NOME: Gilceir do
Nascimento
NASCIMENTO:
26/10/1959, Magé–RJ
DATA DA
ENTREVISTA: 18/06/2009
"Se o homem tivesse mais um
pouquinho de consciência e deixasse a Baía de Guanabara um
ano parada, pra despoluir, ela não ficaria como está
não. Porque a palavra “mudança” é o
cotidiano. Todo dia você vê uma mudança."
Eu já pesquei de
tudo, pesquei de rede, de anzol, de espinhel, de tarrafa. Você
tem que ter uma meta. Você tem que fazer uma meta e sair em
busca. Vai buscar o peixe e, custe o que custar, seja no frio, seja no
sol, seja na noite. A pescaria, ela te ensina a trabalhar. Eu tinha uma
técnica de escutar o peixe. Botava o ouvido assim no fundo do
barco e escutava o peixe cantar. A corvina tem um cantar, a
piraúna tem outro, a pescada tem outro, e a gente aprende a
praticamente identificar o peixe pelo som que ele emite. E com a rede
apropriada tu vai pescando
Mas a pesca evoluiu de uma tal maneira que virou pesca
predatória. A pesca do camarão, por exemplo, acabou com a
Baía de Guanabara. A pesca foi se escasseando com muito barco.
Tem barcos que pesca com a rede atolada. Ele pesca um palmo abaixo da
lama, pega o camarão até que está enterrado. O
camarão entra pra desovar, o cara pesca, motores imenso, aquela
coisa. Na nossa época, já era destrutivo, imagina agora,
um barco desses... um não, vários barcos desses
trabalhando lá, revirando a lama. Mata até com a
hélice.
Aí a ONG veio porque sempre gostei muito de meio ambiente. Uma
prima da minha mulher, que ela estava fazendo um mestrado, ela falou:
“Eu vou fazer um projetinho.” Aí ela fez um projeto
dentro do que a gente queria, dali foi surgindo as idéias e
fizemos uma Ongzinha. Foi há uns 15 anos atrás. Só
que ela ficou assim, fazia a ação, mas ela nem tinha
registro. Aí em 2000 nós registramos, Grupo
Ecológico Preservando o Amanhã.
O Grupo Ecológico Preservando o Amanhã é um grupo
sócio-ambiental. A gente faz a parte ambiental, trabalha com
repovoação de rios, florestas, faz muda de planta, planta
nativa, tipo: picuíba, murici, sassafraia, óleo
copaíba, catobá, jequitibá; a gente faz pra
repovoar as áreas degradadas. E essa Baía se renova todos
os dias. Eu fico encantado. Quer dizer, eu já conheci ela bem
mais rica, mas se o homem tivesse mais um pouquinho de
consciência e deixasse ela um ano parada, pra despoluir, ela
não ficaria como está não. Porque a palavra
“mudança” é o cotidiano. Todo dia você
vê uma mudança.