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Histórias inéditas |
José Vidal Pola Galé
Pola Galé, filho de espanhóis, nasceu
em 06 de dezembro de 1952, em Marília. É formado em
jornalismo pela Universidade de São Paulo, na qual conheceu
Herzog, seu professor.
"Minha prisão deve-se mais à atividade
na universidade do que no meio jornalístico. Era 75, eu tava
no terceiro ano da ECA. Fiquei numa cela com outros dois jornalistas,
o Frederico Pessoa e o Luiz Paulo. Eu me lembro que o Luiz Paulo
tinha um problema na coluna, ele levou tanta pancada que ele ficou
inerte no chão. Então ele precisava ser ajudado com
tudo. E a gente ficava conversando baixinho, porque se subisse um
pouco a voz eles iam lá e reprimiam. Eram dias intermináveis.
Chegava o café da manhã, que era um
café, uma rodela de pão sem nada e água. E
no almoço também um prato, um prato plástico,
tudo junto ali. E a gente comia. E a gente conversou que era bom
se exercitar, fazer ginástica. Enfim, criar alguma atividade.
A cela era uma coisa pequena, um colchão no chão,
aquela latrina portuguesa, que é no chão, sem porta,
sem nada. E a grade. O quartinho devia ter dois metros por três
metros. Ficávamos lá. Só o colchão,
sem lençóis...
Num determinado dia: - Vocês vão embora.
Nos levaram para um lugar para pegar as coisas, botar a roupa, sapato...
Devolveram o relógio. Aí foi juntando todo mundo,
todo mundo se reviu. Todo mundo pegou as coisas e foi num camburão
desses grandes. Tudo fechado, ele tinha um negócio assim
que você não vê a rua de dentro do camburão.
Antes disso, teve um momento que todos nos juntamos
para escrever. Tinha que ter um relatório de próprio
punho. Eu fiquei sabendo da morte do Herzog nesse reencontro. Depois
a gente foi pro DOPS. E eu fiquei lá mais uns dois, três
dias.
A sensação de ir pro DOPS era a melhor
possível, porque você saia, você deixava de ser
um desaparecido pra ser um preso. Ou seja, você já
estava sob a responsabilidade do Estado. Porque no DOI-CODI você
não estava sobre a responsabilidade de ninguém, institucionalmente
não existia aquilo. Então, a ida pro DOPS era um alívio
pra todos nós."
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