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por Mauro Malin

 



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29.05.2007

DE VOLTA À RAVIL CANETAS

Fiz ontem uma visita à Ravil Canetas da Rua Augusta. Lá estava Sebastião Martins Vieira, aos 66 anos de idade. A história dele foi contada no projeto Memórias do Comércio de São Paulo, em 1994, quarenta anos depois de seu ingresso na loja. A sucursal da Rua Augusta tinha sido inaugurada no ano anterior.

Sebastião continua na Avenida São João, mais precisamente no Edifício Martinelli. Na Augusta trabalha sua filha Helena Gaspar Martins Vieira. A Ravil foi criada em 1954 pelo imigrante romeno Ilie M. Villoni e por sua mulher Helene M. Villoni. Ele morreu em 2001, aos 91 anos de idade, e Helene em 2005, perto de completar 90 anos.

Foi criada precisamente no dia 7 de maio, uma sexta-feira. Sebastião começou a trabalhar lá “39 dias depois, numa quarta-feira, 16 de junho”. Tinha 13 anos e entrou como office-boy. Em 1986 se tornou proprietário da loja, que hoje divide com as filhas Helena e Heloísa.
Quando deu a primeira entrevista ao Museu da Pessoa, Sebastião morava no bairro paulistano da Casa Verde. Hoje mora no município de Atibaia. Duas horas para chegar até o centro velho de São Paulo, duas horas para voltar. Mas ele não se abala.

A explicação do nome Ravil é que o Sr. Villoni tinha relação com dois amigos, Saul e Alberto, que o ajudaram a abrir a loja. Ele havia fugido da Romênia e chegado a São Paulo no fim da década de 1940. Os amigos, empregados numa importadora, não podiam ser formalmente seus sócios. A sociedade foi formada com as mulheres deles: Raquel e Lúcia. Ra-quel, Vi-lloni, L-úcia. Ravil.

Sebastião, que gosta de contar histórias, é atento aos fatos do país e do mundo. Ouça aqui o que ele diz sobre o câmbio e as canetas.

Pedi à filha Helena que falasse de Sebastião. A voz dela ficou embargada. Admiração. Respeito profissional. Helena fala também do movimento na loja da Augusta. Sebastião fala ao telefone, no fundo. E finalmente Helena fala da família: a mãe, a irmã, Heloísa, com sua filha Camille, e um irmão mais novo, Lucas.

Eles serão, promete Helena, a terceira geração da família Vieira à frente da Ravil Canetas. Longa vida para todos!

Clique aqui para ouvir Helena.

Clique aqui para ler o depoimento de Sebastião Martins Vieira no projeto Memórias do Comércio de São Paulo.

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Mauro Malin participou da fundação do Museu da Pessoa. É jornalista desde 1966. Formou-se em História em 1979. Edita e apresenta o programa Observatório da Imprensa no Rádio.
   
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