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OUTRAS HISTÓRIAS
 

Elmo da Silva

NOME: Elmo da Silva Amador

NASCIMENTO: 22/08/1943, Itajaí–SC

DATA DA ENTREVISTA: 18/06/2009


"Eu passei a ver o mundo com um olhar muito crítico, de ver muita injustiça social. Essa desigualdade me marcou muito em termos de militância social, depois ela imbricou com a militância ambiental."


Meu pai era pobre. Minha mãe deixou de trabalhar. Então nós vivemos em situação de extrema penúria. E eu passei a ver o mundo com um olhar muito crítico, de ver muita injustiça social. Essa desigualdade me marcou muito em termos de militância social, depois mais tarde militância política, e depois a militância política ela imbricou com a militância ambiental.

Então eu sempre fiz essa ponte: conhecimento-militância. O conhecimento servia de munição pra militância. O meu primeiro grande embate na área ambiental foi na década de 70. 78, mais ou menos, quando existiu um grande projeto que ia impactar na Baía de Guanabara como um todo. Era o chamado Projeto Rio, que visava aterrar cerca de 27 quilômetros quadrados da Baía de Guanabara. A gente travou uma luta grande na mídia, e em organização de movimentos. A gente conseguiu organizar os moradores das favelas da Maré, que seriam removidas. Eu consegui envolver a universidade. Eu, Marcelo Ipanema, teve umas pessoas importantes do movimento e da minha vida, e nós fizemos uma pressão contrária.

Aí criou uma comissão de meio-ambiente na AGB – Associação dos Geógrafos Brasileiros – e dos geógrafos também, e a gente fez um movimento em torno desses três pilares: meio-ambiente, universidade, ciência. E foi um embate importante porque obrigou o governo a recuar, não aterrar toda a região; o projeto que ia remover os favelados pra longe foi transformado num projeto social, e esse projeto social projetou a reocupação na mesma área. Eles mudaram a área, aterraram, mas a população foi reabsorvida na própria área; e sob o prisma ambiental.

E o outro foi de defesa dos manguezais da Baía, que demorou muito! A gente teve que se impor a um outro projeto que existia, chamado Projeto Fundo da Baía, que ia drenar a área, ia aterrar, ia destruir tudo! Em 1984 foi criada a reserva. O movimento começou em 78, e só em 84 foi criada! Foi a primeira reserva de manguezal que se criou no Brasil! E foi talvez a primeira gerada por um movimento ambientalista, naquela época. Garantiu o pouco que ainda existe de vida na Baía de Guanabara. O que existe de pesca, de peixe, de pescador, tem uma ligação estreita com esses manguezais que foram preservados.



 

 

 


 


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