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16.01.2008
ARIEVALDO, CORDEL NO SANGUE
por Mauro Malin
Ilustração: Jô Oliveira
Os personagens com quem Carol Quintanilha
teve inesquecível almoço em Paramoti, Ceará,
são bem familiares a Arievaldo Viana. Antônio Carlos
Alves, “conhecido como o cabra mais mentiroso que existe na
região”, Fernando Filho, locutor de rádio, e
Francisco Sampaio, historiador amador. “Três pessoas
muito interessantes”, diz Arievaldo. Ele fez reparos a um
dos relatos ouvidos por Carol, como se lê em nota de rodapé
naquela página.
Convidado a contar uma história,
escolheu falar de seu poeta popular idolatrado, Leandro Gomes de
Barros. E nos mandou uma amostra da biografia de Leandro que começou
a pesquisar metodicamente há dez anos. Ao final deste texto
o leitor encontra link para o artigo “Leandro Gomes
de Barros – pioneiro do cordel e inspirador do Auto da
Compadecida”.

Ilustração: Jô
Oliveira
Arievaldo foi fisgado pela poesia de
Leandro aos 9 anos de idade, numa viagem à cidade de Canindé,
Ceará (clique
aqui para ver mapa), como conta neste áudio:
O núcleo familiar de Arievaldo
não é propriamente banal, embora tenha sido freqüente
até determinada etapa do desenvolvimento demográfico
brasileiro: pai, mãe e cinco irmãos nascidos em cascata
a partir dos 16 anos da mãe, Hathanne, nome devido a arroubos
anglófilos do bisavô, Olympio de Sousa Viana, avô de Hathanne. Os
irmãos dela se chamam Rui Washington e Rubens Weynne. Olympio morou
em Fortaleza e em Maranguape no final do século XIX. Pode ter sido
amigo dos ingleses que instalaram a estrada de ferro no Ceará. Eis
a descrição feita pelo primogênito de Hathanne:
No trabalho biográfico, Arievaldo constatou que folhetos
escritos por Leandro Gomes de Barros foram atribuídos a outras
pessoas, depois que a viúva de Leandro, Dona Venustiniana,
vendeu os direitos de publicação, no início
do século XX. É o que ele explica no áudio
abaixo.
Pedi a Arievaldo que declamasse poesia
de cordel. Ele contou que, menino, lia folhetos na bodega de seu
avô, aos sábados, para embevecidos ouvintes analfabetos.
Isso me lembrou relato da juventude de Antônio Houaiss (1915-1999)
em Copacabana. Houaiss lia toda noite, para trabalhadores analfabetos
e estrangeiros, capítulos de romances em português.
Ouça a declamação
de Arievaldo:
Arievaldo é autor de um livro
de causos e crônicas, O Baú da Gaiatice,
de 1998. Ele mantém um blogue chamado Acorda
Cordel.
Clique
aqui para ler o artigo “Leandro Gomes de Barros –
pioneiro do cordel e inspirador do Auto da Compadecida”.

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