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OUTRAS HISTÓRIAS
 

Paulo Nogueira


NOME: Paulo Nogueira Neto

DATA DE NASCIMENTO: 18/04/1922

LOCAL: São Paulo - SP

DATA DA ENTREVISTA: 21/12/2004




"Isso teve uma influência muito grande na minha formação: ver aquela floresta, no correr dos anos, sendo destruída."




Em 1939, eu vi uma coisa que me marcou muito: as rotas de avião até a Argentina eram: São Paulo a Curitiba, depois Foz do Iguaçu, aí Assunção e, por fim, Buenos Aires. Na primeira etapa até Foz do Iguaçu não se via mais nada em matéria de civilização. Não se via mais nem uma casa, nem uma estrada, nada. Só floresta. Depois, levantava vôo de Foz do Iguaçu e até perto de Assunção também não se via nada, só floresta. Essa era a Mata Atlântica. Imensa. Isso teve uma influência muito grande na minha formação: ver aquela floresta, no correr dos anos, sendo destruída.

Aqui em São Paulo havia, no Pontal do Paranapanema, uma floresta contínua. Essa floresta, de 150 mil hectares, eu também sobrevoei pra examinar. E também essa floresta quase que desapareceu durante a minha existência. Mas pra evitar a destruição da floresta, com mais dois amigos, o Travassos Filho e o José Carlos Reis Magalhães, eu fundei uma associação. Chamava-se Associação de Defesa da Flora e da Fauna, porque pra nós era importante a conservação. Naquele tempo, se defendia a fauna e a flora, que até hoje é importante, mas depois nós aumentamos essa preocupação também com o combate à poluição, com outras formas de degradação ambiental. Agora, tem todo o problema do aquecimento climático, mas naquele tempo o meio ambiente se resumia em defender as florestas, praticamente.

Isso foi em 1953.  Cada um de nós comprou três blocos e imprimimos o nome de três entidades, uma em cada bloco, e desandávamos a escrever carta a torto e a direito pedindo o apoio dos deputados. Até que um deputado fez um discurso contra um dos blocos, contra essa entidade. Aí nós dissemos: "Bom, agora está na hora de legalizar essa história”. Escolhemos um dos blocos, que era a Associação de Defesa da Flora e da Fauna, que hoje tem o nome de Associação de Defesa do Meio Ambiente - porque aumentamos o objetivo com o correr do tempo -, e começamos a adicionar essa luta. Teve algum resultado, porque o Renato Costa Lima, que era o Secretário da Agricultura, conseguiu proteger 32 mil, que é a Reserva do Morro do Diabo. Hoje é Parque Estadual do Morro do Diabo, que é a reserva mais importante do oeste de São Paulo. Essa área conseguiu se salvar. Então essa foi, digamos assim, a primeira luta que nós desenvolvemos. E naquele tempo, todos os ambientalistas de São Paulo caberiam dentro de uma Kombi.



 

 

 


 


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