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17.10.2007
PALAVRÕES LITERÁRIOS DE VARGAS LLOSA
O jornalista Wladir Dupont viveu em
três diferentes períodos no México, de onde voltou há alguns meses.
Sua vivência profissional é assunto para uma conversa comprida.
Aqui vamos tratar de traduções.

Wladir Dupont, São Paulo, outubro de 2007 |
Em meados
dos anos 80, o dono da Livraria Cultura de São Paulo, Pedro Herz,
interessado em reativar a editora da casa, convidou-o a traduzir
um best-seller, Made in Japan, autobiografia do
mitológico criador da Sony, Akio Morita. Em seguida, Wladir traduziu
o receituário do então presidente da Ford, Lee Iacocca, Falando
francamente. Esses dois sucessos de vendas o animaram a permanecer
no ofício de tradutor, mas ele logo se deslocou para a literatura.
Pedro Paulo Senna Madureira tinha
sido contratado para tocar a recém-criada Editora Siciliano e convidou
Wladir a traduzir uma pequena biografia de Pablo Neruda, Adiós,
Poeta, de Jorge Edwards. Ele narra no áudio abaixo essa trajetória,
até traduzir Dicionário Amoroso da América Latina, de Mario
Vargas Llosa, publicado já pela Ediouro.
Jornalismo e literatura, como se sabe, caminham entremeados desde
a criação da imprensa periódica, há quatro séculos. A ligação do jornalista
Wladir Dupont com a editora de Oswaldo Siciliano ecoa outro laço antigo,
conforme narrou Siciliano em depoimento ao Museu da Pessoa para o
projeto Memórias do Comércio de São Paulo, de 1994: seu pai, Pedro
Siciliano, que depois seria dono de livraria, foi "o homem de confiança
de Assis Chateaubriand em São Paulo". Começou como distribuidor de
jornais e revistas.
Clique
aqui para ler o depoimento de Oswaldo Siciliano.
Desde 1985, Wladir traduziu 16 ou 17 livros, não sabe o número exato.
Traduções de obras literárias são objeto de resenhas nas quais, volta
e meia, se menciona a qualidade (muitas vezes falta de qualidade)
da tradução. Wladir diz que desenvolveu o método que consiste em agradecer
discretamente elogios e não responder a críticas. Método que lhe foi
sugerido pelo poeta Horacio Costa, como ele conta a seguir. Wladir
registrou na memória uma crítica adversa de sua tradução de Sor
Juana Ines de la Cruz o las trampas de la fe. E um elogio do
próprio Octavio Paz, ouvido na Cidade do México, a respeito da tradução
de La otra voz:
Na fala seguinte, o jornalista
e tradutor - e escritor de livros de literatura empresarial - relata
percalços da batalha com obras de William Faulkner que passou para
o português, entre as quais destaca Enquanto agonizo.
Um único contato com Vargas Llosa, na Cidade do México, é rememorado
nesta passagem da conversa, onde ele diz que a diversidade de palavrões
usados pelo autor deu um pouco de trabalho, mas não chegou a ser
problema.
Perguntei a Wladir se tinha sido complicado
traduzir Conversa na Catedral, de Vargas Llosa, onde há
diálogos sucessivos que remetem a personagens diferentes em tempos
narrativos diferentes, como se fosse um empilhamento de situações
ficcionais distintas. Ele disse que não. Que a dificuldade foi sempre
a do vocabulário, mais especificamente traduzir com propriedade
os palavrões. E conta esta pérola com que me despeço do leitor/ouvinte:
Envie seu comentário: portal@museudapessoa.net
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