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27.6.2007
DOS CORPOS ÀS VIDAS
Laura Godoy é jornalista em Ouro
Preto. Escreveu em 2002 e 2003, com Valéria Mendes, Christiano
Borges e Fabrício Santos, todos do curso de Jornalismo da
PUC Minas, o livro Não Reclamados: vidas esquecidas no
Instituto Médico Legal. Uma reportagem, com algumas
passagens macabras, organizada em torno de quatro corpos que foram
parar no IML de Belo Horizonte e receberam a classificação
de “não reclamados”, condição que,
quando permanece inalterada por 30 dias, condena ao enterro em cova
rasa, como indigente.
Laura e seus colegas partiram da morte
para as vidas, duras vidas, de Gasparina Fátima Rodrigues,
Nivaldino Castilho Soares, Gilvan de Jesus e Antônio Miguel
de Aquino. É notável como conseguiram captar algo
de suas personalidades e da personalidade das pessoas que conviveram
com eles.
Laura Godoy fala de Gasparina, uma mulher
bonita que morreu como indigente em Belo Horizonte. Clique
aqui para ouvir.
Em todos os relatos sente-se que Laura
e seus colegas foram tocados pelo contato com as famílias.
Mas a leitura do livro mostra que eles conseguiram criar empatia
também com os personagens retratados. Clique
aqui para ouvir Laura falar sobre os outros três personagens.
Nem tudo é tristeza nas histórias
sobre personagens tão humildes, que nas cidades pequenas
costumam conviver em paz com a população, como narrou
Marcelo Pontes sobre Seu Neo, de Aracoiaba, Ceará, na crônica
“Seu Neo, o inconcebível
guardião”.
Em Ouro Preto, terra de Laura, viveu
o mitológico Bené da Flauta.
Meu amigo Angelo Oswaldo de Araújo
Santos, chefe de gabinete do ministro da Cultura Celso Furtado,
no governo José Sarney, foi secretário de Turismo
e Cultura de Ouro Preto entre 1977 e 1983. Ele depois foi prefeito,
eleito em 1992, e ocupa agora o mesmo cargo, eleito em 2004. Na
sua primeira passagem pela Prefeitura, o Dr. Anjo, como era chamado
pelo povo, inventou de mandar montar na famosa Praça Tiradentes,
a principal da cidade, uma árvore de Natal. E Bené
da Flauta, a quem Angelo Oswaldo, de pura provocação,
resolveu pedir a opinião, sentenciou, inesquecivelmente:
“É uma dessas inutilidades que nos deixam deveras apreciado”.

Foto: Vitor Godoy
Clique aqui
para ouvir Laura Godoy falar sobre Bené da Flauta. Na versão
dela, a frase é ligeiramente diferente. Mas eu não
ouvi a frase de Bené, nem de Angelo Oswaldo. Ouvi-a de outro
amigo, Vicente Tropia, dono do restaurante O Chafariz.
Infelizmente, o Chafariz não
tem site na internet. Mas o restaurante Bené da Flauta, mencionado
no relato de Laura Godoy, tem. Eis o endereço: http://www.benedaflauta.com.br/redir/.
A foto de Bené da Flauta aqui reproduzida pode ser vista
lá em escala maior. Foi feita pelo pai de Laura, Vitor Godoy.
Reproduzi também um cartão com outra frase de Bené,
a mais famosa. Filosofia da melhor qualidade.

Imagem produzida por Converso Comunicação
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