NOME: Suzana Machado
Pádua
NASCIMENTO: 30/12/1950, Rio de
Janeiro-RJ
DATA DA
ENTREVISTA: 14/06/2005
"Comecei a trabalhar com
educação ambiental, tentando
passar para as pessoas uma noção de orgulho:
'Vocês
moram do lado de uma área que é uma das poucas
que ainda
restam, e com várias espécies
ameaçadas'.
Não se salva nada se as pessoas não tiverem esse
senso de
orgulho."
Ironicamente,
eu sou filha
de caçador. Papai foi o que eles chamam de big game hunter,
aquele caçador que foi à África duas
vezes, foi
à Índia, caçou uma cabra na Espanha,
que era
dificílima... era realmente empenhado nisso. Eu era pequena,
e
não existia a palavra conservacionista. O
responsável
pela minha grande mudança nessa área foi o meu
marido. O
Cláudio [Pádua] era formado em
administração de empresas, filho de
família
mineira política tradicional, que estava largando toda uma
vida
mais estável para ir trabalhar por um ideal, a
conservação da natureza no Brasil.
Então quando fomos morar no Pontal do Paranapanena, no Morro
do
Diabo, foi um choque muito grande, porque nós
estávamos
vindo dos Estados Unidos, com uma vida muito confortável, e
de
repente eu estava morando num casebre, no meio do mato, dentro da
reserva, que era um parque estadual. Eu chorei muito, achei que ia
fazer minha mala e ir embora. Mas comecei a trabalhar com
educação ambiental, percebendo que as pessoas
achavam
assim: “Por que não cortar tudo para fazer uma
fazenda de
gado? Porque isso pra mim não serve pra nada”.
Isso me
doía profundamente. Comecei a trabalhar com
educação ambiental, tentando passar para as
pessoas uma
noção de orgulho: “Vocês
moram do lado de uma
área que é uma das poucas que ainda restam, e com
várias espécies ameaçadas”.
Não se
salva nada se as pessoas não tiverem esse senso de orgulho.
Isso mudou absolutamente tudo na minha vida! Mas foi muito duro, eu
peguei leishmaniose, fiquei doentíssima. No
começo, eu
olhava para aquilo tudo com muito mágoa. Mas quando comecei
a
trabalhar com educação ambiental, me apaixonei e
acabei
fazendo mestrado. Eu acho que isso mudou tudo, mudou esse
senso
de que você está vivo por uma razão. A
gente
não está aqui à toa, a gente tem uma
coisa a
cumprir. E em 1992, criamos o IPE – Instituto de Pesquisas
Ecológicas.