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OUTRAS HISTORIAS
 

Claudio Padua


NOME: Cláudio Benedito Valladares Pádua

DATA DE NASCIMENTO: 14/04/1948

LOCAL: Rio de Janeiro – RJ

DATA DA ENTREVISTA: 20/01/2005



"Minha mudança foi drástica, porque se não fosse drástica não ia ter mudança. Também foi sofrida porque eu não ia conseguir fazer se não fosse assim."




 

Na década de 70, meu irmão mais velho comprou uma corretora de valores e começou a trabalhar com essa corretora, e ela cresceu. Meu irmão era maníaco depressivo, então ele construiu um castelo de cartas monumental e eu fui com ele, envolvido naquilo. Nesse momento, eu estava ganhando extremamente bem e comecei a ter uma vida de executivo de salário alto. Mas depois os negócios dele começaram a ruir, porque chegou a um ponto de loucura completa e total. A família da minha mulher tinha uma empresa industrial, na área de produtos veterinários, e com a falência do grupo financeiro eles me chamaram para ir trabalhar com eles. Eu tinha algum dinheiro, mas eu estava me sentindo infeliz com aquela situação.

E aí em 1977 eu tomei a decisão de que eu ia mudar isso. Foram momentos de introspecção e discussão sobre as razões de fazer as coisas e por que é que a gente faz. Isso foi gerando certa angústia existencial que culminou em 1979, quando um dia eu saí pela porta da indústria no final de uma tarde e disse: “Eu não volto mais aqui.” Eu tinha 30 anos. E aí ficou uma situação doméstica naturalmente muito complicada. Eu estava convicto de que estava fazendo a coisa mais certa do mundo, mas você não faz uma ruptura dessas sem conseqüências. Meu dinheiro acabou ao ponto de não ter dinheiro para pagar conta de luz.

Nesse período resolvi fazer uma tentativa de ir à Brasília. O IBAMA é o resultado da junção de quatro instituições, e a mais conhecida delas era o IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), onde estavam os Parques Nacionais do Brasil, as reservas todas. A diretora era uma agrônoma chamada Maria Tereza Pádua, que não é minha parente direta, mas era casada com um primo chamado Luis Fernando Pádua. Eu pedi uma audiência e fui falar com ela: “Maria Tereza, eu estou nesta situação e estou procurando trabalhar com alguma coisa ligada à natureza. Eu não sei bem por que é que eu entrei nessa situação, mas meu coração dizia que eu devia fazer isso. Minha mudança foi drástica, porque se não fosse drástica não ia ter mudança. Também foi sofrida porque eu não ia conseguir fazer se não fosse assim” Aí ela disse assim: “Eu estudaria Biologia.” Eu falei: “Você acha que isso resolveria?” Ela disse: “Eu acho que ajudaria”.

Eu saí, voltei para o Rio de Janeiro e comecei a procurar onde é que tinha vestibular de Biologia. Eu me inscrevi, fiz vestibular e passei, uma das melhores classificações no vestibular. E aos 30 para 31 anos entrei na Escola de Biologia para estudar Biologia. Já tinha mulher e um filho. E aí eu resolvi fazer certa concessão e voltar a trabalhar em administração, mas não de tempo integral, tentando fazer consultorias e trabalhos esporádicos para poder sobreviver. E comecei estudar Biologia dessa forma.

Então foi um jogo, até que a confiança foi se estabelecendo, e pudemos fazer um trabalho fantástico também com o Ministério do Trabalho. Criamos a Primeira Semana dos Direitos Humanos, em junho de 97. Foi um escândalo, um autêntico escândalo, um choque mesmo, porque ninguém havia tocado nunca nas siderúrgicas do país. Era a pedra sagrada - continua sendo -, mas na época muito mais. Quinze dias depois foram fechadas dezenove carvoarias! As dezenove que havíamos denunciado.



 

 

 


 


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