Margarita (à direita) em um coquetel. Sem data.

 

 

 

 

 

Margarita atualmente é a senhora do meio.
 

Magarita Schulmann

Magarita Schulmann, filha de Abel Schulmann e Ida Schulmann é brasileira e viveu sua infância, em Porto Alegre, com seus pais. Terminou o ginásio em Porto Alegre e em seguida veio para São Paulo terminar seus estudos no Mackenzie.


A vida na política

Por ser judia, aos 16 anos em Porto Alegre, começou a se interessar por movimentos políticos e a tomar conhecimentos do movimento integralista - movimento fascista e de perseguição dos judeus na Alemanha.
Seu pai que era um homem de esquerda, um menchevique - na Rússia os comunistas se dividiam em dois movimentos: os mencheviques e os bolcheviques - sentiu que deveria sair da Rússia, pois a própria organização do partido comunista era rígida demais para o temperamento dele.

Mas na verdade, o que determinou o interesse de Margarita por política foi um filme que assistiu sobre a história da revolução que ocorria na Espanha, onde os espanhóis lutavam pela liberdade, contra a ditadura de Franco. O ator, Glenn Ford, terminava o filme olhando para a platéia perguntando: “Onde está a consciência do mundo?”. Foi naquele momento que Margarita começou a querer lutar contra as injustiças e indiferenças sociais que poderiam ser menores, se houvesse mais pessoas com a mesma garra e determinação do personagem. “... Eu queria ser uma inocente útil, porém era mais útil do que inocente”.


São Paulo

Em São Paulo todos seus amigos eram esquerdistas, como não era filiada ao partido comunista, passou a ser como a maioria dos jovens intelectuais da época: uma simpatizante.

Margarita lembra-se quando foi ao comício, após a libertação de Prestes, no regime de Getúlio Vargas. Eram movimentos empolgantes, que lutavam pela melhoria do povo e dos operários.
Margarita influenciou a formação política de sua filha Tatiana, que já nos anos 60 se tornou esquerdista. Tatiana, durante a ditadura militar, apesar de não ter sido presa sofreu penalidade como a suspensão da faculdade e a perda do emprego. Ela voltou a trabalhar em 1979, quando veio a anistia, que era a bandeira da libertação tida pelos jovens.

Assim como vários intelectuais da época, que simpatizaram ou mesmo lutaram junto ao Partido Comunista, ao longo do tempo Margarita desacreditou e se afastou das ideologias do partido. Ela não acreditava mais que esses movimentos trouxessem melhorias ao povo. Achava que a teoria era boa mas a prática nem tanto, pois estavam se tornando ditadores piores do que aqueles contra os quais lutavam.


O Passaporte

Margarita certa vez, foi ajudar um conhecido de um amigo seu a conseguir um passaporte para ir a um congresso em Paris. Muitas pessoas estavam atrás deste documento que vinha de Londres, pois não eram impressos no Brasil. Margarita que tinha em mãos uma carta de apresentação do deputado Cunha Lima, passou por mais de vinte delegados colhendo suas assinaturas. Quando chegou no último delegado, este estava atendendo um senhor que pareceu um tanto arrogante. Chegando então no último delegado que estava conversando com um senhor um tanto arrogante, que por sinal também queria o passaporte, porém este delegado disse que não o tinha. Quando este senhor arrogante foi embora, Margarita, já acomodada na sala do delegado, pediu-lhe o concorrido documento então, o delegado tirou de dentro de sua gaveta o último e único papel, e deu a Margarita.



O Festival de Varsóvia


A rifa do quadro

Em julho de 1955, Margarita queria ir ao Festival de Varsóvia, um festival dos jovens do mundo inteiro. Ela não tinha dinheiro e precisava pagar a sua passagem e mais de um operário - se tinha condições de pagar sua passagem deveria também pagar para quem não tivesse. Por isso, fez uma rifa de um quadro e levantou dinheiro para ir para Varsóvia. O fato engraçado: o pintor acabou não dando o quadro, mas Margarita viajou mesmo assim!


No Festival

Na delegação estudantil do Brasil (formada para representar o país no final do Festival), havia um grupo de músicos dançarinos do Embu super divertidos, mas um grande problema: eles não podiam ter carimbo no passaporte provando que haviam estado na Rússia. Chegando em Paris, ela teve que falar com o cônsul que fez uma jogada: deu uma espécie de autorização para entrarem na Polônia, e eles sumiram por um mês. Os policias sabiam que eles estavam entrando no país, mas não podia constar no passaporte.
Chegaram em Varsóvia, que em 1955, já tinha sido reconstruída após a destruição de Hitler. Havia um barzinho muito bom, freqüentado por artistas e amigos da arte, todos eles hospedados em hotéis.

Neste caso Margarita era considerada plebe, pois estava hospedada num colégio.
Chegando lá, um senhor falando português foi conversar com Margarita. Ela perguntou onde ele estava hospedado, e ele disse: “Eu sou o cônsul do Brasil” (Aníbal Maranhão), e isso foi espantoso e maravilhoso para ela, pois ele a levou para conhecer muitos lugares aos quais não teria acesso.



