Cristina Muffato das Graças Salomão

IDENTIFICAÇÃO

O meu nome é Cristina Muffato das Graças Salomão, nasci em 6 de Janeiro de 1976, aqui mesmo em São João del Rei. O meu pai é de descendência italiana, sua família veio morar aqui em Minas no final do século passado e a família de minha mãe tem sua origem aqui na cidade. Meu pai se chama Ubaldo Muffato e minha mãe Eva Maria de Oliveira Muffato. Na mesma casa em que nasci morei ate o dia do meu casamento. Tenho duas irmãs e um irmão, que é o caçula da casa.

CASAMENTO

Sou casada há cinco anos. Eu tenho um filho que já vai fazer sete anos e estou esperando meu segundo filho. Sou casada com Antônio Cláudio Salomão. Meu filho se chama Gustavo Henrique Muffato Salomão. Ele estuda no Pipocas de Mel, uma pré -escola municipal.

INFÂNCIA

Nós tivemos uma infância muito difícil, porque meu pai teve uma doença de origem desconhecida. Minha mãe viajava muito com meu pai para tratamento de saúde para muitos lugares do país. Nós tínhamos que ficar com os avôs e a tia isso foi uma coisa muito marcante que eu lembro de muitas cenas tristes de meu pai sentindo muita dor, até que papai perdeu a vista totalmente há quatro anos .A doença se chama Síndrome de Bessé. Mas só foi descoberta agora, muito tempo depois que ele perdeu a visão. É um vírus que ataca os nervos e infelizmente pegou os nervos da visão. No Japão é que tem o maior número de casos, no Brasil acho que tem 3 ou 4. Isso marcou muito a nossa infância e de certa forma, até nós impulsionou assim, a ter mais força, mais coragem. Porque era para gente ter desanimado, a minha mãe se acomodado mas ela foi à luta e nos incentivou a não desanimar nunca.. Ela começou vendendo fogão e depois como corretora de imóveis, venceu na vida. Foi à luta e mostrou para gente, que a gente também não podia ficar de braços cruzados, sem encarar o problema!

VIDA ESCOLAR

Fiz a pré-escola no Jardim de Infância Bárbara Heliodora. Na passagem para o primário, eu tive um problema, porque a doença de meu pai exigia um tratamento em outra cidade e por isso fomos morar na casa de meus avos. Logo no inicio do meu primário estudava na Escola Tome Portes del Rei, o prédio sofreu uma reforma e, nós tínhamos que estudar num local que ficava perto da casa de meus avos. Eu sentia aquela distância muito grande de casa, minha mãe viajando, meu pai viajando, eu estava sentindo que eles estavam me abandonando e chorava muito. a ponto da minha irmã mais velha, a Bete, ter que ficar na escola o tempo inteiro sentada comigo agarradinha na mão dela .Na segunda série. a Bete ainda freqüentava a escola comigo. E foi engraçado a forma como eu parei de chorar. Um dia a minha professora ficou bem brava, falou que ia me mostrar onde era a casa da minha avó. Deu a volta comigo no quarteirão pois minha avó morava nos fundos da escola ,bem pertinho.. Ela me mostrou que não precisava sair do passeio.E mostrou que era só contornar o quarteirão, nunca mais eu chorei. Então ela criou comigo um vínculo e até hoje, nós nos encontramos e conversamos muito. Dessa minha escola me lembro de muita coisa boa, porque eu participei também muito. das festas onde dançava a dança do pau de fitas nas festas juninas e no desfile de 7 de setembro eu ia sempre na frente como a baliza.. .Lá na escola tinha uma biblioteca, eu sempre gostei muito de ler, pegava muito livrinho, levava para casa Desde cedo aprendi a gostar de gibi pois ,lá em casa ,é a paixão de todo mundo, a começar pela minha mãe. Minha mãe ama gibi, então passou este gosto para todo mundo. lemos muito gibi, temos caixas nas nossas casas. Quando mamãe viajava com meu pai ela sempre queria mostrar , que ela não esquecia da gente, apesar da doença Ela sempre trazia revistinha , livros, muitos livros mesmo. Ela fazia parte que eu lembro, do Círculo do Livro. e lá em casa tem muita coleção de livro. Às vezes a gente pensa em doar estes livros para uma biblioteca que precise.

