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por Mauro Malin

 



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3.7.2007

VLAUDEMIR, NA PAULISTA

É inevitável comparar a facilidade com que se matam pessoas - como em incursões policiais e chacinas nas cidades brasileiras - com a tenacidade com que tantas pessoas se agarram à vida.

Na Avenida Paulista, há 24 anos, Vlaudemir Rosa Botelho passa o dia sentado numa cadeira de rodas. Nasceu com atrofia das pernas e dos braços. Conversei hoje com ele. Fica junto ao muro de uma casa entre a Alameda Ministro Rocha Azevedo e a Rua Padre João Manuel. Pede dinheiro a passantes. Para alguns, conhecidos de longa data, não precisa pedir.

Vlaudemir tem 46 anos de idade. Nasceu no bairro da Penha. Fez o ensino básico e diz que foi bem tratado na escola. "Psicólogos me ensinaram que eu tinha que me aceitar e gostar de mim, senão ninguém gostaria. Eu aceitei o jeito como nasci". Consegue escrever. Menino, empinava pipas e participava de outras brincadeiras.

Procurou emprego depois de ter feito um curso técnico, mas na época havia poucas oportunidades. Botou-se para a Paulista. Depois de conseguir um salário mínimo do governo como portador de deficiência, constatou que os empregos disponíveis lhe dariam remuneração menor - e o obrigariam a abrir mão do salário mínimo. Não perguntei quanto ganha em média como pedinte. Não me interessava muito saber.

Interessava-me saber outras coisas. É casado? Sim, duas vezes. Cinco filhos, três do primeiro casamento e dois do segundo. Tem pais vivos? Só a mãe, que mora com a filha mais velha, casada.

Como conheceu sua mulher? Ela joga futebol de salão. Vlaudemir era treinador de um time masculino. O time feminino não estava gostando do treinador. Vlaudemir foi convocado. Aceitou.

Em dias de chuva não vai para a Paulista: o trecho onde fica não tem marquise nem qualquer outra proteção. Mora em Itaquera. Transporta-se sozinho, em ônibus e vans. Usa uma cadeira de rodas motorizada, a segunda que já teve. Sua mulher e seus filhos costumam visitá-lo na Paulista? De vez em quando.

A conversa chega ao fim. Já ocupei demais o tempo de Vlaudemir.
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Mauro Malin participou da fundação do Museu da Pessoa. É jornalista desde 1966. Formou-se em História em 1979. Edita e apresenta o programa Observatório da Imprensa no Rádio.
   
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