|
13.2.2007
TODOS OS TEXTOS DO MUNDO
Em destaque: ouça um trecho da entrevista
Jack London, o criador da primeira livraria brasileira na internet, a Booknet, depois absorvida pelo Submarino.com, deu entrevista ao Museu da Pessoa em julho de 2003. Ele foi um dos personagens do projeto Um Balcão na Capital – Memórias do Comércio na Cidade do Rio de Janeiro.
Algumas passagens do depoimento despertam no leitor a curiosidade de saber o que aconteceu depois. London não acreditava que seu pioneirismo lhe daria por si só uma vantagem empresarial, embora convencido de que a tecnologia é o transformador do mundo:
“Eu nunca acreditei na idéia, e depois a vida me deu razão, de que o lugar em que a tecnologia ia pousar eram as empresas de ponta. (....) Quando a Saraiva e a Siciliano [livrarias e editoras] se lançaram no mercado, eu não tive com eles uma relação de presunção, de dizer: ´Já estou no mercado há três anos, eu estou muito na frente deles, eles não vão ter sucesso nisso!´ Eu nunca achei isso, eu tinha certeza de que em quatro, cinco, seis anos eles iam ter uma presença importante no mercado. Porque são empresas tradicionais, tem gente competente lá, eles só não estão tão atentos à novidade”.
Logo adiante ele conta como recebeu a chamada “proposta irrecusável”. E se orgulha:
“E para a história e para a vida, eu sou a pessoa que criou o Submarino. Eu ganhei duas vezes: com a venda e com o enorme investimento que eles fizeram. E a empresa continua vivendo. Eu acho que foi no momento certo.
Eu lamento muito, porque a minha vida é muito ligada ao livro, eu tenho fascínio pela leitura. Eu leio seis, sete livros por semana! É uma coisa normal: eu tenho em casa quase 20.000 livros, não tenho onde botar livro. Eu sou um leitor compulsivo, um comprador de livro compulsivo. Leio tudo sobre tudo, sobre qualquer assunto que me chame a atenção, que eu acho que pode ter uma correlação aqui ou acolá com alguma coisa que me interessa. Mas no contrato de venda da Booknet eu fico impedido de trabalhar, de comercializar livros pela internet ou não durante cinco anos. Isso para mim é como se eu estivesse em Alcatraz”.
Clique aqui para ler o depoimento de Jack London.
Conversei com telefone com Jack London para saber como foi a libertação dele de “Alcatraz”.
Antes, comentamos a notícia de que o Submarino foi absorvido em dezembro de 2006 pelas tradicionais Lojas Americanas, o que confirmou sua linha de raciocínio. London disse:
– A Booknet, que eu abri, vira o Submarino com o suporte do [banco] Garantia e de alguns sócios privados, abre o capital na Bolsa e vira Lojas Americanas. O grupo de varejo tradicional acaba tendo o controle de uma operação de ponta na área de tecnologia. O Submarino era a maior operação de comércio eletrônico da América Latina que a gente chamava de “pure play”, trabalhava só na internet. Por exemplo, a Ford no Brasil vende uma quantidade enorme de carros pela internet, a própria Americanas.com logo depois passou o Submarino em valor de vendas, mas essas duas não eram operações puramente de internet.
E a saída de “Alcatraz”, como ocorreu? London conta:
– A cláusula de quarentena terminava em junho de 2004. Em setembro eu pus para funcionar o Armazém Digital. Nesse período, foi presidente do Conselho da Ideiasnet, uma empresa de fomento que tem investimentos em tecnologia. Fiquei lá até o início do prazo que calculei ser necessário para colocar em marcha o Armazém Digital.
Neste podcast, Jack London descreve a atividade do Armazém Digital e a compara com o mecanismo de buscas Google Book Search, que ele mesmo coordena no Brasil.
O Google não vende livros, explica London. O texto do livro está disponível na internet, a pessoa pode pesquisar entre 10 e 20 páginas e o programa a encaminha para comprar o livro físico no site de determinada editora, livraria ou universidade. Os textos só estarão inteiramente disponíveis cinco anos depois, quando qualquer pessoa poderá consultá-los sem pagar. O Google quer construir o repositório de todos os textos do mundo.
Jack London se declara maravilhado com o software de busca do Google. Quando um livro é digitalizado, a conversão é feita palavra por palavra. “É possível entrar na internet, escolher uma palavra e encontrar qualquer texto, em qualquer latitude do mundo, que a contenha”, diz ele.
Foi o que eu fiz com as palavras “Museu da Pessoa”. E apareceram os seguintes resultados:
• Narrative and genre

• New museum, theory and practice – an introduction

• O Brasil que encanta o cliente

• Social Sciences for a Digital World – Building infrastructure
and databases for the future
Quem sabe de que tamanho estará
essa lista daqui a alguns anos?
Envie seu comentário: portal@museudapessoa.net
|