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Clara Weissemann Introdução Dona Clara Weissmann nasceu em 9 de Abril
de 1908 na Hungria. Morou na casa de seus pais até se casar. Fugindo de
Hitler, dona Clara e seu primeiro marido foram para Finlândia. Em 1937,
aos 29 anos, chegou ao Brasil. Morou no Rio de Janeiro onde trabalhou no
Copacabana Palace. Casou-se novamente e em 1970 mudou-se para o Lar Golda
Meir onde mora até hoje aos 93 anos. Infância e Família. Nasci na Hungria , e lá morava com a
minha família: pai, mãe e irmão. Também morava conosco um casal de
colonos que eram da fazenda de meu pai. Tínhamos uma criação de gado e
porcos. Eu ia para a escola até completar o primário e depois vieram as
outras formações. Minha educação foi muito rígida, não íamos a
lugar algum sem que alguém estivesse conosco. Nunca sai sozinha. Adorava
patinar no gelo. Sabia até dançar no gelo. Constituição da própria família. Só sai da casa dos meus pais quando me
casei com meu primeiro marido, Paulo Roma. Sai da Hungria fugindo do
Hitller, sendo que nenhum país deu entrada, somente a Finlândia. Então
fomos para lá. Ficamos um ano , depois fecharam novamente as portas do país
e nos saímos de lá. Em um navio de carga, eu e o meu marido e mais
outras pessoas, viemos para o Rio de Janeiro em 1937. Casei-me pela segunda vez com Adalberto
Werner, no Rio de Janeiro em 1963. Casamos somente no civil. Ele tinha uma
fabrica de jóias aqui em São Paulo, e sempre dizia que um dia iríamos
morar aqui no Lar, mas naquela época o Lar era bem melhor. Religião. Sou judia, mas nunca andei muito na
sinagoga não. Quando veio um outro rabino, ele sempre me chamava e eu ia
quando tinha Cabalat Shabat. Era toda semana no salão nobre, que estava
sempre cheio, mas agora não tem mais isso. Vida Profissional. Eu não tinha uma profissão, mas sempre
trabalhei bastante. Na Finlândia eu ajudava a fazer sanduíches para
refugiados em um colégio, enquanto meu marido trabalhava com ilustração
de revistas suecas. Depois trabalhou como desenhista de arquiteto. Quando cheguei no Brasil não sabia falar
português, mas logo fui contratada para trabalhar no Copacabana Palace,
ao lado do cassino. Eu fazia a decoração do show e ajudava a organizar.
Quando o show era sem interrupção, tinha que trocar o palco, mas sempre
tinha algum artista na frente da cortina. O dia-a-dia no lar. Eu cheguei no Lar em 1970. Até três
anos atrás, eu viajava para o Uruguai. Fui duas vezes para Punta Del
Leste, que é lindo. Eu adoro o Brasil. Quando eu fui me
naturalizar, tinha um grupo lá com um despachante, mas eu não tinha e
fiz tudo sozinha. Fui, peguei a lista dos documentos que precisavam,
arrumei todos , entreguei e me naturalizaram. Uma vez, resolvi trazer meus pais, que
foi quase um milagre. Depois de um tempo eles faleceram em Belo Horizonte. Agora não tenho trabalho fixo não.
Quando abriram a enfermaria no 2º andar veio o Doutor Feher , que
era presidente no Albert Einstein, ele queria que eu ficasse no segundo
andar como voluntária, e eu fiquei e logo comecei a trabalhar. Fiz 3
cursos para o tratamento da terceira idade. Hoje em dia quase não faço nada porque
não posso andar, estou com 93 anos, fiquei internada, e quando sai da
cama fiquei na cadeira de roda. Com muita força de vontade estou andando
agora. Mas continuo me esforçando. Hoje vivo bem aqui!
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