NOME: Hermógenes de Andrade Filho
NASCIMENTO: 09/03/1921, Natal-RN
DATAS DA ENTREVISTA: 17/07/2009 e 14/08/2009
" A minha
transformação foi tão grande, foi tão
profunda, tão convincente, tão festiva, que até
hoje eu festejo."
Eu tinha me matriculado na
faculdade católica, inspirado pelo meu desejo de conhecer melhor
a minha religião. No dia da primeira aula eu soube que o
professor de Teologia era um teólogo com curso em Roma. Eu
festejei na minha alma, eu disse: “Graças a Deus, vou ter
quem me esclareça, quem me dê uma solução
para minhas perguntas.” Quando o infeliz do professor disse
“Alguma pergunta?”, eu levantei imediatamente. Aí
fiz a minha pergunta, e sabe qual foi a resposta dele? “A sua
pergunta já é uma heresia.” Dei o fora da
universidade e da religião, passei alguns anos trabalhando e
aí comecei a estudar filósofos brasileiros e me enriqueci
muito com a literatura do Espiritismo, com literatura da Índia,
principalmente a Bhagavad Gita, que é uma conversa, uma
catequese de Krishna para o homem. Eu senti a Bhagavad Gita, senti
Krishna me devolvendo o Cristo. Eu encontrei um Cristo muito amoroso
nesse livro. Como eu estava com a Bhagavad Gita mais e mais, um dia
numa livraria eu encontrei um exemplar de um livro fino, pequeno, o
Hatha Yoga; meses depois outro também de Hatha Yoga, de outro
autor. Aí eu formei a ideia do que era Hatha Yoga. Aí eu
vi que o Hatha Yoga pode curar, pode melhorar, pode promover a
felicidade humana.
Bom, aí continuei minha vida de estudos; fui da Sociedade
Teosófica, cheguei a vice-presidente, mas eu estudei tanto que
de repente eu comecei a sentir, nos fins das tardes, um desânimo
terrível, fraqueza. Era tuberculose. O médico que me
tratou, disse: “Eu lamento dizer, Hermógenes, mas a sua
doença é muito séria. Você vai ter que fazer
uma cirurgia.” Tive que fazer uma cirurgia absolutamente
indispensável. Na manhã da cirurgia o médico
encontrou comigo, o cirurgião, e me explicou uma coisa
terrível: “Quero adiantar a você que você vai
sentir todas as dores da cirurgia, porque eu não posso aplicar
anestésico. Eu vou fazer cortes e queimar e, perdoe, porque pra
isso terminar bem você não pode fazer nenhum movimento de
defesa e nem gritar.”
Teve uma hora que ele estava cortando e queimando, e eu sabia que ia
morrer de tanta dor. Aí eu me lembrei que tinha lido a Bhagavad
Gita, Krishna explicando o destino depois da morte, que ele é
determinado pelo pensamento que você tem na hora de morrer. Se
você morrer dizendo: “Deus, Jesus Cristo, Krishna,
Buda...” você está se prevenindo pra, se morrer, ir
pra onde eles estão. E eu, na hora que eu vi que ia falecendo,
estava na hora de morrer, eu comecei a dizer o nome de Deus. Foi quando
o médico fechou a incisão e eu fui pra casa.
Eu passei tudo isso confiando em Deus. A minha
transformação foi tão grande, foi tão
profunda, tão convincente, tão festiva, que até
hoje eu festejo. O primeiro passo nesses festejos foi eu chegar aos que
sofrem, de alguma forma, para suavizar a sua dor, pra livrar do
sofrimento, para reduzir esse sofrimento. Eu sei que isso é uma
maneira de expressar a minha gratidão e foi aí que eu fui
fazendo meus estudos e danei a estudar, porque eu concluí que me
tornando um escritor eu poderia chegar ao lar de uma pessoa que
está lá na Amazônia ou na Coréia. Aí
eu danei a escrever livros para propor uma ciência nova, que se
chamaria yogaterapia. Eu tinha aprendido que a gente tem que viver
afirmando a nossa saúde, a nossa paz, a nossa vitória, e
nunca o oposto.