|
| Programação > |
|
Lost Highways, a portable mystery Lost Highways, a portable mystery is an attempt to explore how real histories can exist in an interactive world and stay real. Lost Highways is in the beginning stages as a development project to use ubiquitous computing to allow an individual to explore and make sense of a world either alone or with others. The medium will still be computational but the inter-actor will not be sitting at a terminal typing at a keyboard and staring at a screen. The inter-actor will be wandering a real world with augmented senses allow him or her to hear stories and see past events in order to uncover a historical mystery. In this presentation I will explain what we are attempting to do; why we are attempting it and what it means to attempt to integrate real stories into a make believe world and not lose the truth. O Desafio da Integração e Inclusão das Pessoas no Mundo Virtual Carlos Seabra Como nenhum outro meio de comunicação anterior (os tambores nos deixam distantes, as cartas demoram para chegar, ao telefone muitas vezes o som da voz nos seduz ou nos irrita mais que as palavras proferidas, a televisão é dos donos dos canais, a rádio concessão para igrejas e deputados fisiológicos), a Internet nos coloca interativamente em contato, superando barreiras de idade, sexo, cultura, preconceitos e, principalmente, distância geográfica. Aqui, cada um pode não apenas ler o que quiser quando tiver vontade, mas pode escrever, participar, ter os tais 15 minutos de fama que foram prometidos e ninguém dava... As pessoas perdem um pouco certos referenciais, que muitas vezes impedem que indivíduos se conheçam. Aqui, os preconceitos afloram mais que na vida real, escancarados em textos escritos na hora, sem censura, mas aqui também os preconceitos viram tigres de papel, bytes que se esvaem, pois colocam as pessoas, irremediavelmente, em íntimo contato umas com as outras. O contato delas aqui se dá através de seus cérebros, de suas almas, desprovidas de barreiras físicas. O racista pode perceber que está falando com o objeto de seu preconceito tarde demais: quando já houver feito amizade com ele. O jovem e o velho conversarão bastante até descobrirem a idade mútua. E duas pessoas carentes de calor humano e de amor, entes sensíveis que saibam traduzir em palavras suas emoções, poderão se apaixonar antes de se conhecer... Tudo depende de saber escrever. Na vida "real", as pessoas bonitas, bem vestidas e que saibam falar levam toda a vantagem nos primeiros contatos, ao passo que os tímidos, feios ou mal-vestidos precisam de muito valor para superar tais barreiras. Neste mundo "virtual", a palavra é o pó de pirlimpimpim que transforma a gata borralheira em princesa - e sua meia-noite é quando a conexão fica irritantemente lenta ou cai, e então aquele computador na sua frente vira uma abóbora. Aquele que não sabe pontuar, não tem poder de síntese das idéias, não conhece um vocabulário rico, ah... esse "dança" na mão desta comunidade - que pode ser tão cruel com ele como o outro mundo para com os quasímodos de aspecto repelente. Esta nova valorização da palavra escrita é um fenômeno interessantíssimo. O que a humanidade criou - e nos deu de Shakespeare a Fernando Pessoa - parecia que a informática iria acabar, a palavra escrita seria substituída por cliques no mouse, a literatura trocada por ícones. O que se vê não é isso, mas sim uma nova importância do escrever, essa atividade que na escola foi reduzida ao ritual sadomasoquista das provas, na sociedade aos formulários da burocracia. Agora, e com a Internet isso obriga a fazê-lo em mais de um idioma, quem não sabe escrever está isolado - como alguém que olha a estrada diante de si e não sabe usar os pés para caminhar. Os impactos sociais desta conquista da ciência e da tecnologia são capazes de levar a uma transformação maior que a da máquina a vapor. Uma sociedade baseada cada vez mais na troca de valores simbólicos, do dinheiro à informação, vai mudar o eixo da economia, acabar com o conceito atual de trabalho, valorizar mais que tudo o conhecimento e a aprendizagem. Na educação, a internet traz um potencial inovador ímpar, pois permite superar as paredes da sala de aula, com a troca de idéias com alunos de outras cidades e países, intercâmbio entre os educadores, nacional e internacionalmente, pesquisa on-line em bancos de dados, assinatura de revistas eletrônicas e o compartilhamento de experiências em comum. Este novo ambiente de aprendizagem, que não reside mais apenas na escola, mas também nos lares e nas empresas, traz novos desafios para os educadores, mais que nunca chamados a serem facilitadores e motivadores. Como introduzir as novas tecnologias na escola, particularmente no ensino público, onde tantas outras prioridades se colocam? Estaremos aprofundando cada vez mais a clivagem social se não houver uma efetiva política que garanta o pleno acesso de todos às novas tecnologias. Num mundo em transformação, onde cada vez mais o computador é o veículo de transporte da mente e um instrumento essencial de trabalho, não podemos preparar as novas gerações para um mundo de subalternidade, tanto do ponto de vista individual quanto na perspectiva da nação. No mundo do trabalho as coisas vão mudar bastante, também. Para quê ir até o escritório bater à máquina, se isso pode ser feito à distância, via modem? Poupando, assim, horas de deslocamento (deslocar a informação, não mais o corpo), a presença familiar mudará substancialmente. Nota-se, nas famílias que usam a internet no teletrabalho em casa, um resgate do ensino do ofício aos filhos. Mudanças, portanto, também no seio da família e do que entendemos por lar. E o desemprego? Hoje, ao fazermos uma transação bancária no micro de nossa casa, estamos repassando para o usuário o trabalho que antes era feito por um funcionário. Em breve, estaremos comprando carros através de um conexão gráfica com a fábrica que, just in time, fabricará o carro que acabamos de desenhar no terminal. Novos desafios, portanto, para a sociedade. Novas formas de se repensar a distribuição de renda e assegurar o direito de todos os seres humanos à busca da felicidade - do contrário, teremos um apartheid tecnológico como nunca visto. Você é daqueles que nem se lembra em quem votou para deputado nas últimas eleições? Que tal votar agora em um para quem você possa escrever via e-mail e que o coloque a par dos projetos, que seja, enfim, seu representante no parlamento? E o que será do Poder Executivo se cada cidadão puder ter acesso, garantido em Constituição, aos bancos de dados e fizer cruzamentos das informações obtidas? Imagine a nova participação da cidadania se cada pessoa com insônia às duas da manhã for ver como estão sendo aplicados os recursos em sua cidade... O voto será eletrônico, sem boca-de-urna, cada um em sua casa? Novas formas de manipulação da informação irão surgir, é claro, mas o pesadelo que Orwell imaginou em seu "1984" será ao contrário, pois o Big Brother poderá estar sendo vigiado por milhões de olhos... |