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OUTRAS HISTÓRIAS
 

Maria da Silva

NOME: Maria Aparecida da Silva Trajano
(Tia Cida)

NASCIMENTO: 31/05/1941, São Paulo-SP

DATA DA ENTREVISTA: 15/07/2009


"A gente evoluiu a ponto de procurar algo mais pra gente; o sonho de que aquele seus filhos, crianças na época, conhecessem uma vida melhor, um mundo diferente."


Em 78, em São Mateus tinha chegado uns padres novos e eles queriam uma pessoa que fosse moradora antiga da área, e alguém me indicou e lá fui eu pra paróquia. Eu fiquei trabalhando muito forte em área social da paróquia. Eu fundei aquela catequese na área todinha de São Mateus, tinha mais de 16 bairros, então a gente tinha um conhecimento muito forte ali. Então nessa área de São Mateus acontecia muitas reflexões do que a gente enfrentava. Eu tinha quatro filhos, pequenos. Eu batalhava pelos meus quatro filhos. Então a gente raciocinava os problemas da comunidade na reunião, frente um Evangelho de João, de Marcos, Mateus. Uma área de São Mateus, terrível como era a nossa, que não tinha um posto de saúde, o bairro crescendo... Como é que a gente ia se organizar pra esse tipo de coisa?

Então, eu me lembro de uma vez que a gente questionando, acho que com Evangelho e chegam com não sei quantas metralhadoras: “Quem que é responsável por isso”. “Sou eu”. “Quem é a senhora?”. “Eu dirijo a catequese, tô fazendo reunião com os pais”. “Nós ouvimos uma denúncia, tá tendo uma reunião subversiva”. É, realmente eu acho que o Evangelho sempre foi subversivo. Aí eles “Ai, vocês me desculpem”. Foi o ponto mais alto que eu vivenciei aqui até hoje. Então foi uma experiência muito rica, cresci muito nessa época. Fazia muito cursos também, social e político. A gente evoluiu a ponto de procurar algo mais pra gente; o sonho de que aquele seus filhos, crianças na época, conhecessem uma vida melhor, um mundo diferente, que não fosse repressão. Onde tivesse um pouco mais de liberdade de escolha.

O que eu trago de concreto hoje dessa época da paróquia é o movimento de saúde, que é uma realidade hoje histórica muito forte na nossa área – acho que foi o movimento que mais rendeu! Foi dessa época que começou os primeiros passos do movimento da educação, que eu acho que foi um braço do movimento de saúde. Cada área nossa tem uma creche hoje e não foi à toa; cada bairro nosso tem uma escola e não foi à toa. Também, você, querendo ou não querendo, o SUS é uma conquista da gente, trabalhada por muito tempo! E um braço pro movimento de transporte saiu do movimento de saúde. A expansão dos ônibus não chegava em São Mateus. Aí fizemos uma reclamação terrível. Na semana seguinte entrou a CMTC Especial em São Mateus. Falei: “Gente, mas por que é que veio o especial? É mais caro pra nós por quê? Porque nós somos pobres, pretos? Vamos voltar!”. Voltamos e fizemos outro esparramo. Na semana seguinte tava o preço comum. Então essas coisas é muito gostoso de lembrar. E falar pro pessoal que sem história, sem luta, você não consegue nada!



 

 

 


 


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