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15.05.2007
O LEITOR LUIZ HAFERS
O Museu da Pessoa criou um programa de rádio chamado Memórias da Literatura. Inspirou-me a conversar com um amigo, Luiz Hafers, fanático por leitura.
Luiz Marcos Suplicy Hafers, nascido em Santos em 1935, trabalhou como corretor e exportador de algodão da década de 50 até a década de 70. Tornou-se fazendeiro em 1958. Tem fazendas de café no Paraná e no Oeste da Bahia.
Foi presidente da Sociedade Rural Brasileira, bastião conservador, entre 1996 a 2002. Desempenhou aí um papel útil ao país. Atuou de forma flexível, contrário à via de confronto radical proposta pela UDR, União Democrática Ruralista, com eco no MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra. Convém lembrar que foi em 1996 o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. Tempo quente.
Visitei em 2003 a fazenda de Hafers na Bahia. Fica na pontinha do município de Cocos, onde se encontram Bahia, Minas Gerais e Goiás. Saímos de Brasília, passamos por Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães. Da sede do município até a fazenda são 70 quilômetros de estrada de terra. O trechinho final da viagem.
É uma fazenda legitimamente literária. O cicerone Hafers em dado momento me mostra um curso dágua, numa paisagem característica: “Esta é uma das Veredas Mortas onde Riobaldo encontra o diabo, no Grande Serão: Veredas ”. Deu até arrepio.
Depois me mostra, num mapa, que a fazenda faz fronteira com o Parque Nacional Grande Sertão: Veredas. O parque se estende por vários municípios mineiros. Limítrofe com Cocos é Formoso. Em Goiás, Mambaí.
Desde aquela viagem, quando o tema foi o Cerrado, sua vida econômica, suas características físicas, minha conversa com Hafers girou cada vez mais em torno de livros.
É sem propósito tentar entender por que uma pessoa se apaixona por livros. Influência familiar. Pode ser. Mas na mesma família se moldam preferências diferentes. A escola. Sim, sempre tem importância. Mas Hafers não faz referência a ela.
Existem explicações práticas, como a do tempo em que Hafers viajava pelo mundo afora vendendo algodão: longas esperas. E até um detalhe com o qual hoje não se atinaria: os quartos de hotéis não tinham aparelhos de televisão. Mas ele poderia ter passado os dias nos bares dos hotéis, não nos quartos.
Por que tirar da leitura seu sabor de mistério?
Neste arquivo sonoro Hafers resume sua trajetória de amante dos livros.
Muita coisa ficou de fora, claro. A conversa prosseguiu. Hafers fez questão de falar dos grandes da América Latina. Ficaram separados neste segundo arquivo sonoro.
Outras conversas virão, outras histórias do amante de livros Luiz Hafers. É um assunto sem fim.
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