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Eu vim para São Paulo porque tinha um irmão aqui, que era casado e gostava muito de mim. Ele tinha interesse de ver eu progredir, ser alguém na vida, estudar. E mandou me buscar. Só que mandou chamar e não mandou a passagem. Eu vim para São Paulo num caminhão pau-de-arara que era do meu tio. Demorou 25 dias, de lá até aqui. A convite desse meu irmão, fui morar com ele, no comecinho de fevereiro de 1948. Demorou muito porque na época a estrada era de terra, de lá até aqui. Imagine uma média de 3 mil quilômetros de estrada de terra, totalmente acidentada. E era início do ano, época que estava chovendo muito. No Estado de Minas chovia demais. Até que nós chegamos próximo à Medina, em Minas, a uns 6 quilômetros da cidade. Mas o pessoal que vinha no caminhão estava com muito medo de acidente. E realmente a estrada era perigosa. Aí desceu um grupo. Vieram a pé até Medina. O resto ficou no caminhão. E depois o caminhão veio. Vinha devagarinho e tal. A estrada era horrível! Num determinado trecho, tinha chovido muito e o caminhão despencou num abismo e rolou. Deu três tombos. Eu vi tudo perfeitamente, que nem uma fita de cinema. Eu lembro até hoje de tudo, tudo. Eu estava na carroceria do caminhão. Arrebentou tudo. Caiu uma mala na minha cabeça. Morreram três pessoas, uma moça e dois cidadãos. Uma coisa horrível! Um teve a cabeça esmagada, acho que um palmo e pouco próximo da minha cabeça. Quando eu olhei, era miolos para todo lado. Saí que nem um rojão, porque o primeiro que levantou do chão fui eu. Corri para a estrada para pedir socorro e aí vi um levantando, outro levantando. Falei: 'Bom, tem mais gente viva'. Levaram os feridos para o hospital da cidade. Ficamos lá mais de uma semana, parados, por causa desse acidente.r.
José Duda Costa
Cavalo, navio e trem
No pau-de-arara
Paulista é gente boa
O Rio dos ladrões
O eldorado brasileiro
15 dias num navio
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