Pessoa intitulada de “Disseminação do Conceito”. Esta equipe é responsável por replicar a metodologia sistematizada pelo museu junto a grupos, pessoas, instituições e escolas. Nossa grande contribuição na área da educação é com o projeto “Memória Local na Escola”. Nele, incentivamos os alunos a terem um contato mais próximo com as pessoas da cidade em que vivem, com o objetivo de estreitar as relações humanas na comunidade. Sua proposta é aproximar comunidades e escolas a partir do registro do relato de moradores desta comunidade, para juntas refletirem sobre suas histórias. Desse modo, o trabalho com memória oral permite mobilizar a comunidade envolvida, na medida em que valoriza a vivência pessoal de seus integrantes. Estimula, ainda, a conscientização da comunidade para a importância da participação de cada um na construção desta história. A percepção coletiva de que o cidadão pode ser agente de sua própria história proporciona uma revisão dos valores vigentes e possibilita a transformação social de forma responsável e participativa. Por meio de nossa metodologia, é possível ampliar o desenvolvimento dos estudantes nas áreas de escrita e oralidade, articulando os conceitos propostos pelo projeto à realidade pedagógica da sala de aula.
12. Quantos profissionais trabalham no museu? Desse total, quantos estão envolvidos diretamente no trabalho de pesquisa?
São cerca de 20 profissionais fixos envolvidos na coordenação de projetos, gestão administrativa, sustentabilidade e comunicação. Soma-se a este número cerca de 20 a 30 profissionais que prestam serviços para projetos de memória institucional e formação metodológica. Ou seja,  cerca de 40 a 50 pessoas estão envolvidas  nas atividades do Museu da Pessoa. Desse total, temos hoje praticamente a metade envolvida diretamente no trabalho de pesquisa.
13. O Museu é aberto para visitas? Qual a estrutura e as principais atrações que o museu oferece? O que o visitante encontrará?
O Museu da Pessoa, além de ser virtual, atualmente funciona em uma casa localizada na Vila Madalena, em São Paulo, e é aberto à visitação de pessoas, grupos e instituições que queiram conhecer mais sobre a metodologia de memória oral, pesquisar o acervo de histórias de vida ou diversos materiais produzidos pela organização (livros, CD’s, DVD’s etc). Além disso, é possível agendar uma entrevista de história de vida. A entrevista é gravada em vídeo e fará parte do acervo do Museu da Pessoa. O processo é gratuito e o entrevistado recebe uma cópia de seu depoimento.
14. Existem projetos de intercâmbio com outras instituições? Como isso é feito?
Atualmente, o Museu da Pessoa tem diversas ações em parceria com escolas, empresas, comunidades e órgãos públicos. Realizamos, por exemplo, acordos com instituições e centros de memória para mantermos cópias de seus depoimentos de história de vida, como é o caso do projeto Memória Votorantim. Temos um Fórum Permanente de Conhecimento, Comunicação e Memória, em parceria com as instituições ECA-USP, Aberje e Memória Votorantim. 
Também temos uma parceria com Center for Digital Storytelling (CDS) para organizar anualmente ações do Dia Internacional de Histórias de Vida, comemorado em 16 de maio. Trata-se de uma mobilização internacional de organizações em prol da importância do ato de contar, ouvir e preservar as histórias de vida.
Ainda no sentido de ampliar a sensibilização para a importância das histórias de vida e a disseminação de metodologias de registro de memória, realizamos entre 2005 e 2010 o projeto Brasil Memória em Rede, que envolveu a articulação direta de 100 organizações de todo país para transformar a memória em ferramenta de desenvolvimento social e cultural. Com o objetivo de identificar, promover e democratizar o uso e a prática da memória como forma de dar visibilidade e fortalecer a diversidade cultural e histórica do país, o Brasil Memória em Rede formou várias organizações na metodologia de memória do Museu da Pessoa, para que elas pudessem trabalhar conceitos de memória e histórias de vida em suas próprias comunidades.
Também temos os outros núcleos de Museu da Pessoa em Portugal, Canadá e EUA, que utilizam nossa metodologia, sendo porém espaços autônomos. 
15. Existe um perfil das pessoas/profissionais que buscam o museu para realizar pesquisas?
Sim. Temos muita procura do público acadêmico – docentes, pesquisadores, estudantes em geral, interessados em encontrar fontes para pesquisas. 
Além disso, existe um forte perfil de pessoas da área de comunicação, em especial, jornalistas, roteiristas e produtores em busca de boas histórias e personagens inspiradores.  Também somos procurados por  editoras  que necessitam de conteúdo complementar para materiais didáticos e por empresas que buscam subsídios para pesquisas em seus segmentos de atuação.
16. Quais as fontes de financiamento que garantem o funcionamento do Museu?
Somos uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Temos várias fontes de receita, que vão do apoio ao patrocínio, além de parcerias e projetos com outras organizações e empresas.  Empresas Participamos de projetos em parceria com instituições e empresas, Realizamos projetos institucionais, em que as empresas nos contratam para que escrevamos sua história do ponto de vista das pessoas que lá trabalham, do presidente ao faxineiro. Além disso, existem alguns mecanismos de dedução de impostos como Lei Rouanet e ProAC, que facilitam o patrocínio a nossos projetos culturais. (Para conhecer as empresas que patrocinam e apoiam as ações do Museu da Pessoa entre em contato pelo telefone 11 2144-7167 ou escreva para parcerias@museudapessoa.net.
Todos os direitos reservados. Museu da Pessoa - Rua Natingui, 1100 • São Paulo - SP | +55 11 2144.7150 • fax: +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net