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28.11.2008

O DIA DA FORMATURA
Por Monica Dantas dos Santos Nogueira

Fomos dos primeiros moradores deste bairro, Parque Dorotéia. Por ser um bairro novo, não havia água encanada, luz elétrica, comércio e, principalmente, uma escola. A única vantagem que percebo hoje em morar em lugar onde não havia energia elétrica é que conversávamos e compartilhávamos muito mais de tudo que acontecia conosco.

Meu pai sempre trabalhou no período noturno, portanto ficávamos todas as noite sozinhas em casa, eu e minhas duas irmãs, com nossa mãe, que nos arrumava em sua cama de casal e contava e lia histórias para dormirmos. Foi um dos períodos em que nosso repertório literário mais aumentou de forma espontânea e prazerosa, pois lemos a coleção inteira de Monteiro Lobato, entre outras.

Meus pais sempre foram muito preocupados com os estudos dos filhos. A escola mais próxima era a E.M. Profª. Isabel Vieira (escola da prefeitura), onde estudei da 1ª à 6ª séries. Tínhamos que andar aproximadamente 45 minutos para chegar à escola. Na época em que fui cursar a 7ª série, já havia, próxima à nossa casa, a E.E. Dr. Ayres Neto (escola estadual) para onde fui transferida. Encontrei algumas dificuldades, como novos professores e amigos e organização das matérias diferente da antiga escola.

A maior dificuldade foi cursar uma série onde meus colegas já conheciam muito mais sobre o inglês que eu (pois nas escolas municipais esta disciplina iniciava-se na 7ª série e, nas estaduais, na 5ª série). Portanto, encontrei nessa disciplina muitas dificuldades, que se arrastaram até a 8ª série. Fiquei de recuperação.

Fiquei muito preocupada com isso pois, além da valorização que meus pais davam aos estudos, nunca havia ficado de recuperação. Não sei explicar o motivo, mas ao final da recuperação a professora não deu o resultado de minhas provas e disse:

- Caso você queira saber se foi aprovada, compareça à formatura, se você for chamada para receber o diploma é porque foi aprovada.

Fiquei muito nervosa, porém só me restou obedecer. O pior de tudo é que não tive coragem para dizer aos meus pais o problema. Sendo assim, meus pais providenciaram roupa, sapato, cabeleireiro etc. para o dia da formatura. E eu sem saber se tinha sido aprovada.

O dia da formatura foi muito difícil para mim. Para complicar mais a situação, a chamada dos formandos foi em ordem alfabética, o que me fez sofrer ainda mais. Mas, felizmente, deu tudo certo. Fui chamada na hora certa, ou seja, tinha sido aprovada.

(História de outubro de 2008)

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