12.01.2007
COMO LUIZ GONZAGA MUDOU
O CARNAVAL DA BAHIA
O músico e compositor Gereba é um dos personagens das Memórias da Vila Madalena. Ele dirigiu a festa dos 60 Anos do Baião, em 25 e 26 de novembro de 2006, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Esse show foi registrado num DVD, que será lançado em 2007. (Ouça).
Encontrei Gereba no I Fórum Brasil Memória em Rede. Ele me contou como surgiu o circuito carnavalesco Barra-Ondina, em Salvador.
– Em 1986 nós fomos o primeiro trio a rodar pela orla marítima, possibilitando esse circuito milionário que todo mundo conhece – narrou Gereba. – Mas isso só se tornou possível porque Luiz Gonzaga foi abrir o circuito.
Gereba disse que Gonzagão não queria ir e foi convencido na semana de 13 de dezembro de 1985, em sua fazenda, em Pernambuco. Essa é a data do aniversário de Luiz Gonzaga. Dominguinhos estava lá. Gilberto Gil chegou com uma letra para o choro 13 de Dezembro, música que Gonzaga havia composto em 1953 para comemorar a data.
A primeira resposta ao convite para abrir o Carnaval da Bahia foi negativa. “Eu não sou louco de ir para cima de um trio elétrico. Eu tenho 73 anos” (nascido em 1912, Gonzaga morreu em 1989).
Gereba, com apoio de Dominguinhos, argumentou que ia levá-lo para um lugar onde nunca tinha rodado um trio elétrico, na orla marítima. Com o maior conforto: “Hospedo o senhor ali no Porto da Barra, no Hotel Praia Mar. Desço a escadinha do trio, tem camarim, água de coco para o senhor, nós vamos fazer aquele passeio pela orla, fresquinho, com um ventinho de mar”.
Gonzaga olhou para Dominguinhos e disse: “Desse jeito eu vou”.
Ao terminar o relato que me fez sobre esse Carnaval histórico, Gereba pôs uma pontinha de polêmica na conversa:
– O pessoal do axé comemora cinco anos, dez anos, vinte anos, mas nunca lembra da história. O nosso legado é esse. É que depois dessa coisinha que eu acabei de contar nós fizemos cair em 60% a violência no Carnaval da Bahia, deslocando o curso do Centro, que estava engarrafado, muito violento, para a orla marítima, e dando esse conforto para o folião.
Tudo isso, arrematou Gereba, não tem o menor valor comercial. Para colocar o trio em Salvador todo ano é uma luta. Ele leva televisões da Europa, como a italiana RAI, que documentam o circuito. Para o Brasil não vem uma imagem sequer, porque a iniciativa não está no foco comercial.
Mas a folia continua. Como as festas antológicas que Gereba e seus amigos faziam na Vila Madalena.
Clique aqui para ler as Memórias da Vila Madalena.
Clique aqui para saber mais sobre o Brasil Memória em Rede. Envie seu comentário: portal@museudapessoa.net
|