INSTITUTO AUXILIADORA.

Depois do primário nós continuamos os nossos estudos não desanimamos. As minhas irmãs já estudavam na época no Instituto Auxiliadora meus pais procuraram nos manter nesta escola. Eu entrei na 5º série e continuei, lá eu continuei, entrei para o Instituto Auxiliadora e fui até o 1º ano básico do ensino médio. Desta escola eu me recordo do professor Dinho , ele me marcou muito, porque ele era um professor que comentava sobre política, abria muito os olhos da gente para a realidade que estava acontecendo, porque ele era professor de História e Geografia, , fazia uma relação com o dia a dia, com a vida nossa cotidiana, com os fatos da história nos influenciando, em que pontos eram diferentes e semelhantes . Ele incentivava- nos a escrever muito sobre isso, sobre a política atual, sobre a nossa história atual, .Fazíamos a leitura de jornal, discutíamos a reportagem, fazíamos um paralelo. Havia a irmã Maria Helena foi professora de Português e foi com ela que nós escrevemos esses livros fazíamos muito teatro, auxiliados pela irmã Zélia que dava aula de expressão corporal, teatro, música .Tenho saudades daquele encontrão que a gente fazia no Domingo. Já quando a escola marcava aqueles livros obrigatórios era muito chato, tínhamos que fazer aqueles trabalhos, Eu acho porque era tudo era muito imposto, marcado, , eu não gostava. Nessa época a biblioteca não funcionava muito não, a gente pagava pelo livro um aluguel caríssimo .

CURSO NORMAL

Porque eu queria fazer o magistério e a escola não formou uma turma de magistério eu e minhas colegas com este mesmo objetivo fomos estudar no Nossa Sra. das Dores.. O diretor montou uma turma especial para gente, porque o colégio , se não conseguisse manter a habilitação para o Magistério Depois chegaram mais cinco outras alunas e a turma aumentou ,e no final do curso acabaram se formando somente nove professoras. .Nos éramos uma turma muito gostosa ,muita amiga. Eu me formei no ano de 1993 levando saudades dos professores que lecionavam da Elizabeth, Carvalho, que trabalhava na Delegacia de Ensino e da dona Adna. e porque estudamos junto com o científico., tivemos uma boa base de Física, Química e Biologia..

INICIO DE CARREIRA.

Eu me formei professora em 1993.e logo depois de ter passado no vestibular de ciências, não consegui vaga para lecionar de 1º à 4ºserie. Fui numa chamada no Garcia de Lima para matemática, e este foi o meu 1º contrato no Estado. Era o contrato para 20 dias, trabalhando como professora leiga e mais tarde ele foi prorrogado para seis meses., fiquei dando aulas de Matemática de 6º e 7º série. Foi essa a 1º experiência. No ano de 1995, quando instalou o curso primário no Instituto, eu entreguei meu currículo e a irmã me chamou para trabalhar na biblioteca do Instituto que naquela época não funcionava muito bem . Isso me desestimulou um pouco, fiquei só 4 meses, porque ficava horas trabalhando, só alugando os livros para os meninos e à noite eu fazia faculdade. Penso que elas estavam querendo montar um projeto, mas não tinha montado Eu desisti, porque eu vi que não era a minha ficar lá parada na biblioteca o dia inteiro.

