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OUTRAS HISTÓRIAS
 

Otunba Adekunle Aderonmu


NOME: Otunba Adekunle Aderonmu

DATA DE NASCIMENTO: 25/12/1964

LOCAL: Abeokuta – Nigéria

DATA DA ENTREVISTA: 29/09/2008





"Eu queria me sentir útil para a comunidade, de uma forma ou outra. É muito raro você ver um africano falando sobre culturas africanas."




Na África, depois que a gente faz faculdade, é obrigatório você fazer o exército. Quando terminei a minha formatura, na área de Bioquímica, eu fui levado para outro estado, para servir o governo. Então a minha primeira viagem fora da família começou aí. Eu saí para outro estado, mas eu não consegui me adaptar porque peguei alguma doença que fiquei com as costas inchadas, e deu uma coisa como se fossem bichinhos dentro daquelas feridas. Então eu consegui voltar para o Sul, onde é o povo iorubás, e de lá eu consegui mudar para outra empresa, e melhor. Essa empresa já era internacional, e minhas convivências já me estimularam a sair do país. Eu estava em nossa biblioteca um dia e vi que eu podia estudar no Brasil, na Universidade de São Paulo, como estrangeiro e sem pagar. Eu entrei no meio e acabei conseguindo. Só que depois eu descobri que o meu caminho era outro, que eu ia desenvolver a parte da cultura e acabar abandonando a Bioquímica. Acabei deixando e comecei a desenvolver o lado cultural africano, porque eu descobri aqui no Brasil que brasileiro tem muito a ver com africano, e vice-versa. E está precisando de mais pessoas pra pensar na parte de desenvolver um centro que possa fazer este ensinamento.

A mudança chegou quando eu descobri que em todo o lugar que eu ia as pessoas só me perguntavam sobre minha cultura, às vezes sobre a religiosidade. Descobri que eu falo muito mais disso do que a própria Bioquímica. Aí eu descobri que eu podia ser mais útil nessa área cultural. Eu queria me sentir útil para a comunidade, de uma forma ou outra. É muito raro você ver um africano falando sobre culturas africanas. Aí eu mudei tudo.

Então comecei a atuar, a juntar alguns amigos que tem uma idéia semelhante a mim, e que gostariam de participar dentro dessa jornada. Hoje estou lutando para que a gente consiga desenvolver este projeto, um espaço cultural, que foi uma arquiteta nigeriana que projetou. Então, sou presidente, mas também sou administrador de tudo. E esse espaço será de três andares: o primeiro andar vai ser um museu; o segundo andar vai ser uma biblioteca; e no último andar vai ser um espaço de multimídia, onde vai ter palestras. E justamente lá que nós vamos usar mais para o desenvolvimento de nosso próprio projeto. A gente vai deixar a parte do museu e da biblioteca para as comunidades que gostariam de visitar a África, ou algum pesquisador que queira aprofundar na parte da África, e fazer uma parceria junto com uma universidade. Também vai ter uma cozinha africana e uma vez por mês os alunos vão preparar algumas comidas para as comunidades que queiram saber como é a comida africana. Então a gente vai fazer um happy hour nesse centro cultural para juntar os povos, com danças africanas, para que as pessoas consigam entender mais sobre nossa cultura.



 

 

 


 


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