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por Mauro Malin

 



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20.3.2007

UM HOMEM CONTRA O ESQUADRÃO DA MORTE

Hélio Bicudo vai fazer 85 anos em julho. Em setembro de 2006 ele publicou um livro chamado Minhas memórias, fruto de quatro anos de trabalho e da colaboração de Edney Cielici Dias.

No dia 16 de março, fui recebido por Bicudo em sua casa para conversar sobre a maneira como a imprensa aborda os problemas da criminalidade e da violência. Ele foi o homem que enfrentou o crime organizado dentro da Polícia paulista. Isso está contado no livro Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte, que teve até agora dez edições em português, a primeira em 1976 e a mais recente em 2002.

Falamos sobre sua experiência de memorialista. Ele disse por que escreveu o livro e o que sentiu após concluí-lo. Isso está num arquivo sonoro. Falam também dois dos filhos de Dácio de Arruda Campos, juiz que foi colega de Hélio Bicudo na comarca de Jaboticabal, interior paulista, e no jornal O Estado de S. Paulo, onde ambos escreviam editoriais. Os filhos são Bias Arrudão e Luiz Antonio Arrudão. As gravações podem ser ouvidas aqui.

Na vida do procurador aposentado do estado de São Paulo há interseções com histórias de pessoas que deram depoimentos para o Museu da Pessoa. Bicudo fala dos bombardeios em São Paulo durante a Revolução de 1924. Ele tinha só dois anos de idade e admite que suas lembranças podem ter sido fruto de relatos ouvidos em casa. Mas Vicente Guastelli, que já tinha 10 anos na ocasião, tem lembranças próprias de bombardeiros por cima da Avenida Angélica. Clique aqui para ler o depoimento de Vicente Guastelli.

O promotor foi aluno do Colégio Caetano de Campos e relata algumas histórias desse tempo. Armando Rocha, o dono da Camisaria Rocha, nascido no mesmo ano que Vicente Guastelli, 1914, saiu do Caetano de Campos em 1928. Hélio Bicudo entrou em 1929. Clique aqui para ler o depoimento de Armando Rocha e leia também a crônica “ De volta à Camisaria Rocha.

O memorialista relata sua luta como promotor, na década de 1950, para processar por corrupção o ex-governador Ademar de Barros. Ele escreve:

O trabalho de investigação desnudou a confusão que Ademar fazia de suas próprias finanças com a fazenda pública. Não foi à toa que esse político ficou notabilizado com o bordão ´rouba, mas faz´, usado sem embaraço em suas campanhas ”.

Nilza Guerra de Figueiredo, Consultora da Natura, foi casada com um detetive da Polícia paulista que ouviu de Ademar de Barros uma inesquecível e deprimente apologia da corrupção:

“(....) Ele veio tão frustrado no dia em que recebeu o diploma da escola de polícia, de detetive... Veio tão desanimado, porque disse que quem foi entregar foi Ademar de Barros, que era o interventor, e tinha uma comissão de investigadores, de escrivães, de delegados, que vinham pedir aumento. O Ademar de Barros falou: ´Mas vocês vêm pedir aumento? Vocês têm a gazua´. Ele pegou justamente o distintivo do meu marido e falou: ´Olha aqui, vocês têm a gazua, vocês não precisam de aumento!´ Aquilo, para ele... acabou. Quer dizer, gazua é o que o ladrão usa para entrar, para arrombar porta. Ele foi frustrado acho que desde o primeiro dia na polícia. Ele tinha um ótimo emprego e trocou tudo pela polícia ”.

Clique aqui para ler o depoimento de Gilza Guerra de Figueiredo.

No posfácio das memórias de Hélio Bicudo, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, define o personagem:

“O dr. Hélio Pereira Bicudo usa a pena como quem está brandindo uma espada, batalhador incansável pela justiça e por um mundo melhor ”.


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Mauro Malin participou da fundação do Museu da Pessoa. É jornalista desde 1966. Formou-se em História em 1979. Edita e apresenta o programa Observatório da Imprensa no Rádio.
   
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