UM BALCÃO NA CAPITAL - Memórias do Comércio na Cidade do Rio de Janeiro
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Cardápio de histórias
 

Das barracas de praia aos mais requintados endereços da cozinha regional e internacional, os restaurantes temperam a história do Rio de Janeiro. Conheça um pouco do que acontece nas mesas e cozinhas da cidade pela memória de nossos personagens.


Manuel Gil Gonzalez nasceu na Espanha, em 1932. Trabalhou no campo até os 13 anos, passou por Madri e veio para o Brasil. Começou a trabalhar como ajudante de garçom e hoje é um dos sócios do tradicional Restaurante Alba Mar.

"Quando era carvão à pedra, quando acendia o fogo, ficava o dia inteiro. Apagava, só quando fechava a casa."

O ALBA MAR
O prédio do Alba Mar, nome que significa "aurora sobre o mar", foi inaugurado em 1933. Em 1964, tornou-se patrimônio histórico, tombado pelo governador Carlos Lacerda. E por ser tombado, não ostenta cartaz ou letreiro na porta. Antes da mudança da capital para Brasília, o restaurante era freqüentado por políticos do Parlamento, Senado e Câmara, que depois de discutirem nas sessões, iam confraternizar no Albamar. Por lá passaram os grandes nomes da política e das letras. Mesmo depois que a capital do país mudou-se para Brasília, passou a ser freqüentado por muitos turistas atraídos pela fama que alcançou internacionalmente.

Ana Carolina Gayoso nasceu no Rio de Janeiro em 1964. Passou a infância em uma fazenda da família na cidade de Campos. Voltou para o Rio de Janeiro na adolescência, graduou-se em Direito e casou-se com o esportista Pepê, já falecido. Hoje administra a Barraca do Pepê e mais dois restaurantes no bairro do Leblon.


BARRACA DO PEPÊ
Pousando de asa-delta em São Conrado, quando ainda era selvagem, Pepê notou que só havia cachorro quente para comer. Só junk food. Zeloso pela sua saúde, começou a levar seus próprios sanduíches e refeições naturais, feitos em casa por ele mesmo. Aos poucos, começou a vender para outros esportistas. A procura cresceu, motivando a criação da Barraca do Pepê. O negócio começou em São Conrado e depois se expandiu para a Barra da Tijuca, ainda deserta. Ambas são símbolo de uma geração esportista e se tornaram point não só de esportistas, como também de turistas brasileiros e estrangeiros.

José Pereira Correia Lopes nasceu em 1939, em Portugal. Em 1958, quando chegou ao Brasil, começou a trabalhar como atendente de balcão na Confeitaria Colombo, onde hoje é gerente geral.

"A procura continua, relembrando os tempos passados: 'O senhor conheceu meu pai, meu avô, fulano de tal?' 'Conheci'. Aí os fregueses ficam emocionados e eu fico contente porque sei responder."

CONFEITARIA COLOMBO
A Colombo existe desde 1894, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Desde então, passou por várias transformações. Foi crescendo e se tornando uma potência na área como confeitaria e restaurante, promovendo também inesquecíveis banquetes externos. Consta até que para não abrir mão dela, Juscelino ofereceu-lhe um terreno em Brasília, que a Colombo recusou. Ela era famosa também pelos seus Chás das 5, ao som de violinos, piano e às vezes orquestra, ao qual comparecia a elite carioca muito bem vestida, para aparecer na sociedade e degustar seus famosos doces e salgadinhos. Era uma seleta freguesia composta também por intelectuais, poetas, políticos, e madames, principalmente quando o Rio era a capital do país. É admirada até hoje pelo requinte, pela arquitetura e decoração em estilo europeu do começo do século passado. Ostenta imensos espelhos belgas, vitrôs franceses, mármores italianos, piso português. De 1945 a 1994 manteve uma filial em Copacabana, menos famosa.

Palmira de Souza Leal nasceu em Barra do Guaratiba, no Rio de Janeiro em 1932. Filha de pescador, começou ajudando a mãe a cozinhar. Quando sua mãe morreu, continuou cozinhando para veranistas e surfistas vindos de Copacabana, do Leblon, para surfar lá em Barra de Guaratiba por causa do canal. Além de criar seus cinco filhos, também criou, nos anos 60, o restaurante de frutos do mar Tia Palmira, hoje uma referência na região.

“Nos anos 60, eu atendia a qualquer hora. Era só bater: ‘Palmira, quero comer.’ Lá ia eu fazer a comida. Quem tinha dinheiro comia, quem não tinha comia também.”


TIA PALMIRA
Começou ao poucos, com tia Palmira aprendendo a cozinhar com a mãe e depois alimentando sua família. Atraídos pela boa comida, foram chegando os surfistas, depois começou a entrega de marmitas. Boa administradora, tia Palmira mantinha uma horta, criação de pato, galinha, tinha peixe, e o restaurante foi dando lucro, aumentando. Depois, Palmira comprou a casa. De Parati vinha camarão, lula e carne de siri, direto do pescador. As frutas eram colhidas por lá mesmo, na Barra de Guaratiba. Palmira criou um dos primeiros estabelecimentos da região, que chegou a ser freqüentado por franceses da Aero Espaciale e da Air France, no tempo do Concorde. E também por renomados artistas como Vinicius de Moraes e Chico Buarque.

 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
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