UM BALCÃO NA CAPITAL - Memórias do Comércio na Cidade do Rio de Janeiro
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Lojas de tradição
 

Em cada loja encontramos um mundo diferente: das necessidades cotidianas ao prazer de comprar um pequeno presente - as lojas da cidade fazem parte do dia-a-dia das pessoas. Neste especial, conheça alguns dos mais tradicionais endereços da capital carioca e reviva suas lembranças do comércio no Rio de Janeiro.

CHAPEÚS DE PRESENTE
Havia um monte de fábricas que nos forneciam chapéus, modelos do catálogo. Nós produzíamos chapéus também, mas só masculinos. Então eles levavam a fotografia, eu fazia o chapéu. E no carnaval também. O mundo do samba freqüentava a chapelaria. Alguns clientes faziam pedidos incomuns, como chapéus com iniciais. Muita gente comprava chapéu para dar de presente de aniversário, outros compravam para mandar para família que morava longe, então já levavam oito, dez chapéus. Houve uma época em que se vendia muita cartola, o meu pai usou muito.
Almir Romão Damásio, Chapelaria Porto

 

MUNDO DE BICHOS
Também trabalhamos com tudo para passarinho, brinquedos de cachorro. Antigamente, você improvisava uma bola de papel. Agora não, tudo que tu imaginar, tem. Tem que ter. Se não, perde o freguês. De bichos, a gente tem faisão, tem coelho, codorna, porquinho da Índia, peruzinho, pato, cachorro, gato Siamês. periquito, peixe. Todos são trazidos pelos criadores. Na Páscoa, sai o coelho. Pode botar 50 coelhos, que tu vende tudo. Depois é gato e cachorro. Uma pessoa passa ali às vezes vê um gato Siamês, gosta e leva. Em tempos normais, o costume é dar bichos de presente. A Xuxa, por exemplo, ganhou uma arara. Já fui na casa do Ney Mato Grosso levar um casal de faisão. Também estive na casa da Regina Casé para entregar um canário e também para o Pitanguy, em Botafogo.
Sérgio Pinto Soleiro, Casa Colibri

 


CINCO ENDEREÇOS
Barão da Torre, 185 é uma loja em que eu vendo material pesado, cimento, areia, ferro, tem máquina rosqueadeira para abrir rosca. Tem no 79 um Show Room de louças e banheiras. São vasos, lavatórios, que ocupa muito espaço, você tem que estar com ele montado para o cliente olhar e examinar. Na esquina da Farme com a Barão, eu tenho uma loja só de peça de aquecedor, de qualquer marca. Na Farme de Amoedo, 112 eu tenho um Show Room de cerâmicas, no 116 eu tenho uma casa de tintas e no 79 eu tenho uma loja tradicional de venda de bricolagem de metais de fios. Eu acho que no estilo da Amoedo não existem outras lojas não.
Helio Moreira Dias, Casa Amoedo

 


CLIENTES POETAS
A Leonardo é uma loja que tem tradição. Já chegou a ter três gerações, o avô, o pai e o filho como clientes. Dona Vanna conhece todo mundo. Drummond era um cliente. O sofá de Drummond continua lá, é sagrado, até foi comemorado, fizemos um mural só com as coisas do Drummond, com a caneta dele, o material que usava, o livro que ele fez a mão e depois foi impresso, tudo ficou exposto lá . Inclusive na lateral, comemorando os 50 anos da Leonardo, há um poema que Drummond fez para a livraria, e na outra porta há um outro poema feito por Antônio Cícero, que estão impressos na porta, no tamanho da porta, uma homenagem que eles fizeram à livraria. O Drummond era habitual, ali era o escritório dele, como ele mesmo dizia. E vários outros personagens importantes.
Silvio Guimarães Nascimento, Livraria
Leonardo da Vinci

 

 
 
 

 
 

 
 

 
 

 
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