FACULDADE

Quando eu entrei para Ciências, eu gostava muito de matemática e física, eu me sai muito bem no colégio em matemática e física. Então eu quis fazer ciências porque eu gostava disso. As matérias exatas em si, são muito difíceis mesmo, química, matemática, . Eu não entendia nada que ele falava, eu repeti matemática uma, duas vezes e fui reprovada todas as duas vezes.. Sempre fui boa aluna em matemática minha média era de 90 para cima, e naquela época tinha pontuação mesmo, tinha que tirar acima de 60, sempre boa aluna e não consegui. Então eu desisti deste curso. Agora entrei na faculdade para a Pedagogia e por enquanto eu estou achando que não tem muito a ver com a realidade de escola . Ainda não consegui assim, fazer uma relação da faculdade com a escola. Eu acho talvez devido ao fato deste ano ser o básico . assim, filosofia, sociologia geral, eu não estou conseguindo fazer uma relação com a minha pratica .Mas gostaria de falar de uma disciplina chamada Relações Interpessoais que foi excelente! Amei ter feito a matéria, muito boa mesmo e isso é que me ajudou também, porque eu pegava as dinâmicas lá e aplicava na sala também com os meninos. Os resultados foram bons também, as relações entre os alunos melhoraram.
Os professores indicam livros e na parte de Sociologia Geral, a professora esta ,falando sempre do contexto . Então deu um trabalho para gente fazer agora e ela falou que o nível tinha que ser bom, e deu a bibliografia para a gente pesquisar na biblioteca. .Nos tivemos muita leitura, estudamos muito naquela época, porque a gente teve que estudar Weber, para apresentar trabalho, eu fiquei nervosíssima no dia da apresentação. Então, nós nos empenhamos muito nesse trabalho, o trabalho foi de um nível excelente, não deixou nada a desejar . Tiveram trabalhos ali que os alunos deram umas aulas que os professores nunca tinham dado.
O nível da turma é bom Inclusive tiveram alguns professores que comentaram sobre isso, que a turma é muito unida. Por enquanto todos os cinqüenta alunos estão conseguindo caminhar juntos, , isso facilita porque um ajuda sempre o outro. Nem todas pessoas da turma são profissionais na área , poucos trabalham nela mas todos se mostram interessados no curso.


TRABALHO COM O PRIMÁRIO .

Fiz concurso para o estado e fui aprovada, comecei a comparecer nas chamadas para lecionar de primeira a quarta serie. Em 1997 consegui uma vaga na Escola Estadual Amélia Passos, em Santa Cruz de Minas., antigo distrito de Tiradentes numa turma diferente porque pela primeira vez o Ciclo Básico de Alfabetização ampliou sua duração para mais um ano. Então a escola montou uma turma só com os meninos que estavam retidos há muitos anos no CBA e que tiveram que ser aprovados, para o 3º ano. Os alunos estavam quase todos com 11,12 13 e 14 anos A escola fazia um trabalho de recuperação fora do horário, mas lá é uma escola muito difícil! Os meninos iam à escola sempre a procura da merenda. Então era assim, uma turma muito grande, muito agitada, assim... os objetivos deles eram mesmo merenda, porque passavam fome em casa. Carentes demais! Quando não ficavam na rua, a gente custava levar para a escola, e no atendimento pedagógico, à tarde, eles não iam de jeito nenhum.

