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19.9.2007
OS GUERRA DA GALÍCIA
"Na Espanha enfurecida,
Continua o tormento,
Mas no Braz essa novela
Terminou em casamento".
Essa é uma das 120 estrofes que contam a História de Internauta
de Elza Guerra Aleman e sua família. Nesse relato interessantíssimo,
que pode ser lido aqui,
narra-se a saga do espanhol Manuel Guerra, pai de Elza, e de seus
descendentes brasileiros.
Manuel tem 93 anos e prepara-se para uma das visitas regulares que faz à terra natal em companhia das filhas, Elza e Mariazinha.
Neste áudio, Elza fala de viagens
que fez na Galícia, que, diz, é mais verde do que o resto da Espanha.
Ela descreve em particular paisagens da cidade de Lugo. No site de
fotografias do Yahoo! Flickr.com,
há muitas fotos de Lugo. Numa das que aparecem em destaque estão as
muralhas mencionadas por Elza.
Elza comentou também a paisagem
vista do trem entre Pontevedra e Vigo, o uso da costa das rias -
braços de mar que recortam o litoral da Galícia - para criar mariscos,
o cinza dos prédios e do clima de Pontevedra, um passeio à Escola
Naval de Marín, onde o rei Don Juan Carlos e o príncipe herdeiro
Felipe fizeram o serviço militar.
Ouça:
Como no caso do relato anterior, há no site Flickr fotos dos lugares
mencionados. Mas é preciso definir com algum cuidado a busca. Apenas
a palavra "Marín", por exemplo, remete também e principalmente para
Marin County, em São Francisco, Estados Unidos. É melhor escrever
"Marín Galícia". A foto de satélite da ligação entre Pontevedra
e Vigo, aplicada sobre um mapa, está no Yahoo! Maps
No trecho selecionado do poema de cordel,
Elza faz alusão à Guerra da Espanha. Numa estrofe
anterior ela já falara da
"(...)Revolução de Espanha
Os conterrâneos sentados,
Ouviam atentamente,
Notícias aterradoras,
O horror de sua gente".
Na conversa telefônica com Elza, perguntei
como a Guerra Civil tinha marcado a família. Ela me disse que seu
tio José combateu na tropa de Franco. Ela não soube dizer se foi
por adesão ao franquismo ou se não teve escolha, como aconteceu
ao pai de outro depoente, o galiciano Julio Fombellida Pita. O barbeiro
Vitoriano Fombellida Calçada foi obrigado a ir para a guerra em
36:
“Eu sei que a minha mãe sempre falava que um dia
bateram na porta e falaram: ´O senhor tem que servir.´
Servir, defender o Franco. Tinha que defender o Franco. Aí
o meu pai ou morria ou ia. Eu era pequeno, tinha nascido naquele
tempo, então ele foi. Como muita gente não queria
ir, se recusava. Simplesmente, o que o meu pai dizia, que é
verdade, é que eles liquidavam o cara na cama na frente da
esposa e não tinha conversa”.
Clique
aqui para ler o depoimento de Julio Pita.
A talentosa Elza prometeu dar notícias na volta de sua viagem. Talvez ela possa conhecer melhor o que aconteceu com os Guerra nesse período de trevas da Espanha.
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