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NAIR
PINTO DE MIRANDA
Nair Pinto de Miranda, é
uma pessoa de sessenta e três anos e uma saúde de ferro. Com muita
disposição, viveu sua vida inteira batalhando, com humildade, força de
vontade e carinho pelas pessoas que cruzavam o seu caminho. Muito
alegre, e com a personalidade forte, está vivendo, agora, a fase mais
feliz de sua vida; pois tem sua família junto dela, amigos de monte, e
uma energia pra dar e vender... Conheça agora, um pouco mais da vida
dessa mulher, que apesar de ter sofrido, batalhou muito, e agora só pensa
em ser feliz...
MINHA INFÂNCIA
"Eu morava com meus pais, sete irmãs e um irmão, em Caieiras,
no interior, em uma casa num sítio bem grande. Tinha plantações, criações
de animais, como: vacas, cavalos, porcos... a gente tinha de tudo. Na
verdade, o sítio era uma fábrica de papel, e o meu pai era empregado
dessa fábrica. Eu brincava muito com os meus irmãos... De
amarelinha, esconde-esconde, de casinha... Era tudo no mato, não tinha
luz, era lampião...Só não brincava com os bichos. Era muito
bom!!!"
FAMÍLIA
"Minha mãe era doméstica e meu pai era cocheiro. Tive oito irmãos,
mas agora só dois estão vivos...Tive dois filhos. O Maurício, que é
taxista, tem quarenta e um anos, e tem três filhos; e a Marisa que é
professora, tem trinta e nove anos, e tem dois filhos. No total, tenho
cinco netos, o Michael, o Marcelo e o Márcio, por parte do meu filho, e a
Michele e o Mailon por parte da minha filha. Eu gostaria de ter mais uns
seis filhos, se eles fossem maravilhosos como os meus filhos são !!!
Na infância, eles também eram ótimos!!! Claro que de vez em quando eles
aprontavam, mas pra compensar, eles eram
muito estudiosos!!!"
MEU PRIMEIRO AMOR
"Ele se chamava Alberto. Era meu vizinho, quando eu morava em
Caieiras. Que eu me lembre eu tinha sete anos, e ali a gente foi criado
junto. Ele gostava muito do meu pai e da minha mãe. Meu irmão, que é músico,
começou a ensinar música pra ele... Não sei porque não deu certo...
Acho que eu era muito cabeça-oca. A gente se gostava, depois eu vim pra São
Paulo trabalhar e ele ficou noivo. Ele também não foi feliz, que nem
eu... A mulher dele morreu de parto. Depois ele se casou pela segunda vez
e não é feliz."
MEUS EMPREGOS
"Como eu nunca fui bem nos estudos, comecei a trabalhar com doze anos
como doméstica. Meu primeiro emprego, foi na casa de um médico, que
minha mãe já conhecia. Mas eu saí desse emprego, não me lembro porque,
e fui trabalhar na casa da minha tia. Minha mãe não quis, pois aquela
minha tia era muito ruim. Mas eu sempre fui muito teimosa, e fui assim
mesmo. Ela foi muito ruim pra mim, então eu saí da casa dela, e minha
irmã arrumou um emprego pra mim, na Vila Pompéia. Mas perdi esse meu
emprego, por causa do meu marido, e fui trabalhar no hospital, junto com a
minha irmã, de cozinheira. Mas aí eu me casei, e fui morar perto da
minha ex-patroa, na Vila Pompéia, então, eu voltei a trabalhar com ela.
Mas o meu marido não tinha jeito, e voltou a fazer escândalo. A minha
casa ficava perto de uma escola. Aí a merendeira da escola foi embora, e
me chamaram pra ser merendeira. Eu não pensei duas vezes e fui lá
trabalhar. O nome da escola era Pazini, e trabalhei lá durante onze anos.
Depois eu saí daquela escola, e vim trabalhar aqui no Brasílio. Estou
aqui no Brasílio há quase onze anos."
MEU CASAMENTO
"Me casei com dezessete anos com o João Freitas de Miranda. Ele não
foi o meu primeiro namorado, mas foi o
meu primeiro e único marido. No papel, sou casada com ele até hoje, mas
na vida, sou separada faz um tempo.
Nos conhecemos em uma igreja em Pinheiros. Pra ele, foi amor à
primeira vista, mas pra mim não! Em mais ou menos um ano, nós nos
conhecemos e nos casamos... Com ele eu tive o Maurício e a Marisa. Meu
marido era muito ciumento, e me fez passar vexame nos meus empregos. Até
perdi um emprego por causa dele. O emprego que eu perdi por causa dele,
foi na Vila Pompéia, quando ele brigou com os meus patrões. Ele tinha um
emprego ótimo no Clube de Pinheiros. Mas em um ano e meio, deram férias
pra ele, e ele nunca mais voltou a trabalhar lá. Sou separada, há três
anos e pouco. Eu nem quero mais ver ele. Meu filho encontra com ele, às
vezes, quando leva o irmão doente dele pro hospital. Ele é tão ruim,
que não existe ninguém que diga que goste dele. Um dia, ele teve um
amigo. Esse amigo, dava muitos conselhos pra ele. Eu fiquei muito sentida
quando ele morreu... Nunca amei o meu marido. Ele brigava com tudo em com
todos! No Brasílio( escola), por exemplo, ele fez horrores, por isso não
dava pra ter amor. Ele trabalhou no Aeroporto de Congonhas, e depois de um
ano de trabalho, eles deixavam viajar com a família. Fiquei tão feliz
quando completou um ano... Eu queria tanto andar de avião... Mas foi só
dar férias pra ele, e esse homem não voltou mais a trabalhar. Então eu
não viajei mais."
MINHA VIDA HOJE
"Hoje sou aposentada, vivo com minha família, no Taboão. Apesar de
já ter passado fome com os meus filhos, por causa do meu marido, me sinto
uma pessoa realizada. Hoje sou super feliz com os meus filhos, meus netos
e com os meus amigos aqui da escola!!!
DAR A ENTREVISTA FOI ...
Ah, eu gostei muito... Foi muito importante, porque eu sempre pensei em
falar da minha vida, inclusive, eu
estava com a diretora daqui do Brasílio Machado, e ela sempre falava que
admirava ver eu trabalhando, lutando,
correndo pra lá e pra cá, minha disposição pra fazer tudo que eles
pediam... Eu até pensei em escrever um
livro. Eu também gostei muito de vocês meninas, vocês duas não sabem o
quanto me deixaram feliz!!!
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