UM APRENDIZADO

Eu comecei a aprender com eles ali, e a princípio, eu quis desistir. Tinha meninos grandes que até agrediam mesmo. O palavreado deles revelava muita falta de respeito, de noção de limite, de trabalho coletivo Alem do mais eles não tinham organização para nada, não tinham material e não tomavam banho de jeito nenhum. Começaram a aparecer problemas de sexualidade na sala, foi um problema muito grande, Então começamos um trabalho coletivo :eu ,.a supervisora, a diretora,, nós juntamos e fizemos um projeto para as 2 turmas assim, formaram duas turmas. Então nós unimos e começamos à trabalhar. E foi assim um resultado excelente! Porque eles eram 30 alunos e, desses 30, 24 saíram alfabetizados, os outros 6 alunos ... eram casos que precisavam de um acompanhamento mais especializado. Aqueles meninos estavam precisando de palavra de carinho mesmo, de muita atenção. Então, a gente começou com atividades de dinâmicas de relações e intervenções, porque eles brigavam muito uns com os outros, E deu resultado. Depois eles foram para o 4º ano, alguns repetiram o 4ºano, e ainda temos meninos no colégio hoje. Conseguiram, e estão indo bem, a gente não achava que eles iam desistir, não. E muitos depois foram para a turma de aceleração, para aquela turma de aceleração do 4º ano, porque eles estavam com idade mais avançada. São muitos meninos que não deixam você chegar perto, não deixam conversar, muito agressivos, eles precisam mesmo de um pouco mais de atenção e carinho e foi com esse jeitinho, a gente fazendo muita dinâmica, vendo muito filme, ouvindo e falando com eles . Até o Pedro, o psicólogo que hoje atende aqui, atendia lá na época, fez um trabalho assim muito bom com eles. No projeto de capoeira, eles se mostraram muito interessados. E isso me deixava me muito amedrontada, porque eles davam cada salto enorme, eu morria de medo. No outro ano eu dei aula numa turma excelente do 2º ano. Depois no 3º ano de trabalho, eu trabalhei lá de novo, como recuperadora emergencial, dos meus alunos daquela 3º série, eu peguei eles lá naquele primeiro ano de trabalho . O professor emergêncial funcionava na escola no período da tarde, e o objetivo era mesmo para acelerar a alfabetização E depois que conheci o projeto Identidade aqui da escola ,posso dizer que se a outra escola tivesse este projeto com a valorização da auto- estima, certamente os meninos teriam conseguido mais. E poderiam ter tido muito mais resultados, se tivessem tido uma professora mais experiente que eu.. E não tiveram porque era o meu 1º trabalho com eles, eu não tinha experiência, então eu precisei de muita ajuda, tive muita ajuda de todo mundo lá. Então, mas eu acho que se hoje eu pegasse aquela turma hoje, eu teria feito muito mais.

TROCAS DE EXPERIÊNCIAS NA ESCOLA ESTADUAL MATEUS SALOMÉ

Encontrei nesta escola, onde trabalho atualmente, muitas colegas que me ajudaram na minha pratica Eu gostaria de ser como elas que sabem dar uma dica legal, dividem a sua experiência com as outras , ,podem repartir o que vão aprendendo. E sabem apontar as falhas de uma forma construtiva, o sua dificuldade como uma coisa para se construir, para melhorar , para prevenir e não deixar para falar depois que já não tinha mais tempo. Hoje eu pude reconhecer que alguma coisa não funcionou bem, depois que elas passaram a ser vistas ,de outra forma., discutindo na prática. Conversando com as colegas percebi que trocava mais e que elas me ajudam a melhorar. tive muitas dicas , de coisas simples do dia-a-dia, que eu acho que complicam, que atrapalham um pouco, porque tem coisa que você nem percebe que você está fazendo, e acabam num tumulto grande A minha perspectiva do futuro é que eu melhore mais ainda e possa ver os erros que eu cometi agora, para melhorar para outro ano. às vezes. Alem da reunião pedagógica, fora da hora do módulo, também você pelo o que você falou aí, isso existe também na hora de um café, de uma atividade coletiva , tenho a liberdade para comentar sobre algumas questões da minha sala que não estão dando certo, causam tumulto. Sempre alguém me dá uma dica: mostrando como vem fazendo la na própria sala .A gente mantêm este contato na hora da merenda no refeitório, enquanto nossas crianças lancham juntas, a gente fica sempre conversando, fazemos muita troca . Eu gostei muito do ambiente daqui, das professoras, do clima das professoras, a diretora também excelente, me deu muita forca Percebo uma relação muito boa, construtiva., entre a maioria da turma! Inclusive, por exemplo, um dia que alguém precisa faltar à tarde, me pede, eu venho, ontem eu precisei ir ao médico fazer um exame, então a outra colega trabalhou para mim. Então assim, eu vejo que a relação entre a maioria das colegas é muito boa! Tem muita solidariedade.
Toda vez que tem cursos para professores na FUNREI eu sempre faço. Eu fiz curso no CTE (Consultoria Técnica Educacional) em Belo Horizonte... fiz um curso lá de pré-escola, ainda quando fazia o Magistério .O Estado oferecia cursos, enquanto eu estava como professora recuperadora no Amélia Passos, e sempre eu me oferecia para fazê-los.

