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Histórias inéditas |
Audálio Dantas
Audálio Dantas nasceu em Tanque D'Arca, Alagoas, em 1929. Em 1936, veio para São Paulo com a família, onde começou os seus estudos. Formado em Jornalismo, começou sua carreira no jornal "A Folha de São Paulo". Foi redator-chefe de "O Cruzeiro", "Realidade", "Quatro Rodas", entre outras. Em 1975, no ano da morte de Herzog, era o presidente do Sindicato de Jornalistas de São Paulo.
"A imagem mais apropriada para descrever o sentimento, não apenas meu, mas de todos nós, é que estávamos no fio da navalha, no olho do furacão. Nessa semana, acho que fomos duas vezes chamados ao Segundo Exército.
No dia do sepultamento, à tarde, decidimos ir ao sindicato, às sete horas. Em função disso recebi um telefonema do Segundo Exército, de um oficial cujo nome não me lembro agora, dizendo o seguinte: que o meu discurso no sepultamento tinha sido considerado muito perigoso e havia uma grande preocupação em relação à assembléia da noite e que em função disso nós estávamos sendo convocados para o Segundo Exército mais uma vez. O meu discurso tinha sido apenas uma introdução e a recitação dos versos do Castro Alves, do Navio Negreiro, que diz "Senhor Deus dos desgraçados". E isso foi considerado um incitamento, sei lá, à subversão.
Chegando lá, no sindicato, às cinco horas da tarde, já não tinha espaço. Gente nos corredores, no auditório, nas escadarias. Os jornalistas e outras categorias estavam lá presentes. E aí, às seis horas, tivemos que ir ao Segundo Exército, a diretoria, não toda, mas os que estavam lá.
Antes éramos chamados pelo comandante. Mas dessa vez foi pelo general Ferreira Marques, que era chefe estadual do Segundo Exército, o general Ariel da Fonseca e o coronel Paes, que era o homem da Segunda Seção da Inteligência. Eles exibiram as fotos do Wlado morto, cadáver, já com sinais da autópsia, aquela foto que se tornou um símbolo do Vlado enforcado, com as pernas dobradas. Naquele momento foi um choque muito grande ver essas fotos e ao mesmo tempo reforçou nossa convicção de que não tinha sido um suicídio. E o general Ferreira Marques, que era um homem muito nervoso, um homem neurastênico mesmo, disse: -Aí estão as provas! Estão as provas!. Que provas? Pra nós, não era."
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