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O Museu da Pessoa foi fundado em São Paulo em 1991. Desde o início, nosso objetivo foi construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social. Apesar de não haver internet, no começo já nos definíamos como um museu virtual – ou seja, um museu para preservação de histórias de vida, organizadas em uma base digital (banco de museus, CD-ROMs, etc.). Nosso objetivo principal era criar um novo espaço onde cada pessoa pudesse ter a oportunidade de preservar sua história de vida e de tornar-se uma das múltiplas vozes da nossa memória social.



Nós acreditávamos – e acreditamos – que a memória social, construída democraticamente, poderia contribuir para criar diferentes perspectivas da nossa sociedade. Uma história de vida é, sem dúvida, uma forma poderosa de entender uma pessoa. Mais do que isso, conhecer – por meio da escuta ou da leitura – um grupo de histórias de vida é uma maneira incrível de expandir nossa visão do mundo, pois elas são peças de informação únicas, que nos mostram como as diferentes pessoas criam suas próprias realidades.

Após 15 anos de atividades, o Museu da Pessoa é hoje formado por quatro núcleos (Brasil, Canadá, Estados Unidos e Portugal). Eles são autônomos, auto-sustentáveis e ligados por uma metodologia e objetivos comuns. O Museu da Pessoa no Brasil foi o primeiro e desde o início trabalhou em busca da sua auto-sustentabilidade. Realizamos em torno de 100 projetos, desde projetos de memória institucional até outros focados em desenvolvimento local e educação. Todos eles usam a metodologia de história oral e além de resultar em um produto, sempre agregam histórias de vida ao nosso acervo virtual.

A história do Museu da Pessoa pode ser organizada em três períodos:

UMA REDE SEM A REDE (1991-1996)

Mudando as vozes na história: produzindo conteúdos diferentes, organizando histórias e desenvolvendo produtos

Começamos nos concentrando no trabalho de capturar “vozes”, diferentes vozes que nunca escutamos na História. Também desenvolvemos produtos para serem vistos pelo resto da sociedade. Nesse período, elaboramos os primeiros CD-ROMs históricos interativos no Brasil – nos quais era possível conectar temas específicos (como memórias do comércio, história de times de futebol, história dos sindicatos, etc.). Buscávamos sempre novas vozes, ou seja, pessoas que poderiam dar uma perspectiva diferente da História. Quando estamos fazendo a história de um clube de futebol, por exemplo, não buscamos somente a perspectiva dos jogadores, mas também de uma cozinheira, de uma telefonista, do porteiro. Começamos também novos programas, como o museu itinerante, no qual uma cabine de gravação era instalada em locais públicos como estações de metrô, praças e ruas. Era aberto para qualquer pessoa que quisesse contar sua história. Realizamos mais de 2 mil eventos como este por todo o Brasil. Nossa idéia era organizar todas as narrativas em um CD-ROM e colocá-las em jukeboxes para serem escutadas por todos. Finalmente, e felizmente, a Internet chegou.

MUDANDO A FORMA COMO A HISTÓRIA É CONSTRUÍDA (1997-2004)

Apenas um ano depois da criação do nosso site na internet, entendemos o grande poder da interatividade. Então criamos o “Conte Sua História”, assim o Museu da Pessoa estaria permanentemente aberto na internet para qualquer pessoa que quisesse enviar sua história, ou até criar a história de sua comunidade. Porém, atuar num país como o Brasil, onde menos de 20% da população tem acesso à internet nos levou a uma série de questionamentos: o que mais poderíamos fazer para expandir a idéia? Quais eram os possíveis usos sociais das histórias de vida? Como a nossa metodologia poderia ser ferramenta para dar poder a diferentes grupos da sociedade? Foi então que descobrimos que muito mais poderoso que colocar cabines de gravação de depoimentos em todo o país – nas quais nós éramos os produtores, os mediadores, e devolvíamos os resultados à sociedade – seria disseminar nossas metodologias e práticas.


Oficina Agentes da História
Agosto de 2000

Então começamos alguns programas como os “Agentes da História”, treinando idosos para entrevistar outros idosos, além do “Memória Local” – focado em alfabetização e inclusão digital nas escolas públicas no Brasil e treinamento de multiplicadores em comunidades e organizações da sociedade civil.

Entendemos também a necessidade de disseminação do conteúdo em outras mídias, além da internet, dos livros e das exposições. Começamos algumas parcerias com rádios (Programa “Memória do Cidadão”, na Rádio Cultura AM de São Paulo) e emissoras de televisão (Documentários e Programa “Minutos de Memória”, na TV Cultura de São Paulo).

E então veio uma outra questão: como as comunidades e as pessoas que estavam produzindo suas histórias para fazer uma mudança social efetiva poderiam utilizá-las? Como poderiam construir uma corrente entre aquele que fala e aquele que escuta? Como criar uma comunidade global real entre contadores e ouvintes? Quem tem que escutar?

CRIANDO UMA REDE: CONSTRUINDO PONTES ENTRE CONTADORES E OUVINTES (2004-2006)


Lançamento Portal do Museu da Pessoa
Seminário Memória, Rede e Mudança social
Agosto de 2003

Entendemos que para ter uma rede real de histórias de vida capaz de começar a mudar a maneira como a sociedade cria suas narrativas históricas, temos que conectar quem fala com quem quer ou tem que escutar as histórias. Essas conexões definitivamente ajudariam a estabelecer novos parâmetros educacionais para entender a História. Então, utilizar o poder das histórias de vida para conectar gerações, comunidades e diferentes níveis de poder na sociedade é um passo essencial. Hoje, as histórias digitais podem ser feitas por meio de diversas novas tecnologias: podcasting, blogs, documentários digitais, web rádios, etc. Nosso desafio é aproveitar todas essas possibilidades para criar verdadeiras correntes que possam resultar em mudanças reais na sociedade.

  Entrevista com imigrantes
Evento Memória e Migração Dezembro de 1991

 
 
 
 
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