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19.6.2007
SEU NEO, O INCONCEBÍVEL GUARDIÃO
Dezenas de pessoas que deram depoimentos
ao Museu da Pessoa sobre suas vidas nasceram no Ceará. Diogo
Gadelha é de Aracoiaba, mas só nasceu lá.
Aldo
Rebouças é de Peixe Gordo e fala mais da terra
natal. A família de Antônio
Virgílio Mendes é da Várzea das Caraúbas,
município de Limoeiro do Norte. Carlos
José Guerra Felismino, propagandista do Laboratório
Aché, nasceu em Fortaleza. Não tem mulher na lista?
Tem: Claudine
Leroy. Nascida também em Fortaleza, filha de pai francês.
Filomena Maria Brandão de Pinheiro nasceu em Santana
de Acaraú. Tereza
Cristina Alves Bezerra é de Acopiara.
Dessas cidades, Aracoiaba, Peixe Gordo
e Santana do Acaraú não aparecem no mapa oferecido
pelo site www.ceara.com.br

O jornalista Marcelo Pontes nasceu em Aracoiaba. Saiu de lá
em 1958. Mas volta periodicamente, para ver tios e primos. A visita
mais recente foi há dois anos. Ele contou isso num áudio
da crônica Gentileza, namoro, casamento, desenvolvida
em torno da maneira como Diogo Gadelha conheceu sua primeira mulher,
Clélia, no Carnaval de 1952, em São Paulo.
Marcelo Pontes trabalhou na Veja, no
Globo, no Jornal do Brasil onde ocupou todos os cargos da
hierarquia, chegando a editor-chefe , na assessoria de imprensa
do ministro da Fazenda Pedro Malan, e hoje está na Companhia
de Notícias, CDN, uma agência de comunicação,
em São Paulo.
Marcelo conta que em Aracoiaba todo dia
abria a igreja, tocava o sino e ajudava a rezar a missa. Dos personagens
da época, lembra-se de Seu Odilon, que tinha uma venda onde
o único produto eram bananas. Morreu intoxicado por uma banana.
Marcelo jamais esqueceu o infausto acontecimento.
O jornalista diz que sua cidade tinha
personagens de um Gabriel García Márquez. A mãe
de Marcelo, Maria de Lourdes Lima Pontes, era agente dos Correios na cidade. A sede dos Correios
era a sala da casa dos Pontes. Quando o trem passava e deixava o
malote, a mãe ia à estação pegá-lo
e deixava seu Neo olhando as crianças perto da casa.
Seu Neo era um homem que passava as noites
na cadeia de Aracoiaba. Ouça
Marcelo Pontes para saber por quê.
Coisas do interior do Brasil. Um interior
que, no caso da cidade de Marcelo, já foi menos pobre.
Envie seu comentário: portal@museudapessoa.net
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