Bonecas de pano

desenho: 1 2 3

Edila Rodrigues
Nascimento: 07/03/1954, Santo André
Profissão: Artista-educadora

Entrevistadores:
1º ciclo final, professora Ester Regina de Almeida Soares - EMEIEF Profª Maria Cecília Dezan Rocha - Santo André

 

Quando dona Edila era criança, brincou muito nas ruas tranquilas da cidade de Santo André.
Gostava de brincar de casinha. Suas panelinhas eram as latinhas de cera e de molho. Também fazia bonecas de pano ou de espigas de milho porque as bonecas “de verdade”, naquele tempo, eram muito caras nas vitrines das lojas chiques e só meninas ricas podiam comprar.
Além das brincadeiras com bonecas, também adorava jogar “fubeca” e figurinha com seus amigos.
Em sua infância dona Edila não tinha muitos lugares para passear, então os pais a levavam para visitar os parentes e, uma ou duas vezes por ano ela, e os irmãos iam ao parque de diversões, onde aproveitavam cada segundo daquele dia mágico.
Apesar de ser uma menina pobre, teve uma infância muito feliz, que até hoje lembra com bastante saudade e carinho.
Como toda a criança, Dona Edila também teve seus animaizinhos de estimação, mas o mais interessante de todos foi uma cachorrinha que ganhou com um nome muito diferente: Peruca.
Peruca era uma cachorrinha vira-lata, sapeca que vivia fugindo de casa.
Quando ela sumia, o pai de dona Edila saía para procurá-la e andava pelas ruas chamando:
- Peruca! Peruca!
Quando encontrava alguém pelas ruas perguntava pela Peruca.
As pessoas riam e pensavam que ele estava louco ou que tinha perdido sua peruca e estava procurando por ela.
Um dia, a cachorrinha querida fugiu e nunca mais voltou. Até hoje Dona Edila lembra-se dela com saudades e muito carinho.
Crianças são alegres e sapecas e de vez em quando vão parar na diretoria porque fazem alguma traquinagem.
Com dona Edila não foi muito diferente. Um dia, junto com mais dois colegas da classe, foi conduzida à sala da diretora para ouvir um sermão por seu mau comportamento.
Muito agitada por natureza, a menina não conseguia ficar parada, e enquanto a diretora dava a bronca, ela encontrou um buraquinho em uma gaveta da mesa e enfiou o dedo lá. O dedo ficou preso, e puxa que puxa, enquanto o sermão corria, nada do dedo sair do buraco.
Quando acabou, a diretora pediu que as crianças voltassem para a sala.
Foi então que a coisa complicou, Dona Edila puxou a mão com força, mas não teve solução, a gaveta veio junto. Foi necessário chamar um marceneiro para serrar a “bendita” e tirar o dedo da menina que estava preso.
Atualmente sua ocupação é de bonequeira, trabalha em comunidades carentes ensinando mulheres, mães de família a ganharem seu dinheiro para sustentar seus filhos, com a produção de bonecas de pano.