O Festival terminava com cada país apresentando uma dança, então os brasileiros fizeram a sua apresentação na festa dos poloneses com o grupo de dançarinos do Embu. Todos os colegas do partido entraram em pânico ao ver o embaixador brasileiro, com medo que descobrissem que estavam mesmo em Varsóvia. Margarita disse que as autoridades sabiam muito bem onde eles estavam.
“...Tragam suas máquinas fotográficas, pois com a presença do embaixador aqui podemos oficializar nossa estadia em Varsóvia”.


Os amigos colombianos

Ainda nesse Festival, freqüentado por pessoas de todo mundo, Margarita conheceu um grupo de colombianos e eles a acompanharam em Varsóvia. Iam para todo lugar juntos, e Margarita acabou indo com eles para Viena e para Roma. Ela gostou tanto de Roma, que com algumas economias ficou lá durante seis meses, com esse grupo de colombianos. Nesse grupo havia um rapaz que estudava direito, era um colombiano bem índio. Ele era muito pobre e morava com outros amigos em Viena. Quando ela chegou em Viena, ainda estava sob ocupação soviética, e a vida lá era muito barata. Eles viviam lá e estudavam em Roma. Margarita nunca mais se correspondeu com nenhum desses amigos, passaram-se anos.


O Reencontro

Em 1972, Margarita foi viajar aos Estados Unidos a convite dos pais americanos de sua filha, que fez intercâmbio lá. Ela fez um roteiro e sua vontade era ir a Lima para ver Machupichu, depois ir para a Colômbia e finalizar nos Estados Unidos. Na Colômbia ela foi procurar o nome daquele amigo na lista telefônica e achou. Já fazia 20 anos que eles não se falavam. Ela ligou para ele, para ter certeza que era ele mesmo, começou a conversar muito devagar sem se identificar, e ele disse: “Margarita !!! Como é que você me achou na lista telefônica?”, ela respondeu: “Procurando!”.

Ele disse que seu nome não constava na lista telefônica, mas ela tinha certeza que estava e ainda brincou com ele: “O que é? Você continua fugitivo da polícia?”, e nesse momento ele falou com sua mulher: “Eu não disse para você me tirar da lista telefônica?", mas depois concluiu: “Olha Margarita, isso foi muito bom, porque senão você não me achava”. Ela ficou intrigada com essa história de seu amigo não querer aparecer na lista telefônica, o que será que ele escondia? Ele foi visitá-la primeiro sozinho, depois a convidou para sua casa, para conhecer sua esposa e para o espanto dela, ele apresentou Margarita como noiva dele, a noiva de Roma!

Depois foi a vez de Margarita visitá-lo, e ele morava no subúrbio. Na Colômbia, as pessoas ricas moravam em subúrbios e era muito complicado andar por lá. Por isso, ela preferiu visitá-lo onde ele trabalhava. Quando Margarita entrou, havia um salão muito grande: ele escondia que era presidente de um banco! Ele, que era um ex-comunista, estava com vergonha de assumir que virou capitalista. Essa viagem durou dois meses.

Margarita e sua neta

Margarita começou a interessar-se por teatro influenciada pelo seu segundo marido, o famoso diretor Ruggero Jacobbi. Ela acredita que este interesse tenha influenciado também, sua neta Gabriela, que estudou teatro durante muitos anos, antes de estudar cinema. Gabriela começou a trabalhar com Rosane Svartman, que faz curta-metragem, teve muito interesse e foi estudar cinema em Paris.

Antes disso, em 2000, Gabriela fez um curta-metragem. Uma curiosidade é que Margarita ficou um tanto apreensiva quando estava assistindo à Mostra de Curtas, pois os primeiros filmes não foram do seu agrado. Seu receio era que o mesmo ocorresse com o filme de sua neta, o que felizmente não ocorreu.


As Tatianas de sua vida

Margarita tem amizades de longa data como Nicete Bruno e Paulo Goulart - de quem foi madrinha de casamento e quem os apresentou - e Walmor Chagas que atualmente mora em Porto Alegre.

Tatiana Belinky também é uma destas amizades. Ela é uma grande escritora de livros infantis e fez a adaptação do “Sítio do pica-pau amarelo”, que foi exibido durante 14 anos. Atualmente elas se correspondem através de e-mails.

Outra grande amiga é a bela mulata Márcia - que é considerada por Margarita como sua segunda neta - e atualmente mora em Frankfurt, Alemanha.

A terceira e não menos querida Tatiana Pereira é filha de grandes amigos de Margarita, já falecidos. Ela mora em Lisboa, Portugal e elas se correspondem através de e-mails segundo Margarita, normalmente muito longos.


SONHO

Ela tem um desejo, quase um sonho, o de viajar para os três lugares onde pode se hospedar. Em Paris, com sua neta Gabriela; na Alemanha, onde vive Tatiana e em Portugal, onde mora Tatiana Pereira.

O IMPORTANTE DA VIDA...

Margarita disse que ler é a coisa mais importante para nossas vidas, que isto é a janela para o mundo. Durante sua vida seu lazer mais importante foi ler, e ainda hoje, ela lê para se divertir.
Dentre as atividades que mais gosta de fazer, além de ler, estão: ver televisão, ir ao cinema, teatro e desde 1999 usar o computador.

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