A QUESTÃO DA LEITURA

Eu vejo a questão da leitura como a coisa mais importante, pois tudo depende da leitura. Eu sempre planejo junto com meus alunos e com a equipe da escola Os alunos sempre levam os livros do Cantinho de Leitura para casa , e antes, anotam o nome do livro numa ficha para terem um controle dos livros que já leram. .Eles tem a liberdade para escolher o livro .A gente sempre faz na segunda -feira uma roda e ficava livre nesta hora para quem quisesse falar.. E, quem quiser, e' espontâneo, pode contar a historia do livro se e bom ,se gostou, porque gostou e sempre faz a propaganda com a recomendação ,se o livro e bom, se não e ,e ali eles trocam os livros .
Temos outras maneiras de trabalho .Sempre e escolhido para o bimestre um livro para trabalhar. Um trabalho literário mais aprofundado . ,mais por temas. E nós procuramos , por exemplo, no dia dos pais, dia das mães, não ficar só naquilo de poesia bonitinha Nós pegamos muito a literatura , textos para os alunos verem os vários tipos de relacionamentos entre pais e filhos. Para o dia das mães, nós lemos o livro Juca das Rosas. Foi um livro lindo, nós trabalhamos muito, nós fizemos propaganda, pregamos tudo lá fora, no mural fizemos painéis, tudo sobre o livro do Juca das Rosas. No dia dos pais, fiz diferente, eu tinha oito historias diferentes e eram livrinhos assim mais finos,, e eu contei para eles a história, fiz na rodinha. Estes livros contavam as historias de filhos que tinham os pais separados das mães, de pais que só viam os filhos no domingo, outro livro falava do pai que não tinha tempo para os filhos, que trabalhava o dia inteiro,. E também o livrinho do pai que não usava gravata, o pai que ficou desempregado, e noutro livro o caso de um pai que era presente apesar de trabalhar fora. Contei cada uma das historias e depois que eu contava eu sempre parava e comentávamos alguma coisa, e também a gente fazia um desenho, uma ilustração e algum texto..

OS GIBIS

Também gosto de trabalhar com os gibis, que eu coloquei lá atrás .numa caixa. Como eu gosto muito deste tipo de leitura acho .que eu até passo isso para os meus alunos. Eu coloquei a caixinha de gibi, foi mais por estratégia, porque quando eu vim para cá, a turma tava muito agitada e se. eles acabavam as atividades ficavam conversando, aquela agitação, então eu pensei em colocar caixinha de gibi e funcionou. Eu fazia assim, toda vez que alguém acabasse uma atividade podia ficar livre, ou o cantinho, escolhia um livro no Cantinho ou a caixinha de gibi. E lá dentro da caixinha de gibi também eu coloquei livrinhos menores, mais fininhos, pouca coisa de texto, que eles poderiam ter tempo de ler, porque a maioria dos livros do Cantinho de Leitura são maiores ,não dava tempo deles lerem,. Então eu coloquei livrinhos de história pequenas, e também folhas com poesias, assim eles pegavam e liam

RELAÇÃO COM A POESIA

Gosto muito de poesias e eu escrevi dois livros, quando estudava no Instituto com poesias. Não sou nenhuma poeta de escrever direitinho não, mas fiz na época que estudava lá. Gosto muito de ler poesias, sempre quando leio eu anoto .o que eu leio numa agenda ou num caderno porque quando eu preciso eu sempre tenho. E gosto muito de mandar para os outros uma poesia e sempre acho quando procuro. Na época que eu trabalhei na biblioteca do Instituto foi bom por essa parte, porque eu ficava com pouco serviço e então eu lia muito e com isso eu via muito livro de poesia . Essa época foi gostosa pra mim..

