É inevitável comparar a facilidade com que se matam pessoas - como em incursões policiais e chacinas nas cidades brasileiras - com a tenacidade com que tantas pessoas se agarram à vida.
Na Avenida Paulista, há 24 anos, Vlaudemir
Rosa Botelho passa o dia sentado numa cadeira de rodas. Nasceu com
atrofia das pernas e dos braços. Conversei hoje com ele. Fica junto
ao muro de uma casa entre a Alameda Ministro Rocha Azevedo e a Rua
Padre João Manuel. Pede dinheiro a passantes. Para alguns, conhecidos
de longa data, não precisa pedir.
Vlaudemir tem 46 anos de idade. Nasceu no bairro da Penha. Fez o ensino básico e diz que foi bem tratado na escola. "Psicólogos me ensinaram que eu tinha que me aceitar e gostar de mim, senão ninguém gostaria. Eu aceitei o jeito como nasci". Consegue escrever. Menino, empinava pipas e participava de outras brincadeiras.
Procurou emprego depois de ter feito um curso técnico, mas na época havia poucas oportunidades. Botou-se para a Paulista. Depois de conseguir um salário mínimo do governo como portador de deficiência, constatou que os empregos disponíveis lhe dariam remuneração menor - e o obrigariam a abrir mão do salário mínimo. Não perguntei quanto ganha em média como pedinte. Não me interessava muito saber.
Interessava-me saber outras coisas. É casado? Sim, duas vezes. Cinco filhos, três do primeiro casamento e dois do segundo. Tem pais vivos? Só a mãe, que mora com a filha mais velha, casada.
Como conheceu sua mulher? Ela joga futebol de salão. Vlaudemir era treinador de um time masculino. O time feminino não estava gostando do treinador. Vlaudemir foi convocado. Aceitou.
Em dias de chuva não vai para a Paulista: o trecho onde fica não tem marquise nem qualquer outra proteção. Mora em Itaquera. Transporta-se sozinho, em ônibus e vans. Usa uma cadeira de rodas motorizada, a segunda que já teve. Sua mulher e seus filhos costumam visitá-lo na Paulista? De vez em quando.
A conversa chega ao fim. Já ocupei demais o tempo de Vlaudemir. Envie seu comentário: portal@museudapessoa.net
25.7.2007
- Denilza,
morta no Morro da Providência
As mortes provocadas pela violência de bandidos e pela reação bélica da
polícia dão raiva e tristeza. Essa deu mais ainda porque Denilza era bonita.
18.7.2007 - André
e Daniel, da Bahia, no crime
São precários os esquemas teóricos para explicar por que uma pessoa mergulha
na criminalidade. André foi bem tratado pelos pais. Daniel apanhou deles.
8.7.2007
- Dias
mais felizes em Manari
É preciso que as escolas de Manari, Pernambuco, e de tantas outras cidades
do país ajudem a criar novos padrões de desenvolvimento.
3.7.2007 - Vlaudemir,
na Paulista
Vlaudemir nasceu com atrofia de braços e pernas. “Psicólogos me ensinaram
que eu tinha que me aceitar e gostar de mim”. Ele pede ajuda na Paulista.
Mauro Malin participou da
fundação do Museu da Pessoa. É jornalista desde
1966. Formou-se em História em 1979. Edita e apresenta o programa
Observatório
da Imprensa no Rádio.
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