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OUTRAS HISTÓRIAS
 

Irany Dantas da Costa


NOME: Irany Dantas da Costa

DATA DE NASCIMENTO: 02/12/1961

LOCAL:Formosa – Registrado em Cabeceira-GO



"Depois que eu comecei a mexer com coleta de material reciclável, fui resgatando a cidadania, porque para a sociedade eu era um bicho. Resgatei a cidadania lutando na rua."


Eu mudei para a cidade estava com 10 anos. Tinha uma grande diferença da roça pra cidade, porque na roça a gente tinha uma paz diferente. Eu estranhei esse negócio de uma multidão de gente, da cidade crescendo. Tinha muito carro e negócio de televisão, luz... eu era acostumado com lamparina.

Na cidade uns seguiram o caminho certo, e eu já fui para o outro lado, comecei a beber. Comecei a beber com 10 anos. Na rua, começavam as amizades, o pessoal levando para o lado errado. Um dia comecei a usar droga. Foi uma cabeça de nego, fumo preto. Fui parar no hospital, pensei que ia morrer. O médico me deitou na cama, abriu meu olho: “Não, pode levar ele para casa, daqui a uma meia hora ele está bom”. Foi onde meus pais já descobriram que eu tinha usado pela primeira vez. Depois, usei a segunda vez, não passei mais mal. Larguei a bebida e comecei a fumar, fumei até 98. Mas nesse ano eu peguei uma cadeia de nove meses. Passei Natal e Ano Novo preso e falei: “De agora para a frente, vou parar”.

A minha mulher era agente comunitária de saúde e teve a idéia de montar uma cooperativa de catadores de material reciclado. Eu falei para ela: “Quando eu estava na cadeia eu jurei que o dia que eu saísse, nunca mais ia mexer com droga”. Foi quando eu encarei a cooperativa, ajudei a fundar e estou até hoje.  E eu já mexia com isso há 18 anos, juntava material no fundo do quintal e vendia para Brasília, fazia a carga e ligava para o rapaz, ele ia lá e buscava. Só que aí deixei de lado, passei uns tempos trabalhando de pedreiro e como as drogas também eram demais, parei. De 99 para cá eu peguei com mais garra mesmo, abandonei tudo quanto é tipo de serviço. Aí como ela teve essa idéia, nós juntamos as pessoas e formamos o grupo.

Depois que eu comecei a mexer com coleta de material reciclável, fui resgatando a cidadania, porque para a sociedade eu era um bicho. Resgatei a cidadania lutando na rua. E o trabalho é bom para o meio ambiente também. Pelo que eu sei que a cada quilo de papelão que você cata, você está dando vida para 20 árvores. Poxa, já recuperei milhões de árvores que não foram derrubadas. O que eu tenho pegado de papelão não é pouco não.



 

 

 


 


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