UM BALCÃO NA CAPITAL - Memórias do Comércio na Cidade do Rio de Janeiro
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Rio de Janeiro: um retrato na janela
 



Segundo a estudante Gilvania de Brito, que enviou sua história
pela internet, a delícia de visitar o Rio de Janeiro é "descobrir e reconhecer os pontos estratégicos da cidade". Para quem vem de passagem, o primeiro recorte está na janela do carro, do ônibus ou do avião. Para quem conhece o Rio desde sempre, abrir a janela pode representar uma nova revelação da cidade. Neste especial, descubra cenários do Rio.

 

Deixando marcas no Rio
Uma delícia é ir descobrindo e reconhecendo pontos estratégicos como a Ponte Rio-Niterói, o Teatro Municipal, o Cristo Redentor (aliás, de todos os pontos a gente pode ver a estátua). Prestava atenção aos nomes dos bairros e pensava: será que já estou perto de Copacabana? Via os ônibus e me indagava: será que vou conseguir decorar essa combinação de números? Não só consegui, como passei a circular pela cidade. Queria conhecê-la, apesar de sentir que, em cada esquina, meus pés já haviam deixado marcas.

Por falar em passeio, ao contrário de muita gente que visita a cidade, deixei os pontos turísticos tradicionais para o penúltimo dia. Conheci primeiro os bairros próximos ao hotel. Em Botafogo, jantei na Cantina Napolitana. É de lá que trago algumas de minhas melhores lembranças do Rio. A porta de entrada lembrava um saloon e o corredor estreito levava a um ambiente totalmente aconchegante. Encantei-me com o local, onde as velas eram colocadas na boca de garrafas plásticas e - super criativo - e o dono tocava um fole.
[Gilvania de Brito Ferreira] nasceu em Recife, PE, e enviou sua história pela internet

Conhecendo a cidade com as freiras
Morei dez anos no Rio, mas não conheci o Rio. Saia com a freira e ia tomar banho no Recreio dos Bandeirantes. Descia ali a Taquara, que a gente ia ensinar catecismo ali. Depois ela me levava para tomar um banho de roupa de freira. Elas mesmo tomavam, mas naquela época não tinha nada no Recreio dos Bandeirantes. Nada, nada, nada. Era igual você estar em um sítio. Aí subíamos o Alto novamente. Agente tomava um bonde no Alto da Boa Vista. Tinha a pracinha ali, descia até a usina, na usina tinha lotação. Tomava lotação, não tinha ônibus, deixava na Praça XV. Aí eu fazia as compras com ela e voltava. Assim, escapava de estudar um pouco e conhecia um pouquinho do Rio de Janeiro.
[Maria Clara dos Santos Tapajós] nasceu em Recife, PE, e deu seu depoimento ao Museu da Pessoa em 2003

Borboletas, pássaros e esquilos
Outro programa gostoso era irmos, com minha mãe, um bando de crianças fazer piquenique na caixa d'agua da ladeira da Ascurras, já pertinho do Silvestre. No meio de borboletas azuis, miquinhos, esquilos e pássaros, comíamos pão com goiabada e tomávamos suco de manga. Tinha muitas mangueiras no Cosme Velho e suco e sorvete de manga não faltavam nunca.
[Maria Ignez Gorges Rocha] nasceu em Petrópolis, RJ, e enviou sua história pela internet

O Maracanã pela televisão
Eu só conhecia do Rio de Janeiro, o Maracanã, tudo era através da imagem do canal 100, era o que eu conhecia do Rio de Janeiro, era o Maracanã, mostrando o Flamengo, a praia ali da Glória, até hoje tenho fascínio pela Glória e os letreiros que tinha. Sempre eu era mais o Fluminense até um dia que meu pai me levou, ele queria que eu fosse Flamengo, sempre via no Canal 100 e falava: "O Flamengo que é o bom", aí no dia que eu vi o Garrincha driblar cinco, falei: "Ah não, quero ser aquele outro ali", sou botafoguense até hoje.
[Silvio Guimarães Nascimento] nasceu em Recife, PE, e deu seu depoimento ao Museu da Pessoa em 2003

A coisa mais linda
Quando saímos do túnel e avistei a praia, foi uma das coisas mais lindas que vi na vida, nunca esqueço daquela imagem, só que eu estava com muito medo de ficar na praia, por causa do que eu via na TV todos os dias, mas aconteceu totalmente ao contrário e não vi nenhuma imagem ruim.
Me lembro do cara que nos alugou as cadeiras de praia e o guarda-sol. Ele era da barraca do Marcinho localizada quase em frente ao Copacabana Palace.
[Marcus Vinicius dos Reis Maia] nasceu em Rondonópolis, MT, e enviou sua história pela internet

Os cheiros do centro
Aquela região do centro era interessante, porque ali tinha uma fábrica de chocolate, armazéns de vinho, era uma região cheia de cheiros. Você tinha cheiro de chocolate, cheiro de café, cheiro de vinho. Ali, entre a praça e a Rua Carioca, o Largo da Carioca, tinha a Imprensa Nacional. E ali também tinha o Teatro Lírico, eu cheguei a ir ao Teatro Lírico, não pra assistir ópera, que a ópera naquele tempo já tinha passado para o Teatro Municipal, mas assisti até espetáculos de cinema e circo. O meu pai gostava muito de cinema e de teatro e levava sempre todos nós. Eu desde criança freqüentei o cinema. O cinema Odeon, ali na esquina da Rua da Assembléia, depois é que fizeram a Cinelândia.
[Aristides de Albuquerque] nasceu no Rio de Janeiro, RJ, e deu seu depoimento ao Museu da Pessoa em 2003

 

 
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