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OUTRAS HISTÓRIAS
 

Yaguarê Yamã

NOME: Yaguarê Yamã

DATA DE NASCIMENTO: 03/10/1973, Nova Olinda do Norte-AM

DATA DA ENTREVISTA: 06/07/2007


" Eu gosto muito de ler, e não é de hoje que eu gosto. Eu acho que foi por isso mesmo que eu procurei expandir o meu sonho, o meu pensamento a respeito de tudo. "


O meu pai foi o maior contador de histórias que já existiu no meu povo. Quando chegava lá pelas três da tarde, o que ele mais gostava de fazer era arranjar um tempo para contar histórias para gente. Aí ele sentava num banquinho, no meio do terreiro, pegava uma flauta e começava a tocar. Os Saterés Mawés acreditam que existem dois remos sagrados de uma altura de um metro e meio, mais ou menos, e é onde está contido todas as histórias tradicionais de nosso povo, todinhas, desde o início do mundo. Então, a nossa literatura, tradicionalmente, é oral, mesmo estando escrito em forma de grafismo. Nem todo mundo pode ver o remo: é o remo sagrado, o Puratig, e ele é bem guardado. Só as pessoas mais especiais podem ver. Desta maneira, fica a cargo do pajé, dos tuxauas, que são os nossos governantes, e dos contadores de histórias, chamarem as crianças e contarem histórias tradicionais.

Por isso, aprender a ler português foi uma coisa... Demorei, demorei, mas aprendi assim mesmo, quando fui estudar em Parintins. E quando eu aprendi a ler, eu comecei a gostar dos livros. Eu gosto muito de ler, não é de hoje que eu gosto. Toda a hora eu estava lendo, querendo saber das coisas, aprendendo. Eu acho que foi por isso mesmo que eu procurei expandir o meu sonho, o meu pensamento a respeito de tudo.

Mais tarde, eu vim para São Paulo com a ajuda de outras pessoas, porque eu fazia faculdade. Aí eu comecei a fazer na Unisa, e conheci um amigo meu que eu gosto tanto, que é o Daniel Munduruku, que é um indígena que já estava aqui na cidade muito tempo antes. E ele estava iniciando a carreira dele de escritor, por intermédio de outras pessoas. Como outros abriram caminho para ele, ele também quis abrir caminho para mim. E foi assim, com as nossas conversas, que me ajudou no meu primeiro livro, que foi até pela Editora Perópolis, Puratig, que é o remo sagrado. Um livro infanto-juvenil. Nós indígenas, acho que temos essa capacidade, temos capacidade de escrever e de fazer a nossa própria história, ou seja, de escrever por nós mesmos. A nossa raça tem valor e deve ser respeitada e se fazer conhecida procurando os espaços também nesse universo literário.



 

 

 


 


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