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O Museu da Pessoa foi fundado em São Paulo em 1991. Desde o início, nosso objetivo foi construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social. Apesar de não haver internet, no começo já nos definíamos como um museu virtual – ou seja, um museu para preservação de histórias de vida, organizadas em uma base digital (banco de museus, CD-ROMs, etc.). Nosso objetivo principal era criar um novo espaço onde cada pessoa pudesse ter a oportunidade de preservar sua história de vida e de tornar-se uma das múltiplas vozes da nossa memória social.
Começamos nos concentrando no trabalho de capturar “vozes”, diferentes vozes que nunca escutamos na História. Também desenvolvemos produtos para serem vistos pelo resto da sociedade. Nesse período, elaboramos os primeiros CD-ROMs históricos interativos no Brasil – nos quais era possível conectar temas específicos (como memórias do comércio, história de times de futebol, história dos sindicatos, etc.). Buscávamos sempre novas vozes, ou seja, pessoas que poderiam dar uma perspectiva diferente da História. Quando estamos fazendo a história de um clube de futebol, por exemplo, não buscamos somente a perspectiva dos jogadores, mas também de uma cozinheira, de uma telefonista, do porteiro. Começamos também novos programas, como o museu itinerante, no qual uma cabine de gravação era instalada em locais públicos como estações de metrô, praças e ruas. Era aberto para qualquer pessoa que quisesse contar sua história. Realizamos mais de 2 mil eventos como este por todo o Brasil. Nossa idéia era organizar todas as narrativas em um CD-ROM e colocá-las em jukeboxes para serem escutadas por todos. Finalmente, e felizmente, a Internet chegou. MUDANDO A FORMA COMO A HISTÓRIA É CONSTRUÍDA (1997-2004) Apenas um ano depois da criação
do nosso site na internet, entendemos o grande poder da interatividade.
Então criamos o “Conte Sua História”, assim
o Museu da Pessoa estaria permanentemente aberto na internet para qualquer
pessoa que quisesse enviar sua história, ou até criar a
história de sua comunidade. Porém, atuar num país
como o Brasil, onde menos de 20% da população tem acesso
à internet nos levou a uma série de questionamentos: o que
mais poderíamos fazer para expandir a idéia? Quais eram
os possíveis usos sociais das histórias de vida? Como a
nossa metodologia poderia ser ferramenta para dar poder a diferentes grupos
da sociedade? Foi então que descobrimos que muito mais poderoso
que colocar cabines de gravação de depoimentos em todo o
país – nas quais nós éramos os produtores,
os mediadores, e devolvíamos os resultados à sociedade –
seria disseminar nossas metodologias e práticas. Entendemos também a necessidade de disseminação do conteúdo em outras mídias, além da internet, dos livros e das exposições. Começamos algumas parcerias com rádios (Programa “Memória do Cidadão”, na Rádio Cultura AM de São Paulo) e emissoras de televisão (Documentários e Programa “Minutos de Memória”, na TV Cultura de São Paulo). E então veio uma outra questão:
como as comunidades e as pessoas que estavam produzindo suas histórias
para fazer uma mudança social efetiva poderiam utilizá-las?
Como poderiam construir uma corrente entre aquele que fala e aquele que
escuta? Como criar uma comunidade global real entre contadores e ouvintes?
Quem tem que escutar? CRIANDO UMA REDE: CONSTRUINDO PONTES ENTRE CONTADORES E OUVINTES (2004-2006)
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