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por Mauro Malin

 



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01.08.2007

CAMINHO MARÍTIMO DE PEREGRINAÇÃO

Eu e minha mulher, Lúcia Fávero, tiramos quinze dias de férias em Portugal. Começamos pelo Porto e alguns dias depois descemos até Lisboa, passando, é claro, por quantos lugares nos sugeriram os anfitriões, Lígia, filha de Lúcia, e Anderson, seu namorado, e os guias de viagem consultados.

Na foto a seguir apresento Lúcia. Nas duas outras, entre centenas que somos compelidos a tirar com máquinas digitais, um vitral do mosteiro de Batalha e uma cena de seu claustro real.


Lúcia e Mauro na cave de vinho do Porto Vasconcellos,
Vila Nova de Gaia






Nosso primeiro encontro foi com a turma do Museu da Pessoa, Núcleo Português, sediado na Universidade do Minho, em Braga, sob a batuta do professor Jorge Rocha, do Departamento de Informática. Muito cavalheirescamente, Jorge convidou-nos a almoçar no restaurante usado por professores e visitantes, à porta do qual tirei a foto seguinte, onde estão Liliana, Jorge, Cristiana, Filipa, Susana e Ana. As “Anas” da equipe de Jorge. Filipa diverge no nome e na terra natal: ela é da Ilha da Madeira (Funchal).



O núcleo do Museu da Pessoa em Portugal realizou importantes projetos, como o de histórias de vida da Galp, a Petrobrás portuguesa. Clique aqui para navegar no site Museu Virtual Vidas Galp. Tem também um blog de Memórias da Literatura (só é possível visualizar adequadamente o conteúdo com navegador Mozilla Firefox). E realizará em outubro o Portugal Memória em Rede – II Congresso Nacional de História Oral. Clique aqui para obter informações sobre o congresso.

Jorge entraria de férias no dia seguinte, para fazer um passeio do qual eu nunca tinha ouvido falar: uma peregrinação a Santiago de Compostela por via marítima. Ei-lo a bordo do barco Casca de Nós, com a namorada, Ana (mais uma!), e as filhas Rita (14 anos), Sara (12) e Matilde (6)


Jorge me narrou, por correio eletrônico:

A largada foi a 19 de julho, na Figueira da Foz, com escalas em Aveiro, Matosinhos, Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Baiona e Vilagarcia de Arousa. A chegada a Compostela foi a 25 de julho, o ´Dia do Apóstolo´ que transformou esta cidade galega num dos principais centros de peregrinação cristã do mundo."

Para ver o mapa da região, clique aqui.

"Acrescento que a viagem foi inspirada na descrição de um itinerário de peregrinação por mar a Santiago de Compostela feita por Edrici, geógrafo árabe do século XII que visitou a Península Ibérica”.

A chegada dos peregrinos portugueses e galegos – foram 23, em três barcos – está documentada na foto abaixo, diante da Basílica de Santiago de Compostela.



Jorge Rocha me deu uma informação que não saiu da minha cabeça: Santiago de Compostela, Espanha, é subordinada à Diocese de Braga, Portugal. Nesse território eclesiástico a maior autoridade é o arcebispo de Braga. Braga é antiga. Foi uma cidade importante do Império Romano.

Volto ao início da crônica. Depois do almoço, Jorge e sua equipe nos levaram para tomar café no santuário de Bom Jesus do Monte. Em seguida, Lúcia e eu fomos conhecer o centro histórico de Braga. Fomos à Sé, claro. No Brasil ainda se ouve, entre pessoas da minha geração, a expressão “Mais velho do que a Sé de Braga”. Agora entendo melhor por que se diz isso. A Santiago de Compostela dos peregrinos, que parece tão vetusta, tão mística, é nove séculos mais nova do que Braga.


P.S. - Outra descoberta, não sei se relevante ou ociosa, diz respeito à origem do nome de um dos bares mais populares do Rio de Janeiro, o Bracarense, no bairro do Leblon. Descoberta que é filha da minha ignorância. Bracarense é um dos gentílicos atribuídos aos nascidos em Braga, na antigüidade romana Bracara Augusta, "cidade da Hispânia tarraconense", esclarece o dicionário Houaiss. Pois é. Chope e latinório. Em tempo: aos nascidos na minhota Braga (existe uma Braga no Rio Grande do Sul, cujos filhos são "braguenses") também se aplicam os adjetivos bracaraugustano, brácaro, braguês. Em desuso caíram bragalense e bragarense.

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Mauro Malin participou da fundação do Museu da Pessoa. É jornalista desde 1966. Formou-se em História em 1979. É supervisor editorial do Portal Museu da Pessoa.
   
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