

Maria Aparecida Barreto
Nascimento: 02/12/1928, Juraia
Profissão: Costureira
Entrevistadores:
2º ciclo inicial e final, professoras Deise Aparecida de Resende Leite,
Luzimeire Gomes da Silva e Rosangela Gomes da Silva Ferrarez - EMEIEF Professor José Lazzarini Junior - Santo André
Existem coisas na vida que têm gostinho de felicidade, uma delas é a história que vamos contar sobre a vida da querida tia Fia.
Quando pequena ela viveu numa fazenda. E o que mais chamou a nossa atenção foi que a casa na qual morou era mal-assombrada, lá na cidade da querida tia Fia, – Juruaia, Minas Gerais, onde nasceu em 1928.
Entre outras atividades do dia-a-dia, ela tirava leite da vaca, para fazer queijo, cuidava das galinhas e ajudava a família a vender frango, ovos e peru na feira. Apesar das muitas tarefas que fazia, gostava de andar a cavalo e de contar histórias para as irmãs. Amava brincar com os bichos de estimação. E se divertir com os vizinhos. De quê? ”De ciranda, passa anel, amarelinha e de subir em árvores”.
Foi em uma dessas vezes, quando subiu no pé de amora, que levou uma bronca do seu tio: “Desça já daí, Maria!”
Sem entender por que seu tio tinha lhe chamado por esse nome estranho, desceu correndo do pé de amora e com uma voz triste falou para a sua mãe:
”Ô mãe, o tio... me chamou de Maria! Por quê?”
E sua mãe disse, com calma, que este era o seu verdadeiro nome, Maria Aparecida Barreto, e que Fia era só um apelido.
Mudou-se para uma cidadezinha chamada Guaxupé, outro município de Minas Gerais. E aos oito anos foi estudar. Era uma escola rígida e muito pobre, o horário de entrada era 9h e a saída às 15h. Não havia merenda, e se os alunos não tomassem café da manhã em casa ficavam com muita fome até o fim do período.
A professora era muito exigente e a disciplina não podia ser quebrada. Um exemplo disso era que ao chegar alguém na sala, as crianças eram obrigadas a se levantarem até receberem ordem para se sentar. Havia lugares separados para meninos e meninas. E o banheiro... era no mato. Mas infelizmente ela saiu com 12 anos da escola, na terceira série.
Desde menina tinha sonhos. Queria ser médica ou professora. Mas o que sempre lhe acompanhou foi o gosto por contar histórias e fazer poesias. Como saiu muito cedo da escola resolveu guardar este desejo para si.
Embora tenha sido criada como um menino, ela é muito feminina. Ajudava na roça carpindo, apanhando café, algodão, cuidando das irmãs e auxiliando seus pais em tudo.
Quando completou 15 anos, se apaixonou e começou a namorar e aos 16 anos se casou pela primeira vez. Seu presente de casamento foi diferente, ganhou uma cabrita, que naquele tempo isso valia muito. Quando mais tarde precisou vender o bichinho, para dar entrada num terreno, conseguiu um bom dinheiro.
Eram tempos cheios de dificuldades, tempos de guerra. Foi nesta época que veio para São Bernardo do Campo - São Paulo.
Com nove filhos para sustentar, ela trabalhou como costureira. Decidiu se mudar para Santo André. Foi aí que adquiriu um companheiro original, que até hoje é seu grande orgulho: um fusca, cor doce de leite, todo arrumado. Seu lindo fusquinha foi com ela visitar os parentes, em Minas Gerais, pouco tempo atrás. Se ainda está dirigindo?
Não, pois em 2007 passou por um problema de saúde e prefere não dirigir mais.
Seu marido faleceu e depois de algum tempo. Com 57 anos, se casou outra vez. Decidida a realizar seus sonhos, voltou a estudar. Foi aí, já com certa idade, que concluiu o ensino médio e começou a faculdade da terceira idade. Mas ela queria mais do que isso, queria realizar seu desejo e escrever poesias... E, foi durante um “apagão” que se inspirou e escreveu sua primeira poesia e isso com mais de 60 anos.
E essa inspiração aconteceu quando viu certa luz, pela janela de casa, somente neste dia fez um belo poema e desde então não parou mais. Hoje, tem 600 poesias escritas e conseguiu publicar seu primeiro livro.
O título? Borboleta, borboleta perto de mim passou.
Agora ela é uma “celebridade” em Santo André. E ainda pensa em realizar coisas: quer conhecer a França, de preferência a capital Paris, também deseja publicar outro livro de poesias.
Se ainda conta histórias? Com certeza, pois quando veio nos dar a entrevista de sua história de vida fez uma apresentação da história “O chapeuzinho azul”. E agora nós, alunos e professoras da Emeief Professor José Lazzarini Júnior no 2º ciclo, que passamos a conhecê-la, pedimos que Deus sempre ilumine o seu caminho.