APROVEITANDO O JORNALZINHO DE DOMINGO

Aqui a gente tem que trabalhar o módulo de religião. Então eu estava tendo dificuldade de trabalhar o módulo. Troquei uma idéia com a Lígia e ela me sugeriu a idéia de pegar o jornalzinho de Domingo da missa das crianças porque atrás do jornalzinho, vinha sempre um texto com alguma coisa relacionada com o evangelho. Foi bom porque não tem nada a ver só com religião católica, porque eu tenho aqui na sala dez alunos que são de outras religiões, e mesmo assim eu pude trabalhar tranqüilamente, e a minha aula entrou na parte de leitura desses textos. Agora ,sempre aos domingos, quando eu não vou à missa das nove e meia, eu já deixo algum aluno responsável ,encarregado de trazer para nos o jornalzinho especial, Na folha de trás vem um texto assim, mais escuro, separado, que é para eles refletirem em, casa. Então eu aproveito geralmente são pequenas cenas da vida das crianças, eu sempre distribuo, eles lêem e a gente monta os teatros. A gente faz a leitura em forma de teatrinho, a maioria deles são teatros. Então a gente monta aqui mesmo toda segunda-feira. Após o texto sempre vem umas questões para reflexão. Então eles sempre anotam a reflexão e a gente faz uma discussão depois de tudo, de feita a leitura, o teatrinho, a interpretação oral discute-se muito quem faz, o quê faz, porque está fazendo, e depois a turma fica com um compromisso para a semana. Isso nos ajudou a melhorar o vínculo com a sala, a organização , porque a reflexão é bem prática mesmo, numa linguagem bem infantil. Nós até escrevemos uma carta para tia Corina, a autora da coluna, mas ainda não veio a resposta. Porque é ela quem nos ajuda a pensar sobre os textos, nós pedimos o endereço na paróquia de Matosinhos e mandamos para lá a correspondência ,elogiamos porque os textos serviram muito e explicamos o que a gente fazia com os textos.

GOSTO PELA ESCRITA E PELO TEATRO

Gosto de escrever , na época que estudei no Tomé, no Instituto e no Nossa Senhora das Dores, teve uma parte que eu estudava e escrevia muito Também gosto de teatro, de expressão corporal. Lá no Instituto, fiz inclusive teatro, para se fazer isso ,estudava-se muito relações interpessoais, , eu trouxe muito dessa carga de lá, então eu passo muito para os alunos. Gosto muito de fazer leitura em forma de teatro com eles, gosto muito de representar, geralmente quando tem apresentação aqui na escola, eu sempre apresento assim, um jogral escrito por eles mesmos, todo trabalho e deles. Pode começar a partir de um fantoche feito por eles mesmos, , e não gosto muito de dancinha, tipo essas músicas que se parecem , prefiro sempre apresentar um trabalho deles.


MENSAGEM

Fazer faculdade é um sinal de que posso melhorar na minha vida porque eu gosto muito de pensar em cada ano que passou, cada coisa que eu fiz e que se eu pudesse eu voltaria atrás com aqueles meninos lá da outra escola onde eu comecei, . Eu achava que aquilo era bom e não era, podia ter feito mais, aprendi depois . Não quero sair da sala de aula, por enquanto meus planos são só para a sala de aula. Eu gosto muito desse contato com os alunos e espero assim que a faculdade me dê mais base para poder melhorar a minha pratica A chave é a gente ter vontade de querer melhorar, mudar .Refazer porque a gente ficar muito parado, muito assim, é muito difícil.

Entrevistada por Lucinha Guimarães em 13 de novembro de 1999.