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29.5.2009

A FORMATURA DA PROFESSORA
Por Alcione Carvalho 

Sou professora efetiva da prefeitura do município de São Paulo. Adoro ler, ouvir música, sou apaixonada por Ney Matogrosso, gosto muito de Fernando Pessoa, assistir filmes, cuidar da minha casa e das minhas plantas e gatas, faço musculação e spinning.

Eu pensava em ser professora desde os cinco anos de idade. Comecei a trabalhar aos catorze anos e a lecionar a partir dos dezenove. No primário e ginásio eu não me sentia à vontade, não era a mais bonita, nem a mais popular. No colégio comecei a me soltar mais, então foi muito bom.

Tem muitas coisas que eu gosto de lembrar, entre elas a minha formatura da faculdade. Recordo-me disso, pois foi uma conquista. Inicialmente, pensava em ser bióloga e fazer pós-graduação em arqueologia, mas acabei fazendo pedagogia. Durante o curso na faculdade de biologia, pegava dois ônibus para ir e dois para voltar da faculdade. Retornava por volta das 23h45 ou 24h.

Minha janta era um saco de pipoca. Com bacon, só no dia do pagamento. E às 5h30 estava levantando para ir trabalhar, na época trabalhava como faturista em uma multinacional no bairro de Cumbica.

Meu pai sempre me esperava no ponto de ônibus, não importavam as condições climáticas, como chuva ou frio. Minha família estava sempre muito presente, me dando muito apoio, pois sempre sonharam com uma filha que seguisse os estudos e que se formasse. Queriam tanto e sonhavam tanto com a minha formatura que meu pai começou a sentir dores no coração e não contou para ninguém, a ponto de passar muito mal e ser internado. No hospital, ele pedia todos os dias para que o médico lhe desse alta, porque queria estar presente em minha formatura.

Então, no dia da minha formatura, o médico disse para minha mãe:
- Vou dar alta! É mais provável que ele passe mal aqui do que na formatura. Mas vou deixar a vaga em aberto.

Meu pai assistiu a formatura, não passou mal e ficou muito feliz. Leciono na EMEF Octávio Mangabeira há dezenove anos. Antigamente existia um passeio para os formandos da 8ª série, era um acampamento. Quem organizava era o professor Edson, vice-diretor na época. Durante 8 anos fui escolhida pelos alunos para acompanhá-los. Estes acampamentos eram divertidos porque ficávamos mais próximos dos alunos devido às atividades diversificadas realizadas no próprio acampamento.

Hoje, me sinto realizada como professora, sei que colaborei com a formação de muitos adolescentes e no futuro pretendo me aposentar, cuidar dos meus gatos e fazer o meu tricô.

(História de outubro de 2008)

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